29 de novembro de 2010

Família, familia... Mamãe, mamãe, titia...


  A homossexualidade continua um tabu nos dias de hoje, por mais que algumas barreiras tenham sido derrubadas, o tema continua polêmico porém ainda rende bons argumentos para o cinema. É caso de Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right) dirigido por Lisa Cholodenko, qe com um ótimo elenco, conta a estória do casal de lésbicas Nic e Jules (Annette Bening e Julianne Moore) que vivem há muitos anos juntas e ambas tiveram um filho por inseminação artificial. As crianças cresceram, Joni (Mia Wasikowska, de Alice no País das Maravilhas) completa 18 anos e vai começar a faculdade, já Laser (Josh Hutcherson) está em plena adolescência. A curiosidade de ambos em saber quem é o seu pai, os leva a procurar a identidade do doador de esperma e acabam se deparando com a figura de Paul (Mark Ruffalo), um dono de restaurante e cultivador de legumes e verduras natuais. Ele é o elemento desestabilizador da aparente tranquilidade desta família, Nic é médica e gosta de controlar todos os passos dos membros de sua família, já Jules faz a linha liberal, um tanto quanto hipponga, que tenta se encontrar em mais um novo trabalho na área do paisagismo. Paul convida Jules para trabalhar em seu jardim, logo eles se vem irresistivelmente atraídos, enquanto os filhos também estreitam os laços com seu pai. Quem não gosta muito da presença de Paul é Nic, que reluta em não confiar nele e o enxerga como praticamente uma ameaça à sua família.


    Minhas Mães e Meu Pai é o típico filme onde os personagens são o que importam, toda a relação entre cada membro de sua família e a consequência de suas atitudes. O filme aborda o delicado tema da inseminação artificial, principalmente quando o sigilo da identidade do doador é quebrado. No caso de Paul é difícil encaixar-se num papel onde todos já foram por si só preenchidos numa família completa. O personagem é o mais deslocado de todos pois é preciso inserir-se como pai, um pai voluntário pelo desejo de doar esperma a pessoas que não podem ter bebês e involuntariamente encaixado num família da qual não participou do crescimento de seus filhos e de sua história. Com sua chegada, as mães entram em crise, os filhos se rebelam e Paul descobre uma nova possibilidade em sua vida até então despreocupada e sem muita maturidade. O filme apesar de falar de forma delicada sobre a questão homossexual, o aborda de uma forma imparcial. A única coisa que incomoda seria o fato dos personagens não sofrerem nenhum tipo de preconceito em relação a isto. Na verdade, parece que estamos dentro de um microcosmo à parte do mundo e a diretora não planeja ir além deste, ela não quer ampliar a questão homossexual ou da inseminação, ela está mais preocupada com os impactos que isto gera e acerta ao fazer esta escolha. Um olhar para pessoas que devem lidar com a subversão de seu status quo diante de uma grande mudança ou da entrada de um novo elemento em suas vidas e como elas improvisam em viver com este incômodo e novo sentimento.
    Uma das boas surpresas do circuito comercial deste ano, Minhas Mães e Meu Pai é um filme que em sua simplicidade mostra que tem muito a dizer sobre as complexas relações humanas e como a vida a dois e a vida em família não é fácil tanto para heterossexuais tanto para gays.

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