4 de novembro de 2010

Meu passeio na 29ª Bienal de... Artes de São Paulo



Bem, foi com muito sono que estive junto com o namorado e uma amiga na 29ª Bienal de São Paulo. Estava recuperando-me de um resfriado e meu humor não era dos melhores, mas ainda assim suportável. Sinceramente eu nunca entendi as artes plásticas. Pinturas, esculturas, fotografia, etc. possuem a minha admiração, mas o que convencionou-se chamar “arte contemporânea” ainda foge à minha compreensão. Podem chamar de preconceito, teimosia ou que minha cabeça é fechada à essas manifestações artísticas, confesso que sim, em partes. Mas passear pela Bienal e prestigiar os trabalhos lá apresentados serviu para confirmar certas visões sobre a área e me surpreender com outras. Esta última, infelizmente, em grau menor. Muita coisa vem da percepção do contexto em que determinada obra se insere.
A privada do Marcel Duchamp fora do ambiente de uma exposição ou museu é apenas uma privada, dentro destes espaços, a obra traz provocações e cerca-se de signos que nos inspira a pensar, isto eu entendo perfeitamente. Mas outras coisas não. Por exemplo, um monte de revistas consumidas pelo grande público dentro de instalação com citações à obra de Assis Brasil, Paulo Prado (um dos grandes nomes da Semana de Arte Moderna em 1922) coladas na parede, pareceu-me antes trabalhos feitos por alunos de 5ª série (!). Uma porção de cadeiras enfileiradas de frente a uma parede branca (!!). Uma mangueira transparente preenchida com líquidos de várias cores enrolada em si mesma num grande emaranhado (!!!). Não sei se era mais divertido tentar entender a proposta (ou a "não-proposta", como muitos gostam de dizer) do artista ou presenciar outras pessoas fingindo compreender aquele material ou procurando desesperadamente algum sentido pr’aquilo.
Algumas instalações de vídeos eram bem eficientes, em uma delas, o ótimo documentário “Nada Levarei Quando Morrer Aqueles que Mim Deve Cobrarei no Inferno” de Miguel Rio Branco, onde retrata a chocante realidade do Pelourinho e suas prostitutas em Salvador/Bahia no fim dos anos 70. O clima decrépito, decadente e sujo, surpreende e incomoda. Outra instalação de Amar Kanwar conta em quatro pontos e ao mesmo tempo a violência sexual contra mulheres em conflitos na Caxemira. Algumas obras causavam curiosidade pela beleza de sua simetria, outras pelo teor de suas pinturas, conteúdo de fotografias ou pelo lúdico, permitindo a interação com o público e parabenizo os artistas de tais obras. Deixo reforçado que se trata de uma opinião pessoal.
Toda manifestação de arte é válida, o problema é o quanto ela é sincera para expressar um sentimento e uma idéia pertinente ou apenas para alimentar o ego de alguns nomes que com tão pobres recursos e duvidosas intenções pretendem nos provocar e autodenominar-se artistas. Mas afinal o que é arte? Isto nos perseguirá até o fim dos tempos, se trata de um questionamento muito particular. Não saberia definir, no entanto, posso frizar que ela deve nascer de coração. Mas esta questão está entregue à subjetividade de cada um e nunca chegaremos a um consenso. Ainda bem...

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