18 de novembro de 2010

Sessão nostalgia



Ah... A nostalgia! O velho sentimento humano ligado à saudade, a ancestral mania das pessoas de olhar para trás e achar que tudo era bom. Quantas vezes não pegamos a nós mesmos pensando no passado, com um sorriso no canto da boca, a recordar de grandes momentos de nossa vida ou de coisas que gostávamos de fazer, ouvir ou assistir? É uma gostosa sensação que a nostalgia provoca, mas também um tanto quanto perigosa, já que este sentimento sempre nos faz comparar com o presente e este, com a realidade tão gritante ao nosso redor e sem a névoa feérica das boas lembranças, acaba sempre perdendo.
Um período que saiu ganhando com esta onda de nostalgia é a década de 80. Tudo que remete a estes anos ganhou ares cult, mesmo sendo unânime a áura kitsch em tudo que envolve o comportamento e estilo vigentes naquela época. Marcados pelo exagero, os anos 80 pecaram pelo excesso. Que bom que pecaram sem arrependimento ou confissão contrita ao padre. A regressão de cores e atitudes foi inevitável nos anos 90 e 2000.
Fico imaginando a galera que nasceu em meados dos anos 90 e cresceu nos anos seguintes, num futuro próximo conversando num bar ou reunião de família: “Nossa, eu na minha adolescência adorava Restart, como era ótimo, bons tempos aqueles...”. Pessoas se lembrarão de quando eram “emos” ou “coloridas” e depois (Meu Deus, me dá medo do que pode surgir depois disso)...
Temos que nos conformar: Não haverá uma nova Tropicália, um novo new wave, um novo boom do rock nacional, novos Beatles, Madonnas ou Chicos Buarques, etc. não existirão artistas iguais aos ídolos que tínhamos no passado. Eles são o que são porque surgiram, fizeram e aconteceram no momento certo, cuja época justificou e influiu cada atitude, transgressão e inovação. Lá eles faziam sentido total, lá eram plenos. Não adianta querer transpor todos esses nomes e muito mais para os dias de hoje, tudo soaria deslocado.
Claro que a comparação é injusta. Nós tínhamos Michael Jackson, hoje os jovens têm Justin Bieber. Nós víamos Indiana Jones, Os Goonies ou Curtindo a Vida Adoidado, hoje a galera lota os cinemas para ver a saga Crepúsculo. Não dá nem para por lado a lado Chaves e Hannah Montana, só para citar um exemplo bem esdrúxulo.
Ok, confesso que fui contaminado pelo vírus da mesma nostalgia que critiquei antes. Mas desde que seja praticada de forma saudável tudo bem. Sem exageros, sem depressão por um tempo que não vai voltar mais, uma rápida lembrança do passado com um decidido olhar para frente. Nada que nos faça morrer de torcicolo ou virar estátua de sal ao fim de uma recordação.

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