24 de dezembro de 2010

O sono nosso de cada dia


     De repente, um bocejo vem à boca, as pálpebras cerram sem a nossa vontade e no corpo um torpor incontrolável. É o sono expressando-se na sua melhor forma e que atinge seu climax junto ao roncar e o perder dos sentidos durante o período em que dormimos. Especialistas recomendam 8 horas de sono diárias para que tenhamos qualidade de vida no trabalho, em família e nos estudos. Mas são estes que acabam subtraindo aquilo de que tanto precisamos, descanso, e as 8 horas diárias previstas tornam-se 7, 6, 5 ou menos dependendo da situação. O despertador nos assusta como um estupro, cerceando nossos sonhos pela metade, interrompendo o trabalho que o nosso organismo está fazendo. Soma-se a isso a irritação do transporte público, do trânsito e a cabeça passa a se preocupar com todas as tarefas que devem ser feitas naquele dia e outras que se acumularam por não terem sido completas no dia anterior. Aí vem a perda da concentração, bate aquele mau humor, o corpo clama por uma cama, a mente só pensa em descanso e os olhos continuam numa incessante batalha para não fecharem de vez. É assim que vivemos nossos dias, como zumbis que não sabem a razão de suas ações, lutando contra a insanidade que uma noite mal dormida ocasiona, tentando permanecer normais perante os outros mesmo que as olheiras e o olho inchado e vermelho denunciem o contrário.
     Parece que estamos condenados a viver com sono, felizes aqueles que ainda conseguem dormir o suficiente cada noite (não por muito tempo...). Tudo isto me parece uma conspiração de uma sociedade que nos cobra excessivamente de tudo o mais e nós, não possuindo muito do discernimento necessário para tomar importantes decisões, aceitamos sem muita contestação, sem termos a noção exata para onde estamos indo ou que direção tomar. Temos que trabalhar para sobreviver na cidade, temos pouco tempo para nos distrairmos com nossa família ou com nós mesmos, temos outro pouco tempo para estudar, uma agenda cheia de possibilidades e pouquíssimo espaço para preenchê-la com todas estas tarefas. Administrar o tempo é quase impossível, separar suas 24 horas diárias em uma série de obrigações e aspirações também. Dormir pouco é uma cultura urbana, um paradigma que vai demorar para ser quebrado, é quase um mandamento inquestionável da  vida adulta para e quem quer sobreviver na selva de pedra de qualquer grande cidade. Talvez seja este mesmo o objetivo, deixar o cidadão a tal ponto que ele não saberá distinguir o que é sonho ou realidade, se a briga que teve foi verdadeira e se o contrato que assinou desconfiado foi parte de algum sonho tresloucado e depois...
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