31 de dezembro de 2010

Os melhores filmes de 2010


     O ano termina, a primeira década deste novo milênio também se vai e as inevitáveis listas tomam conta de editoriais em revistas, na Internet, na televisão, etc. e todos dando o seu veredito sobre aquilo que foi melhor, relevante ou não em 2010. Como adoro este tipo de coisa (retrospectivas, Top 10...) não pude deixar de preparar a minha, com base, claro, nos filmes que estrearam este ano em circuito comercial e que eu tenha assistido também. Ou seja, muitas omissões e injustiças, como são comuns em qualquer lista, ocorrerão, mas é uma forma divertida de passar o ano a limpo e recordar as boas e grandes emoções vividas em 2010 através dos sentimentos e idéias de alguns marcantes trabalhos no cinema. Uma viagem pessoal no tempo através deste ano que se finaliza:

10º MINHAS MÃES E MEU PAI:


     Duas mães lésbicas, filhos concebidos por inseminação artificial querendo descobrir quem é o pai e um pai solteirão que bagunça a rotina desta família. Esta deliciosa comédia retrata a família contemporânea e os novos papéis assumidos por homens e mulheres dentro desta, abordando de maneira leve temas como o homossexualismo e traição e tem nas ótimas atuações de Annette Bening, Julianne Moore e Mark Ruffalo e do restante do elenco seu maior achado...



     Você tinha um brinquedo favorito? O que foi feito dele? Jogou-o fora junto com a infância? Deu-o à outra criança? Ou guardou-o numa caixa esquecida no sótão ou no guarda-roupa? O futuro incerto, no decorrer do filme, de Woody, Buzz Lightyear e os outros brinquedos após a ida de Andy para a faculdade, gera uma grande expectativa no espectador, emociona e por vezes assusta. Toy Story 3 conta uma estória ao mesmo tempo sombria e comovente e, como nos outros trabalhos da Pixar, vai cativar crianças e adultos, principalmente aqueles mais saudosos de seus brinquedos de infância.

8º O PROFETA:


     Um drama de prisão contundente, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro este ano, narra a ascensão de Malik (Tahar Rahim) na escala social criminosa dentro do presídio, um jovem de origem árabe preso por um pequeno crime, é obrigado a assassinar uma testemunha para obter a proteção de um grupo de corsos. Timidamente ganha a confiança do líder e passa a ser designado para outros serviços quando é liberado por bom comportamento a sair por um dia no presídio. Logo estabelece contatos e vê crescendo sua influência e poder no local. A tensão entre árabes e corsos, cenas de violência muito bem realizadas estão entre as qualidades deste trabalho francês.


7º A ORIGEM:


     O filme mais comentado do ano, sem sombras de dúvida, seja por aqueles que o odiaram (a crítica brasileira, por exemplo), seja por aqueles que o adoraram, seja por aqueles que não entenderam muita coisa da trama escrita e dirigida por Christopher Nolan. Leonardo Di Caprio é um especialista em invadir os sonhos das pessoas para roubar segredos a quem os contrata. Quando uma de suas missões dá errado, ele é recrutado para não roubar idéias e sim incutir uma na mente do herdeiro de uma grande empresa, convencendo-o a vendê-la ao concorrente. A trama que reúne sonhos dentro de sonhos, referências à mitologia grega e sequências de ação de tirar o fôlego e um visual magnífico, mistura uma boa e intrincada estória com um visual que chama a atenção tanto daquela pessoa que quer se divertir pagando um ingresso de cinema ou aquele que quer animar as conversas de botequim com teorias mirabolantes sobre os significados da estória.


6º TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO:


     O grande filme brasileiro do ano, um verdadeiro fenômeno de bilheteria que bateu a arrecadação do Avatar de James Cameron e superou o recorde que era de Dona Flor e Seus Dois Maridos há 34 anos como filme brasileiro mais visto. Um filme para levantar discussões acaloradas sobre sua ideologia, sobre a corrupção. A mesma corrupção que é esmiuçada pelo agora Coronel Nascimento em comentários precisos e diálogos que voltam a cair na boca do povo. Wagner Moura eterniza seu personagem na cinematografia brasileira e uma galeria de outros marcantes papéis com um elenco afinadíssimo, uma direção segura e um filme que já entrou para a história não somente pelos seus números, como também por sua temática e alcance sociológico, independente dos olhares de esquerda e direita que possam ser feitos sobre ele.

5º GUERRA AO TERROR:

     Uma mulher ganhou a primeira vez o Oscar de melhor diretor este ano. Não foi à toa que Kathryn Bigelow recebeu o prêmio e ainda viu seu filme desbancar a super produção Avatar na corrida pelos principais prêmios da noite. Merecidamente, vale ressaltar. Ao retratar os últimos dias de terminar a campanha de um grupo de soldados do esquadrão antibombas no Iraque sob a liderança de um sargento de comportamento imprevisível (Jeremy Renner), Bigelow nos mostra a tensão no campo de guerra, a bomba relógio que o Iraque se transformou após a ocupação americana. Antes de levantar bandeiras pró ou contra a Guerra do Iraque, Guerra ao Terror prefere focar os medos, a dor e as expectativas dos soldados, que quando mais aproxima-se o dia para irem embora, mais temem que algo dê errado e por suas próprias vidas.

4º A FITA BRANCA:

     Um estudo da maldade e da opressão, ao retratar a rígida educação de crianças num vilarejo alemão e uma série de crimes que chocam a pequena comunidade. A poderosa fotografia preto e branco de Christian Berger e o olhar clínico de Michael Haneke nos apresenta personagens reprimidos, tirânicos e vulneráveis diante dos estranhos acontecimentos antes da Primeira Guerra Mundial. Paralelos com o nazismo? Muitas outras interpretações podem ser tiradas em cima da galeria exposta por Haneke, além desta referência.

3º ILHA DO MEDO:



     Ao fim deste filme, a primeira pergunta que vem à cabeça é: Martin Scorsese? Mais conhecido por filmes urbanos e violentos, como Os Bons Companheiros e Os Infiltrados, o mestre demonstra sua versatilidade e nos presenteia com seu filme mais estranho e ao mesmo tempo tão genial quanto seus outros clássicos. Uma verdadeira obra-prima, onde a sensação do que é delírio e o que é realidade põe o público em suspense e mexe com a sanidade do personagem de Leonardo Di Caprio (que mais uma vez entrega uma atuação magnífica na sua quarta parceria com Scorsese) e nos surpreende a cada minuto.

2º O SEGREDO DOS SEUS OLHOS:


     O cinema argentino mais uma vez atesta sua excelente fase com este filme que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Tudo resulta perfeito nesta surpreendente trama, do roteiro excepcional à direção magistral, do elenco magnífico à reconstituição de época. Um advogado aposentado decide escrever um livro e relembra um caso não resolvido de estupro e assassinato na época da ditadura militar. A estória surpreende ao revelar os mais diversos aspectos do ser humano, que ao mesmo tempo em que demonstra amizade incondicional pelo próximo também deixa-se tomar pelo desejo de vingança ou pela obsessão por uma idéia intuitiva. Um filme de dar inveja dos nossos hermanos e onde apenas nos resta aplaudir orgulhosos do fato de que ainda são produzidos filmes com tamanha qualidade e clássicos instantâneos como este no cinema mundial.

1º A REDE SOCIAL:


      Não tenho Facebook, meu Orkut vive desatualizado e o Twitter perdeu a empolgação inicial e o uso apenas para divulgar este blog. Meu principal receio era do tema não despertar interesse suficiente em alguém que não está tão acostumado com esta infinidade de sites e perfis a serem divulgados e compartilhados com amigos e conhecidos na Web. Mas o nome de David Fincher na direção foi o principal motivo para que me dirigisse ao cinema e prestigiar esta obra. Autor de filmes como Seven, Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button, Fincher imprime seu ritmo ágil ao contar os bastidores da criação do Facebook e seus principais envolvidos. De início, a velocidade com que as informações são mostradas ao público confunde e nos fazem sentir perdidos mas aos poucos nos familiarizamos com a narrativa e nos simpatizamos com a trajetória de Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), estudante de Harvard, desde o fim de seu namoro até os processos milionários que sofreu quando o site se popularizou. Aliás, são estes processos que dão o direcionamento de toda a estória e lançam novos olhares e opiniões sobre a personalidade de Mark e sua conduta. Mark é um antiherói, um sujeito que por trás de sua timidez nerd, seu jeito antissocial de lidar com as pessoas, seu raciocínio rápido e sua concentração em seu computador, pode existir uma pessoa que roubou ou “melhorou” a idéia de uma dupla de irmãos e trapaceou o melhor amigo conforme os depoimentos vão ocorrendo no decorrer do filme. A expressão impassível de Mark Zuckerberg diante da surpreendente expansão de seu site lança dúvidas sobre sua conduta e contrasta com a presença solar do personagem de Justin Timberlake, que interpreta Sean Parker, o criador do Napster, e que se associa a Mark, fazendo com que o Facebook ganhasse novos rumos  e  investimentos e um longo alcance em outros países, um sujeito boa pinta, bem relacionado e popular.
     Fincher nos mostra o ambiente jovem das universidades americanas, um retrato da juventude atual que precisa se afirmar também através de sites de relacionamento, como uma forma de fuga da realidade e de distanciamento das relações de carne e osso, que é muito mais insegura e instável que as travadas em frente ao computador. No fundo o protagonista de A Rede Social nada mais é que um rapaz que, frustrado por não ter entrado em uma das fraternidades da faculdade, frustrado por ter seu namoro terminado, criou um site de grande sucesso apenas para provar que não precisa disso para sua vida. Ledo engano, pois sua atitude o faz distanciar cada vez mais das pessoas e nada supre a falta de ser aceito pelos mesmos círculos do qual foi excluído e voltar à sua namorada. A Rede Social é o retrato de uma geração que perdeu um pouco da habilidade de conviver com o próximo e precisa cada vez mais da Internet e usufruir de suas ferramentas e armadilhas, tornando-se cada vez mais isolados da sociedade da vida real. E o criador do Facebook é um exemplo claro disto.

Bem, pessoal, então é isto, no próximo ano haverão mais posts. Que venha 2011 então! Um abraço a todos!!!

2 comentários:

  1. São muitos filmes pra dizer que assisti a todos, mas com certeza gostei das indicações!!!

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  2. A origem é muito interessante e os efeitos então?!!
    Mas o final é f%$#@!

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