24 de dezembro de 2011

Meu post de Natal


     A minha intenção inicial era escrever um post sobre o Natal, porém era impossível não fugir dos clichês de sempre envolvendo esta época do ano. Queria criticar o consumismo, mas acho que este assunto era mais lugar comum do que o pregar (não sincero) dos verdadeiros valores desta comemoração. E nada do que escrevia fugia à imagem e ao som pavoroso da cantora Simone cantando "Então é Natal e o que você fez...". Logo minhas frustrações fizeram-se evidentes em cada sílaba, em cada frase feita. 
     Tudo bem, desisto então de escrever qualquer coisa sobre o Natal, mesmo porque não é um período de que sou muito fã, apesar de gostar das luzes que enfeitam algumas fachadas e ruas da cidade. Momento em que as pessoas estão tão dispostas ao próximo, solidárias a quem precisa, atentas aos seus amigos e familiares, tolerantes com aqueles de quem não gostam, porém toda esta atenção não se estende no ano seguinte, voltam todas ao seu habitual mau humor.
      Mesmo assim não vou me impedir de desejar aos seguidores e leitores deste humilde blog um Feliz Natal.
    Agora deixem-me chorar copiosamente a morte do ditador norte-coreano Kim Jong-il, assim como "toda" a população deste país, pois este fato abalou profundamente o meu espírito natalino...


14 de dezembro de 2011

Relendo Mrs. Dalloway


Meu interesse por Virginia Woolf surgiu a partir do filme As Horas de Stephen Daldry e com Nicole Kidman no papel da famosa escritora inglesa, além das interpretações viscerais de Meryl Streep e Julianne Moore. As Ondas foi a primeira obra com que tive contato, mas sabia que inevitavelmente teria um encontro com esta obra única que é Mrs. Dalloway. Virginia está ao lado de James Joyce e Marcel Proust entre os exemplares autores que trabalharam com incrível habilidade o fluxo de consciência tão em voga nas primeiras décadas do século XX. Ela, a exemplo do Ulysses de Joyce, também localizou o seu romance em um único dia, desta vez não temos Dublin e, sim, Londres onde a personagem-título vive às voltas com a organização de uma festa e as lembranças do passado que insiste em retornar como fantasmas insistentes. É nesta Londres do período da Primeira Guerra Mundial que também cruzam nas suas ruas outras personagens atormentadas, esperançosas, perdidas, apaixonadas, muitas vezes frívolas, muitas vezes inseguras.
O tom existencialista, o mergulhar nos pensamentos instáveis das personagens nos contagia, das reflexões aparentemente fúteis (“Mrs. Dalloway disse que ela própria iria comprar as flores”) à outras que revelam o ser humano desnudado em sua plenitude, frágil e perdido em meio ao mundo que o engole e o conduz sem que o perceba.
A ótima tradução do poeta Mário Quintana ajuda a transpor este universo tão particular de Virginia Woolf que usou a literatura como uma forma de imersão em suas próprias preocupações e paixões. Já defendi a releitura de livros aqui neste blog e o reencontro com a prosa mais que poética de Virginia é um desbravar de mares turbulentos como nós mesmos somos, não é preciso estar em Londres para ter o mesmo sentimento de deslocamento, este acompanha qualquer um, independente da cidade que esteja, grande ou pequena.
            A guerra interior vai ser sempre o preço pago pela humanidade, a sua condição por simplesmente existir, um complexo ir e vir de desejos que ainda não foram supridos, um caminhar por entre ruas onde ninguém escuta seus gritos, onde todo mundo grita em vão.

11 de dezembro de 2011

Planos


A vida corrida e cheia de afazeres é uma muleta para o homem urbano. Logo ele se aproveita de tudo isso e a usa como desculpa por não ter feito muita coisa naquele ano. Com o fim de 2011 vem também o inevitável balanço das coisas realizadas e daquelas metas não alcançadas. Quando o tempo finalmente se disponibiliza, pelo menos uma boa parte dele, nos defrontamos com o grande problema de não darmos prosseguimento aquilo que queremos ou bem intencionamos, exatamente quando tivéssemos mais tempo.
Estou de férias da faculdade, enfim, isto é fato. Notas e médias alcançadas me deixarão livre pelos próximos meses para finalmente ler mais, ver os filmes que desejo, assistir às séries de que gosto, de passar mais tempo com a família, namorar e descansar. Nonada, todo mundo sabe que planos são planos e que entre o traçar e o cumprimento deles existe um longo caminho a ser percorrido.
Ainda leio apenas no caminho entre trabalho e casa, simplesmente não consigo fazê-lo no seio do lar. A Internet está uma porcaria de lenta e baixar um episódio d’alguma série famosa é esperar por quase um dia praticamente. O cansaço resultante do trabalho não permite minha concentração em mais de uma hora de filme. Como superar a realidade? Como perseverar e atingir os objetivos? Será que a Palmirinha tem uma receita para essas coisas, receita da qual não engorde também, já que a barriga já está ficando evidente e exigindo um número maior para as calças que eu uso?
           Uma boa ideia é parar de ter tantos planos ou boas intenções, olha o inferno cheio delas lá embaixo e, o pior, o inferno não está muito longe de nós e o purgatório vivemos todos os dias em cada serviço mal prestado, em cada burocracia que trava o fluxo de nossas vidas tão fadadas ao não. Pelo menos esta estratégia tem funcionado nos últimos anos, por mais que tenha sonhos e planos, não os coloco em uma lista de prioridades, ordenando-os de 1 a 10, assim, não preciso ficar às voltas com cobranças pessoais e passo o ano apenas lidando com os fatos presentes e suas consequências futuras.

4 de dezembro de 2011

Cantoras mortas


A partir de hoje vou gostar apenas de cantoras mortas. Para que sentir a falta de Amy Winehouse e outras talentosas vozes que sumiram no auge de seu talento e popularidade? Vou evitar me empolgar com alguma novidade musical, cobrir meus ouvidos com cera, igual a Ulisses, para não me deixar inebriar pelo canto de algumas verdadeiras sereias, apesar de vê-las tão evidentes na mídia, mídia esta que suga e explora suas imagens, acompanham indiferentes a sua queda, que muitas vezes deturpam e corrompem suas mentes tão suscetíveis aos impulsos do estrelismo (claro, que não vamos torná-la a única culpada por tudo isto).
Não tenho predileções fúnebres e necrófilas de vasculhar túmulos e revolver cadáveres, mas caçar e ouvir divas mortas é um dos meus passatempos favoritos. Se são tão poucas as cantoras contemporâneas capazes de causar uma verdadeira revolução em nossos ouvidos, tão ligadas ao passado estão, tão saudosas deste se encontram, tão incapazes, às vezes, de reinventá-lo, torná-lo coisa própria, numa mistura insana, que nos deixam doidinhos também ao primeiro acorde, à primeira manifestação de seus vocais.
Deste verdadeiro sarcófago (não liguem este termo a algo pejorativo), soam as vozes de Carmen, Billie, Elis, Ella e tantos outros grandes talentos que fizeram história e marcaram a história pessoal de muita gente. Elas estão mortas, o máximo que acontecerá é celebrar, com uma retrospectiva em rádio ou na TV de suas grandes interpretações, de seus maiores sucessos, o aniversário de seu nascimento ou morte, não estamos a acompanhar o seu declínio ou a sua subida às paradas de sucesso, seus erros e seus acertos, nem a sua premonitória despedida latente em seus atos excêntricos.
Escrevo este post-lamento escutando o disco póstumo de Amy (Lioness: Hidden Treasures), feito das sobras de estúdios dos discos Frank e Back to Black e as gravações que ela espalhou por aí antes de sua morte, repertório que resume a sua versatilidade e materializa ainda mais a sua falta. Como Amy Winehouse infelizmente está morta, isto justificará a primeira frase deste post, mesmo que a sua voz não esteja (e a de tantas outras cantoras que fazem coro em algum lugar longe daqui).

12 de novembro de 2011

Madame Bovary - Gustave Flaubert

Um clássico do realismo francês, Madame Bovary não é apenas um romance sobre o adultério feminino. Escrito com precisão milimétrica por Gustave Flaubert, o livro também é uma reflexão da condição da mulher em meados do século XIX. Emma é uma anti-heroína, influenciada pelos folhetins românticos com mocinhas suspirantes e casadoiras, frágeis e que aspiram um príncipe encantado ou um herói em seus devaneios, pela leitura destes romances água com açúcar tão comuns naquela época (e até na nossa também).
Pelo contrário, Emma não esperou pelo seu herói, quando se viu presa a um casamento com um nada expressivo e medíocre médico, Charles Bovary, ela passou a fantasiar uma vida ideal, em meio à sua vida tediosa de dona de casa. O casamento era sua prisão, o seu algoz, algo que não lhe daria satisfação e, se algum prazer viesse a sentir em pequeninos e imperceptíveis instantes, logo o tédio retomava-lhe os pensamentos e retornava elevado a décima potência. Na primeira oportunidade, como que a agarrar desesperadamente uma chance de ser feliz plenamente, entregou-se ao amor e à luxúria com seu primeiro amante, Rodolphe e depois com o jovem León, esperando destes as mesmas atitudes dos protagonistas dos romances de Walter Scott e outros autores.
            Egoísta, voluntariosa, hipócrita, caprichosa, contraditória, Emma tem inúmeros defeitos a serem descritos, porém são estas características que a tornam cada vez mais humana, por mais que reprovemos sua indiferença com a filha, seu desprezo pelo marido (que por sentir-se tão apaixonado pela esposa, cega-se aos atos dela e não consegue imaginar que a razão de sua insatisfação é ele próprio, e não é capaz de suprir as necessidades dela, por mais que a maioria delas sejam caprichos de quem aspira uma vida de luxos).
             Emma molda o seu destino numa sucessão de erros ao contrair dívidas que se multiplicam e tornam-se impossíveis de pagar e toma a trágica decisão de se suicidar quando os móveis de sua casa entram em leilão e o marido descobre a bola de neve na qual a esposa se meteu ao contrair diversos empréstimos e prorrogar o pagamento destes gerando novos títulos a juros cada vez mais altos e abusivos.
            Muitos reclamam do excesso de detalhes que Flaubert narra ao descrever o espaço, as roupas, as carruagens, tudo ao redor de Emma, mas estes pormenores fazem-se necessários para mostrar ao leitor o universo do qual a protagonista encontra-se enredada. Ela que aspirava grandiosidade, idealizava a sua vida como se estivesse num romance clichê (perdida em febris encenações de sua mente repleta de lugares comuns), é obrigada, pelo compromisso do casamento, a viver numa província em que nada acontece e, pela recusa de toda esta realidade, Emma se afugenta em suas leituras, em seus affaires, no arsênico que lhe tira a vida para não se deparar com seus erros e não assumí-los perante todos, por orgulho e por egoísmo.
            Não faço aqui um elogio e nem uma crítica desta heroína às avessas, Emma é uma das grandes personagens de toda a literatura pelo seu pior e seu melhor, seduzindo-nos e indignando-nos e penalizando-nos a cada página até o derradeiro suspiro que a imortalizou em nosso imaginário.

30 de outubro de 2011

Falta do que dizer


É recorrente em nossas vidas a falta de assunto. De repente aquela conversa calorosa sobre determinada coisa ganha um silêncio de morte gerando constrangimento. Você caça as mais diferentes questões para abordar com o seu interlocutor e nenhuma parece apropriada. A conversação não precisa acontecer com algum estranho. Até mesmo a amizade com seu melhor amigo ou colega de trabalho está ameaçada por este mal.
O tempo é o primeiro tema no qual recorremos para salvar o bate-papo de um retumbante fracasso. Pode-se falar de uma causo da família que, no entanto, gera um interesse unilateral, de quem apenas conta a história. O outro vai acenar um acordo com a cabeça ou murmurar alguns “ahãs” sem convicções para demonstrar que aquele assunto não o está deixando sonolento. Até mesmo uma doença que o acomete de vez em quando acaba sendo levada à pauta de uma conversa, situação que envereda pelos detalhes mais grotescos, com a precisão de um especialista em qualquer patologia.
Um outro sinal é a forma como o interlocutor responde as perguntas, se são monossílabos mude imediatamente para qualquer outro assunto ou restrinja-se ao seu próprio silêncio. Por vezes, se não há mesmo o que conversar o mais indicado é ficar quietinho. Afinal quem precisa ficar horas integrais conversando com outro, quem disse que precisa ser assim? A falta do que falar denota muitas vezes, a vontade da outra pessoa em não conversar com quem quer e sobre o que quer que seja, talvez ela apenas não esteja afim, por inúmeros fatores, não é você o problema. Quem nunca implorou para não encontrar alguém conhecido durante o seu trajeto, pois preferia ficar quieto? Ficar somente com você e o seu mau humor de despertador berrando de manhã cedo, como eu quase todos os dias.
Tudo bem, vocês podem me acusar de também não ter nada a dizer até então, afinal somente a falta de assunto pode gerar um post de mesma temática. Confesso que estão certos, então retomarei o silêncio, que aqui neste blog fica representado pela falta de posts nos próximos dias, até que uma próxima notícia ou tema venha me inspirar a escrever qualquer outra coisa.

16 de outubro de 2011

Pendências


Não fui ao Rock in Rio (sinceramente com as atrações que estavam lá, foi melhor assim). Não assisti à uma apresentação de ópera. Não viajei para o exterior. Sequer conheci o meu país.
Todo mundo tem suas pendências, aquelas vontades, objetivos ou coisas a fazer que sempre são postergadas para o próximo dia. Dia que tornou-se semana, período que estendeu-se em meses ou até em anos e caem no limbo do alheamento e do olvido.
Pendências podem até ser confundidas com promessas e, muitas vezes as são. As famosas resoluções de fim de ano, aquela oração em que você, pela enésima vez importuna Deus, santos, entidades para pedir algo e, em troca, informa que fará isto ou aquilo, e não faz. Pendências são como aquela poeira jogada para debaixo do tapete, quando esta é quase uma montanha e não há mais possibilidade de escondê-la. É hora de encarar a sujeira e limpá-la ou dar-lhe outro fim.
Um texto a ser escrito (tenho um monte, ai, meu Deus), um livro para ler (inúmeros também), um filme que comprou por impulso e esqueceu na estante, a vontade de falar seus sentimentos à pessoa que gosta, o desejo de gritar seus segredos aos sete ventos e tirar um peso das costas e você, por medo ou receio, calou-se e ainda sofre as consequências deste silêncio.
Preguiça, receio, comodismo, são tantas as razões, que percebemos que somente vai depender de você e ninguém mais resolvê-las. Porém fatores externos complicam a nossa vida, o emprego, uma doença em família, dificuldades financeiras e outras tantas pedras no meio do caminho que nos atem mais ainda à nossa atual realidade e adiam a sua transformação, de colori-la com outras tintas para mudar o monocromático de tons mais sombrios que o hoje possui.
Da resolução de uma pendência depende grande parte de nossa felicidade ou a construção da mesma em pequenos, mas significativos passos. Antes que o saldo devedor seja impossível de se pagar, é bom dar um jeito de quitá-las ou fazer uma renegociação, mesmo que a custo de parcelas a perder de vista e juros altíssimos. Uma hora ela termina ou vira bola de neve...

12 de outubro de 2011

O caso Rafinha Bastos


O humorista Rafinha Bastos é o nome mais comentado nas últimas duas semanas. Sua postura e suas piadas tem gerado controversas opiniões: existem aqueles que acham um absurdo as coisas que ele diz, também há outros que fazem defesa do estilo do cara, acusando os exageros do politicamente correto, que domina o pensamento da sociedade atualmente. Acredito que exista um meio-termo nesta história toda, afinal Rafinha Bastos exagerou no tom de suas piadas e também estamos chegando ao ponto de que qualquer tema para gerar risos trará como consequência pessoas ofendidas. Não me surpreendo afirmar que um clima de censura paire sobre as nossas cabeças. Não estou fazendo a defesa do humorista, penso apenas que ele deve refletir muitas vezes antes de soltar frases estúpidas e grosseiras como: “mulher feia devia agradecer quando fosse estrupada”, xingar a apresentadora da Rede TV de cadela ou de afirmar que “comeria a mulher grávida (a cantora Wanessa Camargo) e o filho em sua barriga”.
Fruto de um improviso, fruto de um pensamento retrógrado e desrespeitoso também. Nesse caso, temos que sempre pensar na velha e boa questão da empatia. Pense que a mulher feia é sua irmã, mãe ou namorada, ou melhor, imagine-se como a mulher feia e sendo vítima de uma relação sexual não consentida, sendo objeto de tal violência, a experiência não deve ser menos do que péssima. Agora imagine que a “cadela” possa ser você, vamos trocar esta ofensa por “corno” ou algo parecido que ofenda a honra masculina (hummmm, ninguém gostaria de ouvir isso também, né?). Agora sua esposa grávida de cinco meses... (é acho que já fui claro, neste caso).
Tais citações apenas reforçam o preconceito do humorista com a própria mulher, suas piadas não são apenas humor, são os valores do próprio artista que as pronuncia em rede nacional para quem quer ouvir. Se uma pessoa dessas, com tal ideologia, ganha voz no horário nobre...
Ok, concordo também que isto não deve virar uma paranoia geral (afinal o próprio Rafinha vem posando de “mártir do humor” com a repercussão e a consequência de seus ditos), vamos policiar todos humoristas e qualquer pessoa para nos indignar toda vez que fizerem uma piada ofensiva, afinal o humor está repleto delas (bichas, loiras, pobres que o digam). No entanto não são apenas eles que fazem declarações absurdas (lembrem que temos um certo deputado do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, que clama aos sete ventos, opiniões repletas de intolerância e ninguém faz nada, até hoje não recebeu nenhum tipo de punição, isso porque é um representante eleito pelo povo e não apenas um humorista).
            A comédia surgiu para retratar o que o homem tem de pior, ao contrário da tragédia grega que visava sempre ações nobres em conflito. É função da comédia representar o ser humano com todos os seus defeitos, extrair o ridículo, o grotesco e o contraditório de suas ações, só que com inteligência, na pretensão de gerar uma reflexão em quem o assiste e não para reforçar o que já está em voga. Comédia é para rir de nós mesmos, humanos, tão patéticos em sua falsa crença de autossuficiência.

Oh, crianças, isto é só o fim...


Somente frases de livros de autoajuda me vêm à cabeça quando penso na palavra criança (“não deixe morrer a sua criança interior”, “todo mundo no fundo ainda é uma criança”). Tudo bem que o dia das crianças é mais uma daquelas datas comemorativas criadas pelo comércio para que nós, consumidores tolos, nos obriguemos a presentear os pequenos com os quais temos algum vínculo (filhos, sobrinhos, afilhados, vizinhos etc.). Ao invés de recorrer ao clichê (não que eu não o tenha usado em muitos dos posts deste blog), prefiro falar sobre as manias infantis que ainda perduram na vida adulta que apenas corroboram o sentido óbvio das frases de autoajuda e demonstram o quanto ainda somos imaturos e deliciosamente infantis...:
  • Cutucar o dedo no nariz (já vi muito marmanjo fazer isso, mesmo que este achasse que ninguém notaria);
  • Molhar o pão no café com leite (esse é um hábito eterno para mim, nunca vou largar esta mania);
  • Dividir a bolacha recheada no meio, comer a metade sem recheio primeiro, depois o restante, isto quando não lambemos o recheio antes de devorar a segunda parte (afinal existe todo um ritual para comer uma bolacha recheada);
  • Brigar por coisas estúpidas (um CD fora do lugar, um pertence emprestado sem sua autorização pelo irmão ou quebrado pelo mesmo);
  • Olhar um objeto de desejo (eletrodoméstico, celular, computador, um carro, etc.) como se fosse a nova Barbie e o novo boneco do Gijoe, com a mesma insistência e ilusão (com a diferença de que nós mesmos pagamos pelo presente);
  • Perder o interesse por este objeto de desejo quando outro novo surgir nos anúncios da televisão e nas vitrines, tal qual aquele carrinho que se transforma, ou solta faísca, ou a boneca que canta uma música irritante (tenho mania de apertar todas as bonecas nas lojas de brinquedo criando um tétrico e engraçado coro momentâneo de “I love you”, “Quer ser minha amiga?”, “Vamos passear”...);
  • Aquela teimosia que só não nos fazem jogar no chão e chorar de manha, pois já estamos grandinhos demais para isso, nos basta o rosto contrariado;
  • O velho pavor da injeção que ainda paralisa homens feitos e fortes e mulheres aparentemente maduras (já presenciei cenas patéticas no hospital, claro que não fui eu o protagonista, em que um brutamontes implorava ao médico para dar um outro tipo de remédio no lugar da injeção);
  • A velha birra que faz com que a gente não vá com a cara daquela pessoa e a mania de jogar a culpa no outro (“Foi ele quem começou...”), pra livrar o seu da reta;
  • A velha dependência masculina das asas da mãe e a manjada chantagem emocional das filhas mimadas pelo pai, mesmo depois de ambos estarem casados.
Enfim, são inúmeras as situações, certos hábitos nos acompanharão até a morte. Já que a vida adulta assim é tão chata, nada melhor do que recordar-se daqueles bons momentos em família em que as responsabilidades se resumiam a tomar banho, fazer a tarefa da escola e voltar para casa antes do anoitecer.

2 de outubro de 2011

Tímidos do mundo todo, uni-vos!


Uma das coisas que mais me irritam é quando alguém vira para mim impressionado quando digo ou deixo escapar um palavrão ou uma frase absurda ou admiro uma pessoa bonita ou fico nervoso com alguma coisa, logo vem uma frase do tipo: “Nossa, você tão quieto, falando assim!...”. O fato de não falarmos com frequência as coisas que vem à nossa cabeça, de não expormos nossa raiva sempre, de não fazer alguns gracejos de vez em quando não significa que não pensemos nisso. Afinal somos seres humanos também por mais que não pareçamos aos comuns que falam pelos cotovelos e agem como bem lhe dão na veneta. Somos tímidos, não robôs.
A surpresa diante de nossa atitude pode ser sinal de alguém pego desprevenido que se assusta com uma atitude inesperada como também de alguém que não prevê no tímido características normais a todo mundo. Assim como não deixo de entrever certa hipocrisia neste tipo de reação.
Timidez é um problema para um bom número de pessoas e é um traço de nossa personalidade que vai nos perseguir durante toda a vida, isto é um fato. Ela pode ser domada em alguns instantes, quando juntamos um pouco de coragem para finalmente agirmos no lugar das eternas conjeturas, mesma timidez que nos impedirá de fazer uma porção de outras coisas.
Portanto, tímidos, expressem-se contra toda vez que um colega vir com os seus “Nossa, fulano!...”, revoltem-se, façam-no ver que você tem sangue nas veias e que você não é proibido de expressar o que pensa.

25 de setembro de 2011

Boardwalk Empire – 1ª temporada


Enfim, consegui assistir à 1ª temporada desta fantástica série da HBO. Boardwalk Empire, para quem não conhece, é ambietada na época da Lei Seca nos Estados Unidos e retrata a trajetória de Nucky Thompson, tesoureiro da cidade de Atlantic City, que enriquece com a contravenção, controlando a cidade com o seu poder e influência. Uma série onde cada episódio assemelha-se a um filme de gângster (claro, sendo esta a sua principal referência), tamanho preciosismo em cada frame.


Criada por Terence Winter, inspirado no livro de não-ficção “Boardwalk Empire: The Birth, High Times and Corruption of Atlantic City” de Nelson Johnson, a série tem produção executiva de Mark Wahlberg e do mestre Martin Scorsese, que dirigiu o primeiro episódio, e é protagonizada por Steve Buscemi, escolha que gerou críticas, muitos o acharam inadequado para o personagem, no entanto as suas primeiras cenas demonstraram que os detratores estavam enganados. Buscemi é a alma do filme, um anti-herói que foge da caricatura de um tradicional gângster, elegante e sociável, porém não menos perigoso, daqueles que não sujam as mãos para livrar-se de seus inimigos ou daqueles que surgem como pedras em seu caminho, manda outros fazerem o serviço sujo. Porém Buscemi não é o único que rouba a cena com sua atuação, temos um grande elenco que conta com Michael Pitt (Jimmy Darmody), como um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, protegido de Nucky, Michael Shannon (Nelson Van Alden), um agente encarregado de combater o tráfico de bebidas e acaba encontrando uma conexão de Nucky com alguns dos crimes ocorridos na cidade, Kelly MacDonald (Margaret Schroeder), imigrante irlandesa que futuramente terá um envolvimento amoroso com o protagonista, Michael Stuhlbarg (Arnold Rothstein), apostador e manipulador de jogos e grande rival de Nucky e Stephen Graham (Al Capone), que interpreta o famoso gângster em seus primeiros passos, ainda como capanga de outro poderoso bandido.
Todos os personagens fogem de seus estereótipos, possuem surpreendentes nuances, um pouco do bem, pelos relacionamentos que mantem, um tanto do mal e da corrupção que contamina a cidade e não poupa ninguém, onde o próprio bem que acham que fazem ou de que são possuidores, traz em si algo de destruição em sua essência. Como o tira obstinado e incorruptível Nelson Van Alden, cujo fanatismo religioso enche-o de culpa, o faz cometer atos extremos como a autoflagelação e até mesmo o assassinato de seu parceiro devido à sua gana de encontrar pistas que o levem até Nucky Thompson, no entanto sua marcha é solitária neste intuito.


Boardwalk Empire traça um belo painel deste período conturbado. A violência, o charme e o luxo dos anos 20 do século passado são um dos atrativos desta série, cuja segunda temporada inicia-se em outubro, onde o glamour escondia a sujeira dos líderes políticos e de todas as instituições, que amparavam-se na hipocrisia de seus discursos como um verniz para o crime cada vez mais crescente, do qual elas próprias eram causadoras e pseudo-combatentes.

Come-dorme-trepa

Numa conversa com uma amiga da faculdade no trem, ela falou dos maiores prazeres na vida de um ser humano: comer, dormir e fazer sexo, que no título deste post transcrevi como trepar mesmo (às vezes o jargão popular é mais direto e eficiente que o culto).
Realmente, como ansiamos por uma cama para descansar ao fim do dia, como sempre estamos famintos em determinados horários e ansiamos pela companhia de alguém no fim de semana ou quando a carência bate à porta. Afinal o ser humano ainda é um animal e, intrinsecamente, possui seus instintos primitivos, não pode abrir mão de nenhum deles, afinal deles resulta sua sobrevivência, ameniza sua vida tão desgastada.
O exagero destas características também nos atrapalha, somos chamados de vagabundos quando dormimos exageradamente, geralmente quando o sono vai até depois das 11 da manhã. Corremos o risco de engordar ou contrair uma doença grave com uma alimentação exagerada e não saudável. Viramos ninfomaníacos com a procura por sexo várias vezes ao dia. Tudo que é demais faz mal, sabemos bem disso.
No entanto, dosando uma boa alimentação, boas horas de sono e deixar com que o tesão não nos torne escravos e o sexo seja seguro (camisinha sempre), que mal tem, não é? Afinal nada melhor que se entregar a estes prazeres, gozar com os cinco sentidos estes deliciosos momentos de descontração, de autodescoberta, de concessão a nossos sentimentos cuja vida social sempre nos engessa e nos cobre de tabus inimagináveis para deixar-nos culpados tão logo concluímos o pecaminoso ato, faz com que nos policiemos e sintamo-nos criminosos.

18 de setembro de 2011

Au au au...



Na próxima encarnação quero nascer cachorro de madame ou, no mínimo, de alguém da classe média. O que mais me surpreende hoje em dia é o extremo cuidado que as pessoas tem com seus pets. Nunca as clínicas veterinárias lucraram tanto no tratamento com os cachorros quanto hoje em dia, mais parecem salões de beleza. Os cães tem tantas regalias, são tratados como filhos, vestem roupinhas e se tornam mais patéticos que suas donas e donos que os levam em caminhadas para contribuir com a sujeira de fezes nas calçadas e ruas.
Os cachorros não tem culpa, é claro. São vítimas de uma estranha esquizofrenia de seus donos que confundem valores, carência, atribuindo aos seus animais de estimação, características dos quais não possuem. Enquanto os cães dormem em casas mais luxuosas que a nossa, ganham festas, escovas e banhos especiais para deixar seus pêlos sedosos e brilhosos, alimentação saudável e equilibrada e um monte de outras coisas, mendigos vivem ao relento. Às vezes sentimos mais pena de um cãozinho trêmulo do que uma criança pedinte nas ruas perigosas da cidade.
Entendemos que os cachorros nos desperta a simpatia e nos enternece ao primeiro olhar, que eles são fiéis e estão ao nosso lado, sempre, aconteça o que acontecer. Talvez o vislumbre de uma ligeira humanização nestes seres, esclareça tamanha adoração e exagero no trato. Eles tem sentimentos, mas ainda são animais, com os instintos que lhe são próprios. Não podemos confundir as coisas, cães vivem em conforto enquanto pessoas morrem de fome todo dia, o que é um absurdo e uma injustiça. Também um desrespeito aos próprios animais que devem viver plenamente os seus instintos e não serem condicionados a agirem como humanos, o que entendo como uma espécie de tortura para esses bichos.
Aposto que se tivessem como falar o que pensam, os cães gritariam: “odeio roupas, odeio secadores, só quero viver tranquilamente me chafurdando na lama, correndo nos quintais, comendo minha comida de vez em quando ou procurando por um bom osso e me surpreender e me excitar com uma cadela linda. Sou apenas um cão, não um humano. Depois eu que ajo como um animal irracional...”.
Se continuarmos assim, acredito que os cães se revoltarão e uma insurreição possa começar. Quem sabe os eles evoluam tanto quanto os macacos do clássico Planeta dos Macacos e vão dominar o mundo, tornar os humanos escravos? Afinal, se são tratados como iguais a nós, podem pensar da mesma forma que estes, às vezes até mais que muitos.

7 de setembro de 2011

Independência ou morte!


Quem nunca sonhou com a tão sonhada independência? Este desejo nos persegue desde a infância, quando, cansados dos “não podes” ditos a todo momento pelos nossos pais, torcemos para que o tempo passe rapidamente, para que possamos crescer e atingir a maioridade e, assim, vivermos as nossas próprias vidas.
            Ledo engano... Arranjamos um primeiro emprego, fazemos as nossas dívidas, o emprego não nos anima e nos satisfaz, no entanto somos obrigados a continuar por lá para sobreviver e subexistir ou arranjar outro quando a demissão (na maioria das vezes inoportuna) nos assombra.
A independência financeira é outro momento almejado por todos os trabalhadores e enriquecemos os donos das casas lotéricas com esperançosas apostas em Mega Senas, Lotomanias, etc., mesmo com o comum pressentimento de que o ganhador não será a gente, invejamos o vencedor, nos imaginamos em seu lugar, mas precisamos acordar cedo no dia seguinte. Às vezes o imaginar ser rico, milionário pode ser mais deleitoso que o administrar de tanta grana, temos uma parca crença naquele ditado de que o dinheiro não traz felicidade, por mais que ele possa comprar algumas coisinhas de vez em quando.
Sempre buscamos nos libertar de algo, gritar às margens do rio Ipiranga (pode ser Tietê ou aquele córrego poluído perto de sua residência para servir como um improvisado espaço para um marco de sua história) o nosso “Chega!”, o nosso “Acabou!”. Esperamos sempre por uma total independência, uma abolição da escravatura ou uma alforria, que seja, para vivermos felizes plenamente.
            No fundo, cada vez que ansiamos por uma libertação, mais escravos ficamos deste sentimento e mais longe estamos dela, pois automaticamente somos presos à uma outra realidade...

30 de agosto de 2011

Glee - 2ª temporada


Glee é o meu calcanhar de Aquiles. Por mais que tenha defeitos, continuarei gostando desta deliciosa série musical. O ambiente escolar, as canções pop, os conflitos adolescentes, o arrivismo, a busca por sucesso e popularidade e o medo quase crônico de ser um loser ou perdedor. O primeiro ano ressaltou bem estes temas e os mesmos seguem fortes na segunda temporada, que também ganha o adicional de um assunto polêmico e tão frequente nas escolas: o bulliyng. Além disso, temos aqueles velhos clichês sobre aceitar você mesmo como se é, que a música Born This Way, da Lady Gaga ilustrou tão obviamente e acabou sendo tema de um dos episódios. Claro que Glee consegue fazer mágica até com as canções esquecidas da música pop e aqueles sucessos que não são nenhuma unanimidade crítica. Mas a mistura do clássico com o contemporâneo musical rendeu bons frutos e divertidos episódios.


O roteiro continua sendo seu principal problema (por mais que os personagens estejam mais desenvolvidos, afinal não é preciso introduzi-los ao grande público, somente progredir com cada uma de suas trajetórias na trama), alguns conflitos foram mal elaborados e resolvidos (dando-se a impressão de pressa mesmo em finalizá-los para poder se encaixarem dentro do tema/música de algum outro episódio). As cirandas amorosas entre as personagens confundiram um pouco e aconteceram e terminaram rápidas demais: Finn (Cory Monteith) larga Rachel (Lea Michele), volta para Quinn (Dianna Agron) e depois termina com esta para reconciliar-se com Rachel. Quinn começa o namorar o novo integrante do coral, Sam (Chord Overstreet), o trai com Finn almejando tornar-se Rainha do Baile. Sam fica com Santana (Naya Rivera), e esta para disfarçar seus sentimentos por Brittany (Heather Morris), mantém um namoro de fachada com David Karofsky (Max Adler). Tina (Jenna Ushkowitz) larga Artie (Kevin McHale) para ficar com Mike (Harry Shum Jr.). Enquanto Artie começa a namorar Brittany, que também nutre sentimentos por Santana. Os únicos estáveis são Puck (Mark Salling), que se apaixona perdidamente por Lauren Zizes (Ashley Fink), uma gordinha cheia de atitude, e Mercedes (Amber Riley), que passa a temporada toda sozinha, mas no final fica com Sam. Além disso, temos o romance entre Will Schuester e Emma (Jayma Mays), que não se resolveu completamente, o professor de espanhol que separou-se da esposa na temporada passada, fica com Emma, mas esta começa um namoro com um charmoso dentista que acaba com um casamento nunca consumado em Las Vegas e um previsto divórcio.


Chris Colfer acaba sendo o principal destaque desta temporada, seu Kurt sofre com o preconceito de ser gay, a repressão de David Karofsky (que revela-se um homossexual enrustido), com o pai que teve um infarto, trocou de escola e do coral depois de ter sido ameaçado e conheceu Blaine (Darren Kriss), principal cantor de um coral do outro colégio e gay assumido e amor não correspondido do jovem estudante.


Destaque também para as homenagens ao musical cult Rock Horror Show e ao disco Rumours do Fleetwood Mac, ao episódio dedicado à Britney Spears (desde aí, a personagem Brittany teve grande visibilidade nos episódios seguintes com suas tiradas burras, inocentes e engraçadas) e à participação especial de Gwyneth Paltrow (com quem Will terá um breve envolvimento), que foi muito bem-vinda e deu mais movimentação à série e à nova treinadora do time de futebol americano da escola, Beiste (Dot Jones), que também sofre com o preconceito dos alunos com seu jeito masculinizado.
Ok, o New Directions não ficou entre os finalistas, mas foi para as competições com canções inéditas, uma delas muito boa (Get it right, cantada pela Rachel). De resto, elogios para a qualidade vocal dos atores (principalmente Lea Michele e Amber Riley, que continuam sendo as melhores cantoras de todo o grupo).
Agora é esperar pela terceira temporada que será a última para muitos personagens, novas participações acontecerão (muitas delas oriundas dos atores selecionados pelo reality show The Glee Project) e, esperamos, grandes emoções e, quiçá, a primeira vitória do New Directions nos concursos entre corais.

28 de agosto de 2011

Fim das férias. Vida real, cara!


Um dos momentos mais tristes de quem vive a tão chata vida adulta é o fim das férias. Trabalhamos o ano inteiro, nos estressamos, lidamos com as situações mais adversas, somos esmagados no ônibus, trem ou metrô, fazemos o nosso melhor ou nos esforçamos para tal para a empresa que nos contratou. Bem, chegam as tão esperadas férias, você finalmente tem um mês para aproveitar a vida, livrar-se de todas as suas preocupações, descansar, enfim!
Pois elas voam, passam tão rápidas, que nem percebemos. Nunca sentimos tão intensamente o gosto amargo daquele provérbio que nos acompanha desde crianças: “o que é bom, dura pouco”.
Aí nos apercebemos que fizemos nem 25% daquilo que planejamos para o gozo das férias, que aquela viagem não foi tão boa quanto esperávamos, que dormir demais naquela segunda ou terça-feira serviu apenas para encurtar o dia, que o calendário e o relógio conspiram contra nós e até os deuses entram nesta jogada se não tomarmos cuidado.
Mania do ser humano de reclamar de tudo, confesso que sou desses reclamões também. Afinal não posso dizer que foram más férias: dormi bastante, assisti alguns filmes, namorei, curti a família, tive tempo para estudar mais, ler mais, até escrever mais. Infelizmente não viajei, também não vou perder meu sono com algumas dívidas, que, enfim, foram quitadas.
Férias são necessárias, precisamos deste tempo de preguiça, de relaxamento, de desligamento do universo profissional, para o acender do nosso primitivo lado vagabundo, todo ser humano que se preza deve viver este momento.
As minhas férias chegam ao fim, infelizmente. Ao invés de aprovar aumentos absurdos de salários para os seus cargos, os nossos senadores, deputados e vereadores bem que poderiam criar um mês a mais de gozo para os trabalhadores, já que ganhamos tão mal e sofremos tanto com o seu descaso.
Ok, chega de sonhar! Afinal, logo o despertador vai gritar em meu ouvido bem cedo (Fim das férias! Vida real, cara!) e eu vou ser obrigado a levantar, pois (Fazer o que? Não ganhei na loteria mesmo...) terei que trabalhar.

27 de agosto de 2011

Um ano de blog! Então...


Ontém, dia 26 de agosto, o “Escritos e Besteiras...” comemorou um ano.
Hummm...
Soprar velinhas, fazer três pedidos, agradecer aos seguidores ou a quem deu uma espiada neste blog?
Ok, vamos seguir o protocolo...
O soprar das velas vem acompanhado de uma grande felicidade pela manutenção deste blog, que nem sempre foi atualizado com a frequência desejada e de acordo com os assuntos do momento, mas culpem a falta de tempo (trabalho, faculdade, poucas horas de sono). Manter este blog ativo com tantos outros compromissos é uma grande batalha e uma vitória parcial (afinal esta guerra continua e deve ser vencida à cada dia)...
Três pedidos?
01 – Escrever mais e melhor;
02 – Assuntos mais diversificados e atualizados com as notícias do momento também (um pecado, confesso, é falar muito de cinema em detrimento de outros temas);
03 – Não fazer deste blog um diário pessoal, vaidoso e entediante (não que eu não vá usá-lo como um desabafo quando achar conveniente e nada melhor que escrever para se livrar de algum incômodo ou angústia e o blog será um veículo).
Bem acho que são esses os desejos (estavam achando o que? Ia pedir pra ser milionário? Ganhar o Nobel de Literatura? Ter o mundo aos meus pés? Não, não... Pretensão demais (não que escritores não sejam, por natureza, pretensiosos). O blog, como foi escrito no primeiro post (Então...), foi criado para ser um recurso para que eu me obrigasse a escrever, acabou tornando-se um prazeroso desafio.
Ah, já estava me esquecendo...

Obrigado a todos por seguirem e visitarem e comentarem neste blog!

Um grande abraço a todos e vamos em frente!!!

Até o próximo post...

25 de agosto de 2011

Por que não lemos livros?


A falta de hábito de leitura é decorrente de muitos aspectos. A influência de outros meios de comunicação como o cinema, a televisão e, principalmente, a Internet, pode ser considerada como um fator que adia o tão aguardado encontro do texto escrito com o seu leitor. Essas mídias, por exigirem um grau menor de concentração e atenção de seus interlocutores e por possuírem uma assimilação mais fácil e rápida da informação, acabam caindo na preferência da maioria das pessoas, algo que não ocorre com o livro.
O cinema traduz em imagens as palavras que o autor escreveu no livro adaptado, ao invés de imaginarmos como seria tal personagem, o mesmo ganha a forma de um ator conhecido. A televisão, ao passar a notícia, seleciona aquilo que acha mais importante seguido de um discurso e opinião já prontos, o telespectador não precisa pensar. A velocidade das informações na Internet, que se renovam a cada F5 que teclamos no computador, faz com que estas sejam repassadas da forma mais simplificada possível, um texto simples que não apresente dificuldades na leitura até a próxima novidade surgir na atualização da página. Os códigos nesses três canais não só facilitam a compreensão como também permitem a execução de outras atividades paralelas.
O livro exige exclusividade de seu leitor não consegue ler um livro, assistir a televisão e arrumar a casa ou preparar o jantar ao mesmo tempo. O leitor precisa estar focado em desvendar o conteúdo do livro e dispor de uma parcela de seu tempo para tal. Tempo em que ele vai interpretar as palavras ali escritas, raciocinar, tirar suas conclusões, concordar ou não com o texto, até mesmo se emocionar. Por exigir tantas habilidades  em somente um ato, ler, as pessoas preferem outros meios de comunicação como recursos para se manterem informadas ou se entreterem.
Vivemos numa sociedade onde o código visual impera. As pessoas estão desaprendendo a ler, não a leitura comum dos tempos do prézinho (decifrar letras, sílabas e palavras), e, sim, saber tirar um entendimento de tudo isto, interpretar criticamente o que cada enunciado quis dizer, até mesmo seus subentendidos. Cabe à escola e à família estimularem e despertarem o hábito da leitura no aluno. A escola com leituras de textos que gerem interesse e prazer no aluno, um desvendar de um mundo novo, exercícios que lhe exijam a compreensão e o senso crítico. A família deve ser um prolongamento do trabalho feito na escola, não com cobranças e reprimendas, na verdade, sendo o exemplo dos benefícios proporcionados pela leitura, pais que leem podem ser um espelho para os filhos que logo farão o mesmo também, por exemplo.
     As pessoas vão voltar a ler quando encontrarem neste hábito algo que lhes ofereça algo novo e estimulante. Não podemos culpá-las totalmente por não lerem, afinal, em sua maioria, são trabalhadores que passam oito horas ou mais em seus empregos, são massacradas pelo transporte público e ainda cuidam dos afazeres domésticos. Fora isso, o alto preço dos livros os torna ainda menos acessíveis ao grande público. O hábito da leitura deve ser acompanhado pela melhoria de nossa qualidade de vida em muitos outros setores da sociedade que, por sua natureza, exclui a grande maioria.

21 de agosto de 2011

Há futuro para a escrita?


De tempos em tempos especialistas declaram o fim de alguma coisa. Às vezes dizem que a literatura vive seus últimos dias, que a música não é mais a mesma, que a arte chegou ao seu limite, etc. A linguagem escrita também teve sua morte anunciada, anunciação que curiosamente dá longa sobrevida à escrita e as outras formas de arte e expressão. Mas será que a língua escrita agoniza e clama por uma morte digna isenta de mais sofreres? Segundo a visão do filósofo Vilém Flusser, sim. É deste autor de origem tcheca que surge a obra “A escrita – Há futuro para a escrita?”, traduzida do alemão por Murilo Jardelino Costa (meu professor de Linguística do primeiro semestre da universidade). Neste livro publicado em 1987, Flusser reflete sobre a delicada e inevitável transição de um mundo dominado pela língua escrita para um mundo em que predominam as imagens técnicas. Graças aos avanços técnológicos, principalmente com o advento da informática, vivemos numa sociedade baseada numa cultura visual.
As pessoas estão desaprendendo a ler, a compreender os códigos da língua escrita, a interpretar um texto, muito disso devido a massificação das mídias  que “mastigam” e “regurgitam” aos cidadãos as informações, fazem um filtragem para aquele que tiver contato com esta, faz com que diminua a capacidade crítica de cada pessoa (já que a informação está pronta, até com uma opinião formada, para que pensar?). Daí uma preocupante geração de analfabetos funcionais, aqueles que sabem ler e escrever mas não são capazes de interpretar, tirar conclusões, esboçar uma crítica sobre o conteúdo lido.
Em 1987, Flusser fez com este A Escrita uma previsão pessimista sobre o futuro da escrita, o que mais surpreende é o quanto de tudo o que escreveu se concretizou ou está a caminho de sua conclusão. Vivemos este período obscuro sem o percebermos. Neste ensaio metalinguístico, Flusser fala de uma metaescrita, uma escrita que reflete sobre a própria escrita, escrita esta que não possui futuro, a escrita sendo substituída por editores de texto como o Word, pela televisão, o cinema e a Internet em seu auge e as novas tecnologias como celulares cheios de recursos, I-Pads, E-books, etc. Cabe aos escritores de hoje encontrarem maneiras de preservar a língua escrita e, com esta preservação, o hábito da leitura.
Flusser chegou ao Brasil em 1941 fugindo do nazismo na Segunda Guerra Mundial. Autodidata, estabeleceu-se como professor universitário mesmo sem formação acadêmica e naturaliza-se brasileiro em 1950. Voltou à Europa em 1972, após a reforma acadêmica na USP em meio à ditadura militar. Foi nesse retorno à Europa que Flusser lançou obras que o consagraram e lhe deram o reconhecimento como um teórico dos meios de comunicação (A Filosofia da Caixa Preta é um de seus escritos mais conhecidos). Morreu em 1991 num acidente de trânsito.
O legado de Vilém Flusser serve como reflexão do nosso tempo, do século XX que passou e suas grandes e rápidas transformações, com progresso e destruição na mesma equação. Lança base para prever e temer um século XXI de maiores avanços e, como sabemos, que vem acompanhado de grandes desigualdades e retrocessos intelectuais.

20 de agosto de 2011

A origem da vida e o fim do mundo segundo Malick e Von Trier



Estou tentando fazer o impossível: relacionar A Árvore da Vida e Melancolia, dois filmes tão díspares e singulares, que, no entanto, levantam profundas reflexões sobre a própria condição humana. Sinceramente, o pessimismo de Lars Von Trier gerou mais a minha simpatia do que o existencialismo do novo filme do recluso Terrence Malick. Porém, artisticamente, o trabalho do diretor americano atinge resultados surpreendentes e belíssimos que o dinamarquês e personna non grata do Festival de Cannes não conseguiu em seu filme catástrofe muito particular. Questões como: “Quem sou eu?”, “De onde vim?”, “Para onde vamos quando tudo acabar?”, sempre circularam em nossas cabeças, perguntas tão recorrentes em nossas dúvidas, cujo refletir nunca chega a uma resposta precisa. Até mesmo aquele que tem a fé inabalável em qualquer divindade ou força exterior, hesitou alguma vez nas suas convicções.
Todos somos meio Justines, meio Claires, meio Jacks, com todas as nossas insanidades reprimidas, nossa mania de controlar a tudo e nos desesperar quando nada disso dá certo, nosso ódio àquele mais próximo transbordando até não mais suportarmos. Fé e ciência entram em conflito dentro de nós, complementam-se, nos tornam mais céticos ou mais esperançosos. Para que se resolvam todos os nossos mistérios, se façam esclarecidas nossas incertezas, basta que morramos. Este desconhecido, só quem partiu desta para melhor para saber a grande verdade. Enquanto isto, a arte faz poesia com as hipóteses, pode apenas especular, não nos trazendo mais conforto (quem quiser conformar-se, que procure alguma crença), a arte não quer amenizar nada, ao fim de toda a sua obra, sempre incompleta, apenas o incômodo resta como resultado.
Que a arte sempre tente responder às nossas perguntas desta forma: operística (regada a muita música clássica), exagerada até (afinal o preciosismo de Malick assim como a insistência niilista de Von Trier são antes de tudo exagerados, de uma forma bem-vinda, antes o excesso do que a falta de algo relevante em algum filme), visualmente belas (como toda obra cinematográfica deve ser) e inquietantemente questionadoras. Não saímos indiferentes após a projeção destas duas obras, a impassibilidade é natural quando o resultado foge às nossas expectativas, para o bem ou para o mal.
     A escolha fica para nós espectadores: dar crédito ao fim iminente do nosso planeta, rota de colisão de um outro bem maior, no discurso extremo, sem concessões, de Melancolia. Ou encantar-se com as reflexões e a força poética de A Árvore da Vida e sair mais pensativo que quando entrou na sala de cinema. A relação entre duas irmãs ou o conflito entre pai e filho, ambas as estórias muito tocantes. Ou simplesmente mandar às favas qualquer tentativa de lógica e optar pelos dois, afinal quem ganha é o cinema (e os cinéfilos).