22 de janeiro de 2011

Desvairada homenagem à paulicéia


São Paulo faz 457 anos no próximo dia 25 de janeiro. A cidade outrora conhecida como “Terra da garoa”, hoje em dia, bem que poderia se nomeada “Terra das quatro estações”. Amanhecemos com a brisa da madrugada, o sol massacra nossas cabeças durante a manhã, no fim da tarde chove à beça e à noite refresca ou esfria, acontecendo de tudo isto misturar-se num desses períodos. Outono, inverno, primavera e verão no mesmo dia. A cidade muda de clima assim como mudamos nosso humor, sob a influência ou não destes fatores climáticos. Cidade neurastênica, cacofônica, concreta, com uma ou outra flor a embelezar nosso caminho, com uma ou outra árvore a quebrar a monotonia gris de suas fachadas. Contraste com o sangue que corre em suas veias: Nós! A sua população meio que acompanha seu ritmo, nunca menor que frenético. Correr para não ser engolido, correr para não ser passado para trás, correr pelo simples prazer pelo arrivismo, pelo gosto e a obrigação do trabalho. A cidade assume um aspecto mecânico que muitas vezes, ou a maioria delas, robotiza os seus. O olhar focado nos objetivos pessoais e nas inúmeras tarefas impõe uma barreira ao seu redor que impede que enxergue algo além, impede o toque, a conversa, rejeita qualquer outro tipo de contato ou comunicação, mesmo que o metrô ou ônibus aparentemente prove o contrário, mesmo na rua que movimenta milhões de gente tão apressada para descansar, tão apressada para aproveitar os minutos do dia que lhe resta ou simplesmente porque está atrasada para um compromisso importante. Não que o freio não seja puxado de vez em quando, não que o corpo não permita um período para nada pensar ou fazer, numa ociosidade individual ou em grupo. Uma pausa para respirar e olhar para o próximo, um momento para recarregar as baterias no banco da praça ou na mesa do bar.
Mas se a cidade parar, ela morre. Esse relaxamento não pode durar muito tempo e a respiração ofegante e um certo afã de resolver as coisas ditam as regras novamente, mesmo sob o risco de um infarto ou a iminência de um derrame ou uma hemorragia  inesperada na forma de uma enchente ou qualquer outro perigo. Mas São Paulo sempre sobrevive, ergue-se, cambaleia nas primeiras horas, resiste e segue seu rumo, fênix que é. Renascer do asfalto (das cinzas não, pois já tem muita poeira por aí), é apenas mais uma de suas rotinas, mais uma de suas habilidades adquiridas depois de tanto tempo vivendo sempre ao extremo, convivendo com as desigualdades e ignorando-as para não sofrer mais que o habitual. Improvisando cada minuto para garantir o espetáculo de todo dia, provocando aplausos e vaias na mesma escala. Cidade que nos ensina na prática e que aprende com a nossa experiência, mesmo que a correria a faça esquecer os próprios ensinamentos segundos depois...

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