11 de janeiro de 2011

Juventude isolada



Filmes como “Antes Que o Mundo Acabe”, “As Melhores Coisas do Mundo” e “Muita Calma Nessa Hora” são exemplos bem ou mal sucedidos da tentativa de conquistar o público adolescente retratando-os na tela grande. Outro trabalho que mostra esta nova geração de forma muito particular, porém passou quase despercebido no circuito comercial foi “Os Famosos e os Duendes da Morte”, de Esmir Filho, baseado no livro de Ismael Caneppele (que dividiu o roteiro com o diretor e ainda atua no elenco). Esmir Filho vem de uma notória carreira em curtas metragens, como “Tapa Na Pantera” (filme que também fez fama na Internet). Sua primeira incursão em longas metragens mostra um personagem sem nome (Henrique Larré) às voltas com seu blog intitulado “Mr. Tambourine Man”, com a vontade de ir ao show de Bob Dylan e assombrado pela memória de uma bela garota morta que deixou vídeos seus a Internet. Sua melancolia o isola do mundo (o que o faz ficar a maior parte do tempo em seu quarto escuro na frente do computador), de sua mãe (que transfere toda a sua carência ao cachorro que possui), mora numa pequena comunidade no sul do país e apenas tem um vizinho e colega de escola como amigo. O retorno de um rapaz de um misterioso rapaz ao local traz à tona novas lembranças e aos poucos vamos saber que ligações esses personagens possuem um com o outro.


Ao longo do filme vemos pessoas que tentam lidar com a perda de ente queridos, procuram seguir em frente com suas vidas e muitas vezes não conseguem superar esses sentimentos. O protagonista acha que ir ao show de Bob Dylan, mesmo sem saber como vai se virar fora de sua cidade, irá resolver os seus problemas, mas na verdade não conseguirá se libertar da vida que possui enquanto não acertar as contas consigo mesmo, enquanto não se desapegar das lembranças que tanto o afligem.

Esmir Filho mostra uma geração perdida (a exemplo de “A Rede Social”) que acaba encontrando na Internet uma forma de idealizar e viver uma vida que não tem, escondendo-se atrás de personas e perfis falsos, cuja popularidade nos sites que participam não reflete a vida social que possui do lado de fora. Esmir não realizou um filme com uma linguagem mais acessível, assim como os exemplos de filmes citados no início deste texto, ampara-se no surpreendente trabalho de direção, sutil e seguro, e na fotografia de Mauro Pinheiro Jr. que traduz em movimentos, contrastes, foques e desfoques todos os fantasmas e dilemas que perseguem o protagonista. Às vezes o excesso de utilização destes recursos podem cansar ou causar certo estranhamento no espectador que espera uma estória mais linear e narrativa e menos sensorial. Porém, se esta pessoa esquecer essas pequenas preocupações, o filme será uma viagem um tanto quanto desiludida, triste e saudosista, porém emocionante pela sinceridade das emoções captadas, as emoções de uma inadequação juvenil num mundo que exige cada vez mais prematuramente que se assuma um papel na sociedade. Uma geração que assim como a conhecida canção de Dylan, precisa de um tocador de tamborim para tocar uma canção para eles e o qual possam seguir numa manhã qualquer.

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