25 de janeiro de 2011

Parabéns, Vrgínia Woolf!


Hoje Virgínia Woolf completaria 129 anos. No dia 25 de janeiro de 1882 nascia aquela que seria um dos grandes nomes da literatura mundial do século XX. Ao lado de James Joyce, Marcel Proust e Franz Kafka, Virgínia definiu os novos rumos desta arte com uma prosa inovadora, que dava voz aos pensamentos de suas personagens, o tão conhecido fluxo de consciência. Saber o que pensavam, acompanhar a confusão de suas mentes e suas idéias, sua fragilidade diante do mundo e das relações humanas, um sentimento de deslocação, é como constatar que estes pensamentos nada mais eram que os nossos próprios, tão falíveis quanto. Não se trata de uma tarefa fácil mergulhar neste rio, é necessária a mesma entrega com que Virgínia escrevia para acompanhar as páginas de seus romances e contos, de início começa tortuoso, depois com a familiaridade de suas palavras a leitura flui melhor mesmo com um certo ou menor estranhamento. Confesso que foi difícil voltar a lê-la depois de alguns anos sem contato com sua literatura, comecei pelos “Contos Completos”, numa bela edição da Cosac Naif, depois pelo seu último romance “Entre os Atos”. Ainda tenho encontrado algumas pedras no caminho (não sei se culpo a rotina de trabalho e cansaço que, querendo ou não, atrapalha uma boa leitura, mesmo que você tenha a melhor das intenções, ou atribuo esta dificuldade à alguma espécie de ferrugem na minha mente que me deixou mais preguiçoso a este tipo de leitura).
Já de “Mrs. Dalloway” e “Noite e Dia” trago grandes lembranças, sua poesia e alguns personagens, a convidada indesejada da festa do primeiro e a protagonista que adora matemática do segundo, comovem pelo olhar que a autora lançava sobre eles e o restante das personagens que surgiam nas linhas seguintes. Um olhar sincero e muitas vezes cruel, cruel como a humanidade, portanto humano. Cruel como a sociedade em nossa volta e o rigor nos papéis que devemos assumir e que ela, na maioria das vezes, nos impõe. As personagens de Virgínia Woolf, sejam femininas ou não, assumem este papel ou o renegam, sofrem as dores e o peso desta responsabilidade e anseiam por algo novo e tremem e hesitam diante desta novidade. Personagens que refletem a instabilidade da própria escritora, o seu estado de espírito no momento em que escrevia suas estórias. Sua inquietação em experimentar uma nova linguagem, o desespero pelas suas condições mentais e suas preocupações com o mundo em si, suas grandes paixões transformadas em belíssimos textos. A matéria-prima para os livros de Virgínia Woolf era a própria vida de Virgínia Woolf. Intensa, contraditória, transgressora, louca até, por que não? Seus livros são como um caminhar até o rio e o acompanhar de seu fluxo natural, fluxo este que pode mudar de calmo para caudaloso em instantes...

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