5 de fevereiro de 2011

Oscar 2011: Inverno da Alma (Winter’s Bone)


Inverno da Alma foi um dos títulos que causaram surpresa na lista de indicados ao Oscar de melhor filme, além de ter sido lembrado nas categorias de melhor atriz (Jennifer Lawrence), ator coadjuvante (John Hawkes) e roteiro adaptado. Porém a indicação de Jennifer Lawrence era muito mais que esperada e é sua atuação que norteia e dá corpo e densidade a este drama dirigido por Debra Granik. Ree é uma jovem de 17 anos que praticamente carrega o mundo em suas costas. Ela cuida da mãe, que possui problemas mentais, e dos irmãos mais novos. O pai desapareceu e está sob fiança e ainda não pagou a dívida para permanecer em liberdade até a audiência em que será julgado. Ree descobre que seu pai deu a casa em que ela mora como garantia e irá perdê-la se ele não se apresentar à polícia. Começa a corrida contra o tempo para Ree encontrar o paradeiro de seu pai e impedir que sua família vá para a rua, porém ninguém sabe ou não quer informar onde ele se encontra e seu desaparecimento esconde muitos segredos. Ree sofrerá as consequências de sua determinação em achar o pai e de sua insistência em abordar todos aqueles que possam dar alguma pista a respeito.
Inverno da Alma é uma jornada injusta de uma garota que é cheia de responsabilidades das quais não são pertinentes à sua pouca idade, obrigada a amadurecer precocemente para não ver a sua família desmoronar e para sobreviver à precária situação financeira em que se encontram. Um filme que retrata um Estados Unidos poucas vezes visto nos cinemas, que volta seu olhar, sem a condescendência e a complacência comuns a este tipo de personagens pobres, solitários e marginalizados, a América dos que pouco tem e caminham sobre uma perpétua corda bamba.


É impossível não temer o destino de Ree quando chega cada vez mais perto da verdade, o que significa o aumento do perigo, já que o pai era um produtor e traficante de drogas e Ree precisa aprender a não confiar em ninguém, pois a maioria está envolvida neste ramo. O único problema deste drama é a solução um tanto quanto “deus ex machina” do conflito central, onde praticamente a ajuda vem na porta de sua casa, mas não diminui os impactos das emoções vividas e sofridas por Ree no decorrer da trama.
Jennifer Lawrence alterna força e fragilidade em sua composição numa interpretação correta que nunca cai no melodramático “coitadinha de mim” e nem no “vou superar tudo isto”, graças a um roteiro cuidadoso, baseado no romance de Daniel Woodrell, que construiu uma personagem forte. É uma jovem como outra qualquer sem o tempo de ser o que é: uma adolescente.
Inverno da Alma é um filme duro e dificilmente ganhará o Oscar (mas Lawrence pode estragar a festa de Natalie Portman na categoria de melhor atriz), mas ficará marcado como um corpo estranho e interessante entre as produções indicadas este ano.

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