12 de fevereiro de 2011

Oscar 2011: O Discurso do Rei (The King’s Speech)


12 indicações ao Oscar, premiações nos sindicatos de produtores, de diretores, atores e até mesmo elogios da Rainha da Inglaterra Elizabeth II tornaram “O Discurso do Rei” um dos francos favoritos ao Oscar deste ano, ofuscando a presença de “A Rede Social”, até então o nome mais cotado para ganhar o prêmio de melhor filme. O drama sobre o Rei George VI e seu problema em tratar a sua gagueira momentos antes em que ele é obrigado a assumir o trono é o típico trabalho que reúne todas as características possíveis para agradar aos membros da Academia e sair com várias estatuetas nas mãos de seus principais colaboradores: história de época com produção caprichada, um elenco de grandes atores à frente e uma história real de superação.
George VI (Colin Firth), precisa enfrentar a sua dificuldade em falar em público e decide contratar, com o apoio de sua esposa Elizabeth (Helena Bonham Carter), os serviços do fonoaudiólogo australiano Lionel Logue (Geoffrey Rush). Toda esta situação ocorre em meio à morte do seu pai e a sucessão feita pelo seu irmão Edward III (Guy Pearce), porém a insistência do mesmo em se casar com uma plebéia americana e divorciada, vai contra as leis do reino e a pressão em torno de sua escolha amorosa o faz abdicar do trono. George então assume a sua posição, porém no momento em que a Segunda Guerra Mundial estoura e George precisa demonstrar toda a segurança para liderar a nação e declarar guerra contra a Alemanha.


Tom Hooper (que até então não conhecia o seu trabalho na direção) egresso da televisão, onde dirigiu séries, filmes e minisséries como Longford, John Addams e Elizabeth I, nos entrega um filme de grande apelo e de simpatia imediata com o público. Ao nos mostrar a trajetória de um futuro rei que precisa assumir um cargo importante cuja gagueira somente o atrapalhará e aumentará a sua natural insegurança. A pressão de seu pai antes de sua morte e o apoio de sua esposa, além da sua resistência inicial e arrogância, vinda de sua condição aristocrática, em se submeter às aulas do doutor Longue, tornam este personagem mais palpável e próximo dos nossos próprios receios quando diante de um novo desafio pessoal ou social. Trememos e gaguejamos diante do novo, diante dos outros, diante de grandes responsabilidades. Daí o trunfo da atuação de Colin Firth que pelo segundo ano seguido rouba a cena e nos mostra um George VI frágil, teimoso, ciente e receoso de seu destino e dever como futuro rei, se vai ganhar o Oscar de melhor ator, além do merecimento por este prêmio também pesa o fato de sua derrota no ano passado por Direito de Amar na decisão dos votantes. Além disso as sempre ótimas presenças de Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter tornam este trabalho ainda mais saboroso.
O Discurso do Rei é um filme tradicional contra a modernidade e o retrato de uma geração feita por David Fincher em A Rede Social, o último tem mais chances de resistir ao tempo que o primeiro e parece a escolha mais apropriada a ser feita pelos membros da Academia do que o trabalho de Tom Hooper, porém se O Discurso do Rei ganhar o Oscar, como parece que vai ocorrer, não será tão imerecido assim.


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