29 de março de 2011

Éramos nós solitários no universo?



O mistério em torno da existência de vida inteligente em outros planetas intriga os cientistas e especialistas. Se existem uma infinidade de galáxias, estrelas e planetas na Via Láctea, seria pretensão demais a nossa de nos julgarmos únicos seres dotados de inteligência neste universo. Mais controversa ainda são as possíveis visitas desses seres ao planeta Terra. Hoje em dia, são divulgados pelos meios de comunicação do mundo todo imagens de estranhas naves espaciais, seres bizarros e outras manifestações que fogem à nossa compreensão, que podem atestar que “eles” realmente fizeram algum contato conosco. Claro, que muitas desses registros podem ser considerados falsos, apenas uma sensacionalista manipulação de imagens para chocar o público sedento de notícias apelativas e do que falar nas rodas de bate-papo do trabalho. O documentário “Eram os Deuses Astronautas?”, baseado na obra mais famosa do escritor Erich Von Däniken, não só veio lançar mais lenha na fogueira das especulações de vida extraterrestre, como utiliza o legado escrito, oral, cultural e arquitetônico das antigas civilizações para atestar esta possibilidade. Antes deste documentário, “Eram os deuses astronautas?” foi um livro publicado em 1966. e logo fez um enorme sucesso. Foram longos anos de pesquisa e interpretação das escrituras sagradas, pictogramas, hieróglifos, esculturas, monumentos erigidos aos deuses budistas, egípcios, maias, astecas, gregos e outras civilizações, além da religião cristã, para chegar à hipótese de que esta relação entre homem e extraterrestres já havia acontecido nos idos tempos de antes de Cristo.
O filme inicia-se com a inusitada história de uma tribo, localizada nas remotas ilhas dos mares do Sul que, durante a Segunda Guerra Mundial, teve a presença de soldados americanos que chegaram em aviões na sua região para instalarem suas bases, foram chamados por esta tribo de “Cabeças brancas”, que acreditavam que se tratavam de deuses vindos do céu. Para isso, construíram eles mesmos uma réplica do avião usado pelos soldados na esperança de que houvesse mais uma vez a visita e o contato desses “deuses” na sua tribo. Bem, se uma tribo como esta, sem o menor contato com o homem moderno e suas noções de tecnologia e sociedade, acreditou serem deuses aqueles soldados, o que dizer, por exemplo, dos deuses cultuados pelas antigas civilizações (que, se formos comparar, estavam numa realidade parecida com a da tribo citada)?
Estes deuses eram sempre descritos como seres que desciam do céu, cercados de fogo e fumaça, trazendo determinado conhecimento, muitas vezes levando consigo algumas pessoas que voltavam maravilhadas e assustadas com o que viram. Os pictogramas descritos nas cavernas, hieróglifos em tumbas de faraós, os desenhos que constam em esculturas, muitos representavam figuras disformes, sem muita precisão, com uma espécie de aparato que lembra muito o dos atuais astronautas. O escritor também chama a atenção às pirâmides e às outras construções e esculturas feitas por estas antigas civilizações. Se formos verificar, todas são constituídas por pedras de grande porte, pesando dezenas de toneladas, impossíveis para uma certa quantidade de homens transportá-las nas distâncias em que provavelmente deveriam ter sido transportadas. Ao mesmo tempo, esculturas talhadas de uma única pedra, onde, sem a tecnologia de um guindaste, por exemplo, também seria praticamente impossível o erguer de tamanho e pesadíssimo monumento. Algo deve ter facilitado o transporte destas pedras esculpidas... As pirâmides são até hoje um mistério da humanidade, pelo tamanho de sua construção e pela complexidade de sua estrutura. O documentário viaja por diversos cantos do planeta (além das pirâmides egípcias e incas, as quilométricas linhas de Nazca, os misteriosos moais da Ilha de Páscoa, Palenque no México, etc.) para nos mostrar que o mistério e a explicação destes fenômenos estão em si mesmos.
O autor cita a passagem na Bíblia onde o profeta Ezequiel diz: "Filho do homem, habitas em meio a uma geração rebelde, que possui olhos para ver e assim mesmo nada vê, e tem ouvidos para ouvir e assim mesmo nada ouve” (Ezequiel XII, 1). Muitos dos desenhos descobertos só fizeram sentido ao homem com o desenvolvimento de sua atual tecnologia, o que antes pareciam representações de deuses com formatos e corpos estranhos (que lembravam animais) e objetos sem alguma coerência, aos olhos contemporâneos podem ser o sinal de que esses deuses, na verdade, eram astronautas vindos de outros planetas e que alguns desses objetos representavam naves espaciais. Suspender a descrença sobre esta possibilidade é determinante e ajuda a entender a lógica das hipóteses levantadas por Erich Von Däniken em seu filme e livro. Teoria significa ponto de vista, ou seja, é apenas mais um olhar entre tantos sobre esta questão de vida em outros planetas e suas possíveis visitas à Terra. A impressão que se tem é que, à medida que o homem evoluiu em sua tecnologia, ele perdeu o contato com os “deuses”, talvez tornando-se perigoso este novo encontro entre as mais diferentes raças e existências neste vasto universo. Se um dia o homem travará finalmente uma nova relação com estes extraterrestres, desta vez sem a ilusão do divino, não se sabe quais conseqüências, boas ou más, teria este evento para nós e para eles.
O filme/livro é recomendável, pois tem a proeza de quase ou totalmente nos convencer de sua visão sobre a impossibilidade de nossa solidão no universo, lançando apenas dúvidas nas convicções que se formaram em nosso pensamento desde aqueles remotos tempos até os dias de hoje.

24 de março de 2011

Elizabeth Taylor (1932 - 2011)


Escrevo com atraso sobre a morte de Liz Taylor. Uma das maiores estrelas da história do cinema. Soube ontem, pela Internet, e com pesar igual ao quando vi na televisão que Paul Newman tinha falecido também. Engraçado que umas semanas antes, tinha lido uma notícia de que a atriz se recuperava de problemas cardíacos num hospital. Recuperação que, premonitoriamente, me fez lembrar daqueles restabelecimentos que muitas pessoas entre a vida e a morte vivem, meio que para poderem se despedir de seus familiares, e depois capitularem à doença que as prostraram ali no leito do hospital.
Tudo bem, confesso que assisti pouquíssimos filmes de Liz Taylor, para não mencionar a pavorosa versão para cinema do desenho The Flintstones, seu último filme, prefiro lembrar-me de A Mocidade é Assim e Gata em Teto de Zinco Quente. O primeiro de quando ela era apenas uma estrela infantil, num filme inocente sobre corrida de cavalos. O segundo é Liz Taylor no auge de seu talento e de sua beleza, num clássico baseado na peça de Tennesse Williams e dirigido Richard Brooks.
Antes de atriz, Elizabeth Taylor foi um ícone. Um ícone cujo rosto era tão marcante quanto o de Marilyn Monroe, Marlon Brando, James Dean, Audrey Hepburn e Paul Newman e outros tantos que ficarão no domínio público, no nosso imaginário. Os tempos são outros e divas não são substituíveis, não haverá uma nova Elizabeth Taylor quando nem outra atriz, por exemplo, ainda tenha chegado (e nunca chegará) ao patamar de uma Marilyn Monroe. Soa fora de contexto cogitar tal hipótese. E o melhor é lembrarmos-nos dela como a grande estrela que foi, linda e grandiosa na telona do cinema, onde permanecerá eterna, compondo agora uma outra constelação além do star system do qual fora importante integrante.

20 de março de 2011

Édipo Rei e a tragédia da vida real: Coisa do destino?

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    “Ai de mim!”, clamam os personagens das tragédias gregas quando diante do terror de suas descobertas e ações no enredo de suas estórias. A palavra tragédia, atualmente, é usada para designar algo muito grave, desastroso, como o recente terremoto e tsunami que destruiu grande parte do Japão. As tragédias tem origem na Grécia, no século V a.C. e o terror advindo das situações narradas no palco, interpretadas pelos atores, tinha a função de educar os cidadãos, ou a pólis despertando o terror e depois a compaixão na plateia, a purgação deste sentimento (ou seja a digestão deste) resulta na tão conhecida catarse.
    Édipo Rei é considerada a maior tragédia já escrita, muitos devem ter lido, assistido ou pelo menos souberam alguma vez da estória, escrita por Sófocles, do rei que descobre que matou o próprio pai e desposou a mãe. Histórias como esta circulam hoje em dia nos jornais e sites de todo o mundo, vira e mexe descobrimos que a filha mandou matar os pais, que os pais planejaram a morte do filho, mães que mataram crianças por causa do marido ou do amante, o amigo que traiu covardemente o outro, ou seja, projeções contemporâneas das antigas tragédias gregas, e com isto vemos que o seio familiar e as relações de amizade estão em plena desestruturação. A diferença destas histórias para Édipo é que ele não tinha consciência dos atos que cometeu enquanto as pessoas dos dias hoje fazem tudo isto premeditadamente, a sangue frio.
    Mais uma vez volto a falar do inexorável, do irreversível, daquilo que não se pode deter, deixar de se cumprir: o tão temido e desconhecido destino. Se ele fica a cargo de Deus ou algum ser maior, ou seres, dependendo da crença pessoal de cada um, eu não sei. Mas não tem vezes que, ao pararmos para refletirmos aonde chegamos, ao fazermos uma breve revisão de nossas vidas, não ficamos com a impressão de que “era” para ser deste jeito e de mais nenhum outro modo? Se este destino foi forjado por esta força maior, somos apenas joguetes dos caprichos deste Deus (vou usar o singular, mas que este Deus represente a pluralidade das religiões existentes neste país), que nos conduz para lá e para cá como fantoches a seu bel prazer. Se somos nós que fazemos este destino, tudo é fruto de nossa vontade, de nossos atos impensados e daqueles milimetricamente estudados, aí não há interferência divina. Às vezes acho que Deus não interfere em nada, apenas zela para que o nosso destino se cumpra, nos conduz invisivelmente para o final, pois este já está traçado ou escrito (maktub, dizem os árabes). Aí minha crença de que somente minhas escolhas ditam o que sou hoje fica um tanto quanto abalada. Pois a vida mostra que coincidências acontecem e nos surpreendem quando menos esperamos.
    Era para conhecer aquele cara e namorá-lo e não o outro, era para iniciar meus estudos na faculdade este ano e não nos anteriores, e olhando para trás, não com pesar ou nostalgia (como já escrevi em um texto anterior, vide “Sessão nostalgia” neste blog), tudo, assustadoramente, faz muito, muito sentido, o “destino” sabe o que faz. Ainda sou a favor de que temos que traçar nosso próprio caminho, não esperar de um Deus que as coisas aconteçam, daí o sentido de que não há interferência, pois a partir do momento que você se mexe, a sua história caminha para o rumo predestinado.
    Laio e Jocasta, pais verdadeiros de Édipo, se precipitaram e decidiram abandonar o filho à morte ao invés de pagarem para ver se a profecia se cumpriria ou não, quiseram agir e não deixar as coisas acontecerem, mesmo que de uma forma abominável que é mandar matar o próprio rebento. Édipo Rei preferiu fugir da cidade em que moravam seus pais adotivos para não cometer os horrendos crimes que descobriu terem sido previstos ao invés de ficar e confirmar se isto seria mesmo uma verdade. Ambos, pais e filho, fizeram suas próprias histórias caminharem. Escolheram ir contra o inexorável para evitar a tragédia que se anunciava. Mas suas decisões apenas fizeram confirmar o que se esperava (o filho do rei não foi morto e, sim, entregue à outra família; Édipo, sem saber, encontrou o pai verdadeiro em sua fuga e o matou e, depois de ter decifrado o enigma da esfinge, foi consagrado rei e casou com a rainha, sua mãe, sem o saber, é claro).
   Impotência é o primeiro sentimento com que nos deparamos diante de tão trágica e desesperadora constatação. O conformismo vem logo a seguir, se já está tudo escrito, definido, por que vou lutar contra esta força que me conduz ao fim esperado? Pode-se ao final chegar à conclusão de que duas possibilidades envolvem todas estas circunstâncias (uma que você vai esperar passivamente as coisas acontecerem e outra em que você prefere correr atrás do que quer), mas, independente delas, é você que vai dar o próximo passo para qual via desta estrada bifurcada.

9 de março de 2011

Cisne Negro e a responsabilidade de "ser artista"


Não vou contar o final do filme, mas alguns aspectos importantes dele serão citados, se você não quiser saber algo a respeito de Cisne Negro, por não tê-lo visto, fique longe deste texto.

Nina é uma obstinada bailarina, sonha em ser uma grande estrela da dança, para isto almeja o papel principal do balé “O Lago dos Cisnes”. Mas será que ela está preparada para tal? Querer não é poder, muitos dizem por aí, esse ditado um tanto quanto derrotista e pessimista persegue muitas vezes aqueles que desejam ou desejaram seguir uma carreira artística. Vem-se antes a pergunta clássica: Por que ser artista? Num determinado momento do filme Cisne Negro, sabemos que Nina (Natalie Portman) tem uma mãe protetora e controladora, que a mesma foi ex-bailarina e exerce uma influência quase repressora sobre a filha, tratando-a como uma sensível bailarina de caixa de música. Entendemos que a mãe (Barbara Hershey) quando jovem largou a carreira devido a gravidez em que deu a luz à Nina. A mãe transfere esta responsabilidade de ter desistido de seus sonhos para a filha, assim como a esperança de que Nina faça em vida o que à ela não foi permitido: ser uma grande bailarina. Mas questiono se Nina queria realmente seguir esta profissão ou muito de suas escolhas se deve ao “débito” que sua mãe sempre deixou claro que a filha tinha. Com esta missão nas costas, Nina tem que se mostrar a filha perfeita a bailarina perfeita e esquece de si mesma, reprimindo seus desejos, anulando-se para ser o que a sua mãe projetou em si. Daí basta um único passo para o surto mental. Nina quer o papel principal e ao ganhá-lo tem que lidar com o peso enorme que é interpretá-lo e a pressão psicológica que ele traz consigo. Nina tem que lidar com seu lado negro com os desejos que reprimiu em toda a sua vida, experiências que acarretarão em graves consequências para ela.


Ser artista, antes de tudo, é o ter a certeza em “sê-lo”, não somente deixar-se levar pelo exótico, pelos louros, aplausos ou elogios. Ser artista é permitir-se anular-se em detrimento da obra. Saber ser o artista e a obra. Separar as duas coisas. Marcel Proust, numa das tantas belas frases de seu monumental “Em Busca do Tempo Perdido”, escreveu: “O artista é uma janela que dá para uma obra-prima”, somos apenas um instrumento, um joguete de algo maior e inominado, para que se origine um trabalho que tenha uma coisa a dizer ao mundo. O artista nunca deve tentar ser maior que sua obra, o artista morre, a obra fica e o tempo, implacável, vai julgar sua efemeridade ou sua permanência indelével. É lidar com seu lado obscuro, seu lado bom, é ver-se melhor e pior, é enxergar-se humano, entrever o humano em todos e, assim, disso que tudo que vê e interpreta, engendrar a obra, forjá-la, torná-la um todo.
Nina é frágil e insegura, chora a cada repreensão do diretor do espetáculo, treme diante de suas investidas sexuais, enxerga ameaça e concorrência em tudo à sua volta. Insegurança que advém da total falta e conhecimento de si mesma. Se Nina se conhecesse, talvez nem no balé ela estaria. Conta apenas com a sua técnica perfeita para dar corpo e alma aos dois cisnes do balé que encena. Técnica é a base que todo artista usa para chegar ao que quer: a obra. É de suma importância que este a conheça profundamente, no entanto não se prenda a ela para gerar seu rebento. Muito da originalidade de seu trabalho surge do instinto, é do instinto que nasce a alma da obra. A técnica gritando para que vá para a direita e o instinto seduzindo para a esquerda. Um risco e tanto. O risco faz parte e está inerente em cada decisão e o medo nunca deve ser o mediador delas. O artista deve ser guiado pela sinceridade, pela coerência de ideias, pela necessidade de denúncia de nós mesmos, pelo leve abrir da cortina e do tirar da máscara.
Para Nina, ser o Cisne Negro é abandonar a si mesma, ela é o Cisne Negro, encoberto e sufocado por tantas outras moças ideais que buscou ser apenas para agradar a mãe. Ser o Cisne Negro é assustar-se com ela mesma, perceber-se tão sedutora, malvada e arrivista quanto a personagem que interpreta. Esse descamar de sua pele, revela a plumagem escura que não deseja encarar. Esse esfacelamento de sua personalidade nada mais é que a revelação de seu verdadeiro eu.
O artista deve conhecer-se antes de tudo, ver a perfeição no defeito, pois esta irregularidade é ele mesmo, sua própria humanidade, o seu natural, a própria realidade que, por mais que tente mascarar, virá à tona. Sempre.

7 de março de 2011

Reflexões sobre o carnaval



    Realmente fiquei um pouco fora estas duas últimas semanas. Comecei a estudar na Universidade, onde faço o curso de Letras, cuja experiência tem sido muito enriquecedora. Ótimos professores, reflexões e livros, uma infinidade de livros e apostilas. O que tem me tomado o tempo e os pensamentos quase que integralmente. Porém os dias de folga que o Carnaval vai proporcionar ajudarão a desafogar meus afazeres nos estudos (os professores já começaram a pedir trabalhos e agendar provas) e atualizar este blog. Portanto, estão avisados: se demorarem a surgir novos posts, put the blame on the University, culpa da qual sou um satisfeito e empolgado conivente.
    Nada mais propício então falar sobre o carnaval, este período de festas, fantasias e, por que não dizer, libertinagem. O significado da palavra “carnaval” é “festa da carne”, entre tantas outras versões (esta que pus é a mais adequada ao que vou escrever a seguir) época em que se celebra a liberdade, o hedonismo predomina e quase tudo é permitido. As pessoas abandonam por alguns dias os seus bons costumes para ceder lugar aos maus hábitos que desejavam cometer em algum momento. 
    Particularmente, não trago boas lembranças do carnaval, alguns fatos muito chatos da minha vida aconteceram nos meses de fevereiro e março (dependendo de quando a comemoração ocorresse). Também não consigo assistir ao desfile das escolas de samba sem querer dormir durante a segunda apresentação (me cansa aquele monte de gente andando e pulando pela passarela, o cantar desafinado dos puxadores e, se a beleza das fantasias e dos carros alegóricos ainda prendem alguma atenção, o repetir incessante da letra do samba enredo faz cair por terra esta tentativa de acompanhamento. Claro que ver pela televisão é diferente do que assistir ao vivo. Não quero fazer com isso nenhuma crítica a esta manifestação do nosso povo brasileiro. Cada canto do país comemora ao seu modo, no seu ritmo musical, com suas particularidades, cada pessoa aproveita como bem quiser, mesmo não gostando de samba, confete e serpentina.
    É um tempo de exageros, todo mundo bebe demais, alegra-se muito. Quase um Natal em que se troca a alegria pela solidariedade insincera e excessiva. O sexo é recorrente , pela origem desta festa em rituais ao deus Baco na Grécia, os famosos bacanais, onde o povo exprime seus desejos mais primitivos em uma noite de embriaguez e orgia. Voltamos no tempo, aos primórdios da humanidade, voltamos a ser homens e mulheres das cavernas, verdadeiros animais no cio, livres para expressar sua selvageria, seu instinto sem o velar maternal e patriarcal de nossa sociedade, sem o reprimir de suas reais intenções. Uma vez na chuva, o mais fácil deixar-se encharcar.
    Pra tudo recomeçar na quarta-feira de cinzas, a máscara do Tiririca cede lugar ao do cidadão comum, a fantasia de colombina, pirata é substituída pelo terno e gravata, pelo tailleur ou a saia comportada. Finalmente podemos “não ser nós mesmos” o resto do ano, que triste...