7 de março de 2011

Reflexões sobre o carnaval



    Realmente fiquei um pouco fora estas duas últimas semanas. Comecei a estudar na Universidade, onde faço o curso de Letras, cuja experiência tem sido muito enriquecedora. Ótimos professores, reflexões e livros, uma infinidade de livros e apostilas. O que tem me tomado o tempo e os pensamentos quase que integralmente. Porém os dias de folga que o Carnaval vai proporcionar ajudarão a desafogar meus afazeres nos estudos (os professores já começaram a pedir trabalhos e agendar provas) e atualizar este blog. Portanto, estão avisados: se demorarem a surgir novos posts, put the blame on the University, culpa da qual sou um satisfeito e empolgado conivente.
    Nada mais propício então falar sobre o carnaval, este período de festas, fantasias e, por que não dizer, libertinagem. O significado da palavra “carnaval” é “festa da carne”, entre tantas outras versões (esta que pus é a mais adequada ao que vou escrever a seguir) época em que se celebra a liberdade, o hedonismo predomina e quase tudo é permitido. As pessoas abandonam por alguns dias os seus bons costumes para ceder lugar aos maus hábitos que desejavam cometer em algum momento. 
    Particularmente, não trago boas lembranças do carnaval, alguns fatos muito chatos da minha vida aconteceram nos meses de fevereiro e março (dependendo de quando a comemoração ocorresse). Também não consigo assistir ao desfile das escolas de samba sem querer dormir durante a segunda apresentação (me cansa aquele monte de gente andando e pulando pela passarela, o cantar desafinado dos puxadores e, se a beleza das fantasias e dos carros alegóricos ainda prendem alguma atenção, o repetir incessante da letra do samba enredo faz cair por terra esta tentativa de acompanhamento. Claro que ver pela televisão é diferente do que assistir ao vivo. Não quero fazer com isso nenhuma crítica a esta manifestação do nosso povo brasileiro. Cada canto do país comemora ao seu modo, no seu ritmo musical, com suas particularidades, cada pessoa aproveita como bem quiser, mesmo não gostando de samba, confete e serpentina.
    É um tempo de exageros, todo mundo bebe demais, alegra-se muito. Quase um Natal em que se troca a alegria pela solidariedade insincera e excessiva. O sexo é recorrente , pela origem desta festa em rituais ao deus Baco na Grécia, os famosos bacanais, onde o povo exprime seus desejos mais primitivos em uma noite de embriaguez e orgia. Voltamos no tempo, aos primórdios da humanidade, voltamos a ser homens e mulheres das cavernas, verdadeiros animais no cio, livres para expressar sua selvageria, seu instinto sem o velar maternal e patriarcal de nossa sociedade, sem o reprimir de suas reais intenções. Uma vez na chuva, o mais fácil deixar-se encharcar.
    Pra tudo recomeçar na quarta-feira de cinzas, a máscara do Tiririca cede lugar ao do cidadão comum, a fantasia de colombina, pirata é substituída pelo terno e gravata, pelo tailleur ou a saia comportada. Finalmente podemos “não ser nós mesmos” o resto do ano, que triste...

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