30 de abril de 2011

As dramáticas 127 Horas de Aron Ralston


     Aron Ralston aprendeu a maior lição de sua vida diante dos acontecimentos que o afligiram nos canyons de Utah (EUA): Avisar sempre seus parentes e amigos dos lugares para onde vai. Por incrível que pareça este foi o detalhe crucial para que seu dramático acidente tornar-se ainda mais chocante e com uma séria consequência ao próprio Ralston. Engenheiro Civil e alpinista, Aron tem a atitude autossuficiente e arrogante de quem conhece cada espaço dos lugares onde se aventura em escaladas, trilhas e etc. É um cara de bem com a vida, amante da natureza e ávido por fuga e diversão. Após o acidente, em que o autor cai no fundo de uma ravina e tem seu braço direito esmagado por uma pedra, pedra a qual não consegue mover e que o prende e o faz passar as desesperadoras e  surpreendentes 127 horas do título deste filme dirigido por Danny Boyle (Quem quer ser um milionário?). O pouco alimento e água que possui e a impossibilidade de conseguir libertar-se da pedra o faz tornar uma drástica, corajosa e arriscada decisão.
     Enquanto não a toma, reminiscências da vida de Aron, sua relação desprendida com a família quando adulto e afetuosa quando criança, lembranças de amores perdidos e outras aventuras fazem-nos conhecer mais um pouco deste personagem que parece fadado a morte, fazem-nos lamentar por seu destino e refletir a sua condição e a nossa. Baseado numa história real, o filme poderia ser um entediante e torturante trabalho que apenas resultaria em aversão se somente se apoiasse no sensacionalismo da dramática situação de Aron.


     Claro que Boyle não é um diretor de soluções fáceis e sabe imprimir ritmo e significado em cada uma das cenas, mesmo as mais fortes, onde a edição ajuda a aliviar (mas não poupar) a tensão e o impacto (o que não vai adiantar muito para os estômagos mais sensíveis) inerentes a elas. O filme também seria um estonteante fracasso se também não contasse com um ator carismático e eficiente como James Franco. James Franco é o filme. Faz rir, emocionar e compadecer o espectador, tão preso aquele local quanto o próprio personagem, segurar um filme quase todo nas costas (ou na mão direita - Só pra fazer uma piadinha sobre o filme...) é um desafio e uma responsabilidade muito grandes, Franco transita pelo dramático e o tragicômico, despe-se da vaidade e atua com alma e coração.
     O filme chocou plateias nos cinemas onde foi exibido por algumas cenas que, explícitas e cruas, não foram utilizadas pela opção do choque pelo choque, do torturante pelo torturante, mas pela inevitabilidade de o ser assim, necessárias para que a experiência de Ralston seja tão excruciante e ao mesmo tempo transformadora para protagonista e público.

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