19 de junho de 2011

Grande Hotel, resquícios da era de ouro de Hollywood


Recentemente assisti a Grande Hotel de 1932 com Greta Garbo brilhando como uma dançarina em crise, além de uma ascendente Joan Crawford deliciosa como uma taquígrafa ambiciosa e outras estrelas da época reunidas em uma só película, como John Barrymore, Walace Beery, Lionel Barrymore e Lewis Stone. Esta comédia não chega a ser uma obra-prima perfeita, no entanto é uma das primeiras investidas de um estúdio em reunir um grande elenco no mesmo filme. Este trabalho fez sucesso nas bilheterias da época e foi o vencedor do Oscar de melhor filme (única categoria ao qual foi indicado).
     Grande Hotel é um dos primeiros títulos a contarem estórias com várias personagens que se entrecruzam e interagem num mesmo espaço, algo que Robert Altman faria com a sua peculiar genialidade em filmes como Nashville e Short Cuts. Em um luxuoso hotel de Berlim encontramos uma estrela da dança Grusinskaya (Garbo), o falido Barão Felix von Geigern (John Barrymore) que faz amizade com Otto Kringelein (Lionel Barrymore), um homem que deseja passar os últimos dias de vida no local  e uma taquigrafa (Crawford) a serviço de Preysing (Beery), um magnata prestes a fechar um negócio que pode salvar as finanças de sua indústria. Uma espécie de ciranda de interesses e romances conduzidas com destreza pelo diretor Edmund Goulding, o filme cativa por algumas caracterizações, as femininas principalmente: Garbo por vezes exagera na interpretação da insegura bailarina Grusinskaya, mas não perde a simpatia e a irradiante presença, enquanto Joan Crawford rouba a cena como a taquígrafa que se interessa pelo barão além de ser assediada por Preysing. O desesperado barão de John Barrymore ganha nosso interesse e é o que praticamente contracena com todos os personagens no hotel e acaba se apaixonando e tendo um romance com a instável bailarina.
     Grande Hotel é um grande entretenimento, que chama a atenção dos cinéfilos, principalmente dos fãs do cinema clássico americano como eu e dos saudosos da chamada Era de Ouro de Hollywood, filme que não perdeu o seu charme, mesmo após muitas décadas e tantos outros filmes mais inovadores terem surgido tempos depois.

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