24 de julho de 2011

Amy Winehouse (1987 - 2011)


“No no no”, talvez tenha sido este o primeiro pensamento quando algum fã de Amy Winehouse descobriu que a cantora morrera precocemente ontém, aos 27 anos. Morte precoce e também esperada, por assim dizer. Não digo isto com morbidez ou frieza, assim como muitos, a minha primeira reação, natural para qualquer pessoa, foi o da negação. Eu também não havia acreditado quando recebi a notícia do meu namorado, estava acordando de um cochilo da tarde de sábado, quando soube do ocorrido. O fato é que ela não está mais entre nós e nos resta apenas como consolo e lembrança a sua inesquecível música e voz, antes mesmo de seu histórico de escândalos com drogas e bebidas. Afinal desde sua ascensão com o lançamento de seu segundo disco Back to Black, catapultando-a ao sucesso mundial com o hit Rehab, acompanhamos com certo pesar, o esfacelamento desta grande artista, sua descida cada vez mais sem volta ao inferno do vício, sua predileção pela autodestruição. Por mais que digam que não, tudo em sua vida foi uma questão de escolha, talvez ela tenha escolhido viver e morrer assim, com todos os excessos, assumindo todos os contras possíveis, num suicídio gradativo. E o pior, nós acompanhamos este “se matar” sem poder fazer nada a não ser lamentar...


Comparada às grandes divas do jazz e do soul pelo seu timbre peculiar e seu vozeirão, Amy teve seu debut em 2004 com o disco Frank, que com sua mistura de jazz e hip hop conquistou a crítica e a tornou uma grande promessa da música britânica, canções como Stronger Than Me, In My Bed, I Know You Now, revelaram seu talento e aumentaram a expectativa para seu segundo trabalho. Dois anos depois viria Back to Black, um disco totalmente diferente do antecessor, com grande influência dos clássicos da Motown e da soul music dos anos 60. Seu visual acompanhou esta transformação musical e os olhos fortemente delineados e o enorme coque de sua peruca, além das roupas vintage que utilizava contribuíram para que já marcassem o nome de Amy na história da música atual. Rehab, You Know I’m No Good, Back to Black, Tears Dry on Their Own, Love is a Losing Game são muitas das canções que entraram para o repertório pessoal de muitas pessoas, inclusive o meu.
Lamentar a sua perda é inevitável, afinal nos identificamos com suas canções e até mesmo nos solidarizamos com a sua personalidade frágil e também trágica, procuramos compreender suas ações, justificadas um tanto pela pressão de ser famosa tão cedo, de não suportá-la ou conseguir lidar com a fama e com a imprensa no seu encalço. Um prometido e adiado terceiro disco estava a caminho, não sabemos, o quão real era essa afirmação. Logo os produtores, sedentos de lucro financeiro, vão começar a lançar todas os demos e raridades possíveis gravadas pela falecida cantora para os fãs tão orfãos de bons nomes na música atual, e quiçá, o lançamento póstumo deste terceiro trabalho venha consolá-los de sua ausência.
Amy viveu sua própria música com a intensidade de sua dor, de suas alegrias, de seus amores e do prazer fugaz que a bebida e as drogas lhe proporcionaram. Amy perpretou a triste lembranças de jovens talentos que se foram na flor da idade, se há uma maldição dos 27 anos, não sei. Ela disse que não ia à reabilitação e fez justo ao seu refrão mais famoso, recusando qualquer ajuda, ela simplesmente disse: “no no no...”.

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