10 de julho de 2011

The Walking Dead – 1ª temporada


Rick Grimes (Andrew Lincoln) desperta de um coma em um mundo infestado por zumbis. Não se sabe como toda esta situação começou e ele apenas tem em mente uma ideia: encontrar esposa e filho. Desta simples premissa ampara-se toda a trama de The Walking Dead, série da  AMC  e produzida, escrita e dirigida por Frank Darabont (diretor de Um Sonho de Liberdade e À Espera de um Milagre), baseado na série de quadrinhos de Robert Kirkman.
Assim como Rick, nos defrontamos com o caos, ficamos desorientados com a morte ao redor e nos assustamos com os mortos-vivos.
Rick foi gravemente baleado numa perseguição a bandidos, tempos depois, não sabemos quantos dias, meses ou anos se passaram, ele acorda, o hospital está vazio e repleto de mortos, centenas de cadáveres são vistos em sua saída do local também. Atordoado, Rick vai ao seu bairro e tem o pressentimento de que sua esposa Lori (Sarah Wayne Callies) e seu filho estão vivos, pois não há nada em sua casa, inclusive as fotos que tiraram juntos (indício de que alguém as levou), acaba encontrando Morgan (Lennie James) e seu filho, cuja esposa e mãe tornou-se uma zumbi. Rick está determinado a reencontrar Lori, que está abrigada num lugar distante da cidade de Atlanta, junto com o melhor amigo de Rick, Shane (Jon Bernthal), com quem acaba se envolvendo afetivamente. Rick decide seguir solitariamente para Atlanta, local onde ouviu notícias de que um grupo de sobreviventes está reunido e salvo dos “walkers” ou “errantes”. Não vou descrever o restante da primeira temporada completa, isso é fazer com que perca a graça das emoções vividas em cada episódio.


Os melhores filmes de terror exploram não só o medo do seu público através das personagens em perigo, mas a luta destas pela sobrevivência. São surpreendentes mostras de como o ser humano age em situações extremas, até que ponto ele é obrigado a se apegar e a abrir mão de toda a civilidade e humanidade que existe em si para que saia ileso da morte iminente, simplesmente para continuar vivo por alguns minutos ou mais.
Talvez o sentimento que assuste e impressione as pessoas quando diante de uma obra de horror é a chamada empatia, o de se colocar no lugar daquela personagem, nos angustiamos diante de suas escolhas que a leva à morte ou de encontro a quem as causará, seja um zumbi, um serial killer, um monstro ou fantasma, como se fôssemos nós mesmos a sofrer todas aqueles dramáticos momentos.


A série The Walking Dead trabalha com precisão todas essas vertentes, é impossível não refletir sobre o ser humano, suas fraquezas e virtudes e o verdadeiro caráter que se revela quando o caos se estabelece e desestabiliza o estado mental de qualquer pessoa.
Antes de ser uma obra feita para chocar o telespectador com cenas de corpos putrefatos vagando a esmo pelas ruas da cidade, tendo sua cabeça acertada por tiros e outros golpes, devorando os humanos que encontram pela frente (a série poderia seguir o caminho de filmes que exploram o sadismo e a violência), The Walking Dead foca no desenvolvimento das personagens, além de ser, claro, uma homenagem aos clássicos do cinema que fizeram fama com o uso de zumbis em suas estórias, como os dirigido por George Romero.
Não conhecemos o passado de todas as personagens de uma forma completa, o que descobrimos são fatos que eles mesmos dizem uma para a outra em alguma conversa. Isto dificultaria a identificação e até mesmo a torcida por alguns deles no acompanhar dos episódios da série, no entanto os laços afetivos que nos são revelados gradativamente nos comovem e nos chocam quando acontece, por exemplo, alguma morte na estória, a catarse é imediata, mesmo com tão poucas informações.
Rick, com a autoridade que tinha antes do apocalíptico evento, tenta manter os ânimos calmos do grupo em que se inseriu, ainda possui a esperança de algum lugar seguro ou de alguma cura ou solução para a epidemia que transformou todos em mortos-vivos. Mesmo que em certos momentos nem ele acredite em uma salvação, precisa demonstrar esta segurança e esta fé para deixar o grupo unido.
Outros personagens precisam utilizar a força bruta para se afirmar diante do grupo ou afloram sua vileza com relação aos outros, demonstrando não importar-se com o próximo. Assim enxergamos o verdadeiro ser humano, mesquinho, que não deixa de pisar sobre a cabeça do outro quando preciso, que se enxerga superior mesmo estando na mesma posição ou realidade que aquele, que não supera seus preconceitos, que não deixa de querer ganhar vantagem sobre o outro.
Nesta situação (é aí que reside o mérito desta primiera temporada de The Walking Dead), os humanos, muitas vezes, são mais assustadores que os próprios mortos-vivos.

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