6 de agosto de 2011

Impressões sobre Harry Potter


O que mais me irrita em Harry Potter não é o seu protagonista, suas hesitações inerentes a qualquer herói. Talvez os fãs sejam os mais chatos de tudo o que resultou da obra de J. K. Rowling. Aquela gente que reclama que o livro é “mil vezes melhor” que os filmes exibidos no cinema, pois tem “mais detalhes”. Primeiro que é uma comparação injusta, já que os filmes adaptam as obras literárias e não fazem transposições literais do livro no qual se baseou, segundo que seria insuportável um filme com os mesmos detalhes que a obra, este não terminaria nunca e certamente resultaria em fracasso nas bilheterias de todo o mundo.
Não é o caso de Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte 2, que superou a marca de 1 bilhão de dólares e segue firme rumo às produções mais vistas de toda a história, sendo o trabalho que mais rendeu de todos os que fazem parte desta cinessérie. Podemos dizer que se trata de um sucesso merecido. Desde a estreia do primeiro filme, A Pedra Filosofal, em 2001, que a saga do jovem bruxo tem levado multidões aos cinemas, multidões estas oriundas de leitores ávidos pelos livros escritos por Rowling, leitores estes que importunam os nossos ouvidos com os comentários citados acima e que nunca estarão satisfeitos com qualquer coisa que seja feita baseado em seus livros favoritos.
Confesso que gosto dos filmes do Harry Potter, são bem produzidos, bem dirigidos, possuem um ótimo elenco. Neste último trabalho, Harry finalmente irá enfrentar lorde Voldemort, que matou seus pais e mantem uma estranha conectividade com o jovem bruxo após este evento. Não sou um viciado pela cinessérie e nem cheguei próximo de algum livro da autora inglesa, no entanto este trabalho consegue empolgar e mantém a tensão e a ação do início até o fim da projeção. David Yates, diretor egresso da televisão britânica, consegue finalizar toda a trama com chave de ouro. Os efeitos especiais são um grande chamariz, mas nunca roubam a cena de quem deve ganhar a atenção principal do seu público: os personagens e seus desenlaces.
O último episódio é usado para fechar todas as estórias, esclarecer algumas situações que aconteceram nos filmes anteriores, como a morte de Dumbledore. Harry finalmente tem conhecimento de seu verdadeiro destino e que o enfrentamento com o Voldemort é inevitável. É o tradicional embate entre o bem e o mal que determina toda a trajetória de Harry Potter. Outro tema recorrente é o valor das amizades nas figuras de Weasley e Hermione, que na maioria das vezes resolveram muitos dos enigmas e problemas no lugar de Harry ao longo dos livros e filmes.


Talvez o mérito dos livros e dos filmes também é o fato dos leitores/espectadores crescerem junto com os personagens, chegando à adolescência e enfrentando os mesmos dilemas e incertezas que Harry, Weasley e Hermione. J. K. Rowling criou todo um universo e linguagem próprios, certamente inspirada nos clássicos trabalhos de J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis, engendrando uma mitologia Potteriana, só o tempo atestará a sua criação em um novo clássico ou num modismo mais longevo. Outro aspecto interessante de todos estes trabalhos é o fato de cada livro/filme gradativamente tornar-se mais sombrio e violento à medida que Harry cresce e se aproxima de seu embate com Voldemort.
    Tudo bem que já sabia o final da estória antes mesmo de ir assistí-lo nos cinemas, o havia escutado de uma colega de trabalho que tinha visto o filme. No entanto minha posição não era diferente dos milhões de leitores que o souberam pelos livros, e isto não tirou a graça de todo este trabalho. O único porém fica para um diálogo ocorrido entre Harry e Dumbledore numa estação de trem clean, que me pareceu uma cena tirada do nacional “Nosso Lar” de tão estranha e até mesmo brega que ficou.
    Impossível negar que Harry Potter é um trunfo, do elenco perfeito (de novatos à artistas veteranos do cinema inglês) ao roteiro que amarrou todas as pontas da trama (em sua maioria escritos por Steven Kloves), dos profissionais que assumiram a direção (além de Yates, Chris Columbus, Alfonso Cuarón e Mike Newell) aos responsáveis por todos os aspectos técnicos (direção de arte, figurinos e fotografia, efeitos visuais), entre outras áreas. Pela sua longa duração, são dez anos desde a estreia do primeiro trabalho, Harry trouxe um pouco da magia tão boa de se ver nos filmes de fantasia (e que fazia falta desde o último O Senhor dos Anéis, sem precipitadas comparações, claro), afinal cinema também é escapismo e este último Harry Potter proporcionou duas horas de evasão muito satisfatórias.

Um comentário:

  1. Eu, como fã da série Harry Potter, concordo com a crítica.
    Ainda digo que achei os personagens adultos meio tristes, talvez seja o peso da idade ou sei lá o que. Mas estavam muito murchinhos. he he he

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