25 de agosto de 2011

Por que não lemos livros?


A falta de hábito de leitura é decorrente de muitos aspectos. A influência de outros meios de comunicação como o cinema, a televisão e, principalmente, a Internet, pode ser considerada como um fator que adia o tão aguardado encontro do texto escrito com o seu leitor. Essas mídias, por exigirem um grau menor de concentração e atenção de seus interlocutores e por possuírem uma assimilação mais fácil e rápida da informação, acabam caindo na preferência da maioria das pessoas, algo que não ocorre com o livro.
O cinema traduz em imagens as palavras que o autor escreveu no livro adaptado, ao invés de imaginarmos como seria tal personagem, o mesmo ganha a forma de um ator conhecido. A televisão, ao passar a notícia, seleciona aquilo que acha mais importante seguido de um discurso e opinião já prontos, o telespectador não precisa pensar. A velocidade das informações na Internet, que se renovam a cada F5 que teclamos no computador, faz com que estas sejam repassadas da forma mais simplificada possível, um texto simples que não apresente dificuldades na leitura até a próxima novidade surgir na atualização da página. Os códigos nesses três canais não só facilitam a compreensão como também permitem a execução de outras atividades paralelas.
O livro exige exclusividade de seu leitor não consegue ler um livro, assistir a televisão e arrumar a casa ou preparar o jantar ao mesmo tempo. O leitor precisa estar focado em desvendar o conteúdo do livro e dispor de uma parcela de seu tempo para tal. Tempo em que ele vai interpretar as palavras ali escritas, raciocinar, tirar suas conclusões, concordar ou não com o texto, até mesmo se emocionar. Por exigir tantas habilidades  em somente um ato, ler, as pessoas preferem outros meios de comunicação como recursos para se manterem informadas ou se entreterem.
Vivemos numa sociedade onde o código visual impera. As pessoas estão desaprendendo a ler, não a leitura comum dos tempos do prézinho (decifrar letras, sílabas e palavras), e, sim, saber tirar um entendimento de tudo isto, interpretar criticamente o que cada enunciado quis dizer, até mesmo seus subentendidos. Cabe à escola e à família estimularem e despertarem o hábito da leitura no aluno. A escola com leituras de textos que gerem interesse e prazer no aluno, um desvendar de um mundo novo, exercícios que lhe exijam a compreensão e o senso crítico. A família deve ser um prolongamento do trabalho feito na escola, não com cobranças e reprimendas, na verdade, sendo o exemplo dos benefícios proporcionados pela leitura, pais que leem podem ser um espelho para os filhos que logo farão o mesmo também, por exemplo.
     As pessoas vão voltar a ler quando encontrarem neste hábito algo que lhes ofereça algo novo e estimulante. Não podemos culpá-las totalmente por não lerem, afinal, em sua maioria, são trabalhadores que passam oito horas ou mais em seus empregos, são massacradas pelo transporte público e ainda cuidam dos afazeres domésticos. Fora isso, o alto preço dos livros os torna ainda menos acessíveis ao grande público. O hábito da leitura deve ser acompanhado pela melhoria de nossa qualidade de vida em muitos outros setores da sociedade que, por sua natureza, exclui a grande maioria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário