25 de setembro de 2011

Boardwalk Empire – 1ª temporada


Enfim, consegui assistir à 1ª temporada desta fantástica série da HBO. Boardwalk Empire, para quem não conhece, é ambietada na época da Lei Seca nos Estados Unidos e retrata a trajetória de Nucky Thompson, tesoureiro da cidade de Atlantic City, que enriquece com a contravenção, controlando a cidade com o seu poder e influência. Uma série onde cada episódio assemelha-se a um filme de gângster (claro, sendo esta a sua principal referência), tamanho preciosismo em cada frame.


Criada por Terence Winter, inspirado no livro de não-ficção “Boardwalk Empire: The Birth, High Times and Corruption of Atlantic City” de Nelson Johnson, a série tem produção executiva de Mark Wahlberg e do mestre Martin Scorsese, que dirigiu o primeiro episódio, e é protagonizada por Steve Buscemi, escolha que gerou críticas, muitos o acharam inadequado para o personagem, no entanto as suas primeiras cenas demonstraram que os detratores estavam enganados. Buscemi é a alma do filme, um anti-herói que foge da caricatura de um tradicional gângster, elegante e sociável, porém não menos perigoso, daqueles que não sujam as mãos para livrar-se de seus inimigos ou daqueles que surgem como pedras em seu caminho, manda outros fazerem o serviço sujo. Porém Buscemi não é o único que rouba a cena com sua atuação, temos um grande elenco que conta com Michael Pitt (Jimmy Darmody), como um ex-combatente da Primeira Guerra Mundial, protegido de Nucky, Michael Shannon (Nelson Van Alden), um agente encarregado de combater o tráfico de bebidas e acaba encontrando uma conexão de Nucky com alguns dos crimes ocorridos na cidade, Kelly MacDonald (Margaret Schroeder), imigrante irlandesa que futuramente terá um envolvimento amoroso com o protagonista, Michael Stuhlbarg (Arnold Rothstein), apostador e manipulador de jogos e grande rival de Nucky e Stephen Graham (Al Capone), que interpreta o famoso gângster em seus primeiros passos, ainda como capanga de outro poderoso bandido.
Todos os personagens fogem de seus estereótipos, possuem surpreendentes nuances, um pouco do bem, pelos relacionamentos que mantem, um tanto do mal e da corrupção que contamina a cidade e não poupa ninguém, onde o próprio bem que acham que fazem ou de que são possuidores, traz em si algo de destruição em sua essência. Como o tira obstinado e incorruptível Nelson Van Alden, cujo fanatismo religioso enche-o de culpa, o faz cometer atos extremos como a autoflagelação e até mesmo o assassinato de seu parceiro devido à sua gana de encontrar pistas que o levem até Nucky Thompson, no entanto sua marcha é solitária neste intuito.


Boardwalk Empire traça um belo painel deste período conturbado. A violência, o charme e o luxo dos anos 20 do século passado são um dos atrativos desta série, cuja segunda temporada inicia-se em outubro, onde o glamour escondia a sujeira dos líderes políticos e de todas as instituições, que amparavam-se na hipocrisia de seus discursos como um verniz para o crime cada vez mais crescente, do qual elas próprias eram causadoras e pseudo-combatentes.

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