7 de setembro de 2011

Independência ou morte!


Quem nunca sonhou com a tão sonhada independência? Este desejo nos persegue desde a infância, quando, cansados dos “não podes” ditos a todo momento pelos nossos pais, torcemos para que o tempo passe rapidamente, para que possamos crescer e atingir a maioridade e, assim, vivermos as nossas próprias vidas.
            Ledo engano... Arranjamos um primeiro emprego, fazemos as nossas dívidas, o emprego não nos anima e nos satisfaz, no entanto somos obrigados a continuar por lá para sobreviver e subexistir ou arranjar outro quando a demissão (na maioria das vezes inoportuna) nos assombra.
A independência financeira é outro momento almejado por todos os trabalhadores e enriquecemos os donos das casas lotéricas com esperançosas apostas em Mega Senas, Lotomanias, etc., mesmo com o comum pressentimento de que o ganhador não será a gente, invejamos o vencedor, nos imaginamos em seu lugar, mas precisamos acordar cedo no dia seguinte. Às vezes o imaginar ser rico, milionário pode ser mais deleitoso que o administrar de tanta grana, temos uma parca crença naquele ditado de que o dinheiro não traz felicidade, por mais que ele possa comprar algumas coisinhas de vez em quando.
Sempre buscamos nos libertar de algo, gritar às margens do rio Ipiranga (pode ser Tietê ou aquele córrego poluído perto de sua residência para servir como um improvisado espaço para um marco de sua história) o nosso “Chega!”, o nosso “Acabou!”. Esperamos sempre por uma total independência, uma abolição da escravatura ou uma alforria, que seja, para vivermos felizes plenamente.
            No fundo, cada vez que ansiamos por uma libertação, mais escravos ficamos deste sentimento e mais longe estamos dela, pois automaticamente somos presos à uma outra realidade...

Um comentário:

  1. Caro novo amigo, assim eu espero! Eu tento não declinar de discordar de você, talvez por vislumbrar uma liberdade utópica, mas não consigo. Você, em seu texto, tem razão.
    As “liberdades” são como um sistema caótico e, por consequência disso, cíclico também. É tal como uma cidade rural onde os ratos atacam o milharal, este por sua vez tem péssima colheita, que faz com que os homens fiquem mal financeiramente. Os trabalhadores assim, não casam. As mulheres solteiras criam então gatos para cobrir a solidão vigente. Daí os gatos acabam com os ratos, o milharal rende muito bem, os trabalhadores financeiramente melhores casam-se com as mulheres da cidade que, satisfeitas afetivamente, não criam mais gatos. Com isso os ratos proliferam e tudo recomeça...

    Que irônica angústia!

    Um forte abraço. Sigo-o desde então!

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