30 de outubro de 2011

Falta do que dizer


É recorrente em nossas vidas a falta de assunto. De repente aquela conversa calorosa sobre determinada coisa ganha um silêncio de morte gerando constrangimento. Você caça as mais diferentes questões para abordar com o seu interlocutor e nenhuma parece apropriada. A conversação não precisa acontecer com algum estranho. Até mesmo a amizade com seu melhor amigo ou colega de trabalho está ameaçada por este mal.
O tempo é o primeiro tema no qual recorremos para salvar o bate-papo de um retumbante fracasso. Pode-se falar de uma causo da família que, no entanto, gera um interesse unilateral, de quem apenas conta a história. O outro vai acenar um acordo com a cabeça ou murmurar alguns “ahãs” sem convicções para demonstrar que aquele assunto não o está deixando sonolento. Até mesmo uma doença que o acomete de vez em quando acaba sendo levada à pauta de uma conversa, situação que envereda pelos detalhes mais grotescos, com a precisão de um especialista em qualquer patologia.
Um outro sinal é a forma como o interlocutor responde as perguntas, se são monossílabos mude imediatamente para qualquer outro assunto ou restrinja-se ao seu próprio silêncio. Por vezes, se não há mesmo o que conversar o mais indicado é ficar quietinho. Afinal quem precisa ficar horas integrais conversando com outro, quem disse que precisa ser assim? A falta do que falar denota muitas vezes, a vontade da outra pessoa em não conversar com quem quer e sobre o que quer que seja, talvez ela apenas não esteja afim, por inúmeros fatores, não é você o problema. Quem nunca implorou para não encontrar alguém conhecido durante o seu trajeto, pois preferia ficar quieto? Ficar somente com você e o seu mau humor de despertador berrando de manhã cedo, como eu quase todos os dias.
Tudo bem, vocês podem me acusar de também não ter nada a dizer até então, afinal somente a falta de assunto pode gerar um post de mesma temática. Confesso que estão certos, então retomarei o silêncio, que aqui neste blog fica representado pela falta de posts nos próximos dias, até que uma próxima notícia ou tema venha me inspirar a escrever qualquer outra coisa.

16 de outubro de 2011

Pendências


Não fui ao Rock in Rio (sinceramente com as atrações que estavam lá, foi melhor assim). Não assisti à uma apresentação de ópera. Não viajei para o exterior. Sequer conheci o meu país.
Todo mundo tem suas pendências, aquelas vontades, objetivos ou coisas a fazer que sempre são postergadas para o próximo dia. Dia que tornou-se semana, período que estendeu-se em meses ou até em anos e caem no limbo do alheamento e do olvido.
Pendências podem até ser confundidas com promessas e, muitas vezes as são. As famosas resoluções de fim de ano, aquela oração em que você, pela enésima vez importuna Deus, santos, entidades para pedir algo e, em troca, informa que fará isto ou aquilo, e não faz. Pendências são como aquela poeira jogada para debaixo do tapete, quando esta é quase uma montanha e não há mais possibilidade de escondê-la. É hora de encarar a sujeira e limpá-la ou dar-lhe outro fim.
Um texto a ser escrito (tenho um monte, ai, meu Deus), um livro para ler (inúmeros também), um filme que comprou por impulso e esqueceu na estante, a vontade de falar seus sentimentos à pessoa que gosta, o desejo de gritar seus segredos aos sete ventos e tirar um peso das costas e você, por medo ou receio, calou-se e ainda sofre as consequências deste silêncio.
Preguiça, receio, comodismo, são tantas as razões, que percebemos que somente vai depender de você e ninguém mais resolvê-las. Porém fatores externos complicam a nossa vida, o emprego, uma doença em família, dificuldades financeiras e outras tantas pedras no meio do caminho que nos atem mais ainda à nossa atual realidade e adiam a sua transformação, de colori-la com outras tintas para mudar o monocromático de tons mais sombrios que o hoje possui.
Da resolução de uma pendência depende grande parte de nossa felicidade ou a construção da mesma em pequenos, mas significativos passos. Antes que o saldo devedor seja impossível de se pagar, é bom dar um jeito de quitá-las ou fazer uma renegociação, mesmo que a custo de parcelas a perder de vista e juros altíssimos. Uma hora ela termina ou vira bola de neve...

12 de outubro de 2011

O caso Rafinha Bastos


O humorista Rafinha Bastos é o nome mais comentado nas últimas duas semanas. Sua postura e suas piadas tem gerado controversas opiniões: existem aqueles que acham um absurdo as coisas que ele diz, também há outros que fazem defesa do estilo do cara, acusando os exageros do politicamente correto, que domina o pensamento da sociedade atualmente. Acredito que exista um meio-termo nesta história toda, afinal Rafinha Bastos exagerou no tom de suas piadas e também estamos chegando ao ponto de que qualquer tema para gerar risos trará como consequência pessoas ofendidas. Não me surpreendo afirmar que um clima de censura paire sobre as nossas cabeças. Não estou fazendo a defesa do humorista, penso apenas que ele deve refletir muitas vezes antes de soltar frases estúpidas e grosseiras como: “mulher feia devia agradecer quando fosse estrupada”, xingar a apresentadora da Rede TV de cadela ou de afirmar que “comeria a mulher grávida (a cantora Wanessa Camargo) e o filho em sua barriga”.
Fruto de um improviso, fruto de um pensamento retrógrado e desrespeitoso também. Nesse caso, temos que sempre pensar na velha e boa questão da empatia. Pense que a mulher feia é sua irmã, mãe ou namorada, ou melhor, imagine-se como a mulher feia e sendo vítima de uma relação sexual não consentida, sendo objeto de tal violência, a experiência não deve ser menos do que péssima. Agora imagine que a “cadela” possa ser você, vamos trocar esta ofensa por “corno” ou algo parecido que ofenda a honra masculina (hummmm, ninguém gostaria de ouvir isso também, né?). Agora sua esposa grávida de cinco meses... (é acho que já fui claro, neste caso).
Tais citações apenas reforçam o preconceito do humorista com a própria mulher, suas piadas não são apenas humor, são os valores do próprio artista que as pronuncia em rede nacional para quem quer ouvir. Se uma pessoa dessas, com tal ideologia, ganha voz no horário nobre...
Ok, concordo também que isto não deve virar uma paranoia geral (afinal o próprio Rafinha vem posando de “mártir do humor” com a repercussão e a consequência de seus ditos), vamos policiar todos humoristas e qualquer pessoa para nos indignar toda vez que fizerem uma piada ofensiva, afinal o humor está repleto delas (bichas, loiras, pobres que o digam). No entanto não são apenas eles que fazem declarações absurdas (lembrem que temos um certo deputado do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, que clama aos sete ventos, opiniões repletas de intolerância e ninguém faz nada, até hoje não recebeu nenhum tipo de punição, isso porque é um representante eleito pelo povo e não apenas um humorista).
            A comédia surgiu para retratar o que o homem tem de pior, ao contrário da tragédia grega que visava sempre ações nobres em conflito. É função da comédia representar o ser humano com todos os seus defeitos, extrair o ridículo, o grotesco e o contraditório de suas ações, só que com inteligência, na pretensão de gerar uma reflexão em quem o assiste e não para reforçar o que já está em voga. Comédia é para rir de nós mesmos, humanos, tão patéticos em sua falsa crença de autossuficiência.

Oh, crianças, isto é só o fim...


Somente frases de livros de autoajuda me vêm à cabeça quando penso na palavra criança (“não deixe morrer a sua criança interior”, “todo mundo no fundo ainda é uma criança”). Tudo bem que o dia das crianças é mais uma daquelas datas comemorativas criadas pelo comércio para que nós, consumidores tolos, nos obriguemos a presentear os pequenos com os quais temos algum vínculo (filhos, sobrinhos, afilhados, vizinhos etc.). Ao invés de recorrer ao clichê (não que eu não o tenha usado em muitos dos posts deste blog), prefiro falar sobre as manias infantis que ainda perduram na vida adulta que apenas corroboram o sentido óbvio das frases de autoajuda e demonstram o quanto ainda somos imaturos e deliciosamente infantis...:
  • Cutucar o dedo no nariz (já vi muito marmanjo fazer isso, mesmo que este achasse que ninguém notaria);
  • Molhar o pão no café com leite (esse é um hábito eterno para mim, nunca vou largar esta mania);
  • Dividir a bolacha recheada no meio, comer a metade sem recheio primeiro, depois o restante, isto quando não lambemos o recheio antes de devorar a segunda parte (afinal existe todo um ritual para comer uma bolacha recheada);
  • Brigar por coisas estúpidas (um CD fora do lugar, um pertence emprestado sem sua autorização pelo irmão ou quebrado pelo mesmo);
  • Olhar um objeto de desejo (eletrodoméstico, celular, computador, um carro, etc.) como se fosse a nova Barbie e o novo boneco do Gijoe, com a mesma insistência e ilusão (com a diferença de que nós mesmos pagamos pelo presente);
  • Perder o interesse por este objeto de desejo quando outro novo surgir nos anúncios da televisão e nas vitrines, tal qual aquele carrinho que se transforma, ou solta faísca, ou a boneca que canta uma música irritante (tenho mania de apertar todas as bonecas nas lojas de brinquedo criando um tétrico e engraçado coro momentâneo de “I love you”, “Quer ser minha amiga?”, “Vamos passear”...);
  • Aquela teimosia que só não nos fazem jogar no chão e chorar de manha, pois já estamos grandinhos demais para isso, nos basta o rosto contrariado;
  • O velho pavor da injeção que ainda paralisa homens feitos e fortes e mulheres aparentemente maduras (já presenciei cenas patéticas no hospital, claro que não fui eu o protagonista, em que um brutamontes implorava ao médico para dar um outro tipo de remédio no lugar da injeção);
  • A velha birra que faz com que a gente não vá com a cara daquela pessoa e a mania de jogar a culpa no outro (“Foi ele quem começou...”), pra livrar o seu da reta;
  • A velha dependência masculina das asas da mãe e a manjada chantagem emocional das filhas mimadas pelo pai, mesmo depois de ambos estarem casados.
Enfim, são inúmeras as situações, certos hábitos nos acompanharão até a morte. Já que a vida adulta assim é tão chata, nada melhor do que recordar-se daqueles bons momentos em família em que as responsabilidades se resumiam a tomar banho, fazer a tarefa da escola e voltar para casa antes do anoitecer.

2 de outubro de 2011

Tímidos do mundo todo, uni-vos!


Uma das coisas que mais me irritam é quando alguém vira para mim impressionado quando digo ou deixo escapar um palavrão ou uma frase absurda ou admiro uma pessoa bonita ou fico nervoso com alguma coisa, logo vem uma frase do tipo: “Nossa, você tão quieto, falando assim!...”. O fato de não falarmos com frequência as coisas que vem à nossa cabeça, de não expormos nossa raiva sempre, de não fazer alguns gracejos de vez em quando não significa que não pensemos nisso. Afinal somos seres humanos também por mais que não pareçamos aos comuns que falam pelos cotovelos e agem como bem lhe dão na veneta. Somos tímidos, não robôs.
A surpresa diante de nossa atitude pode ser sinal de alguém pego desprevenido que se assusta com uma atitude inesperada como também de alguém que não prevê no tímido características normais a todo mundo. Assim como não deixo de entrever certa hipocrisia neste tipo de reação.
Timidez é um problema para um bom número de pessoas e é um traço de nossa personalidade que vai nos perseguir durante toda a vida, isto é um fato. Ela pode ser domada em alguns instantes, quando juntamos um pouco de coragem para finalmente agirmos no lugar das eternas conjeturas, mesma timidez que nos impedirá de fazer uma porção de outras coisas.
Portanto, tímidos, expressem-se contra toda vez que um colega vir com os seus “Nossa, fulano!...”, revoltem-se, façam-no ver que você tem sangue nas veias e que você não é proibido de expressar o que pensa.