12 de outubro de 2011

O caso Rafinha Bastos


O humorista Rafinha Bastos é o nome mais comentado nas últimas duas semanas. Sua postura e suas piadas tem gerado controversas opiniões: existem aqueles que acham um absurdo as coisas que ele diz, também há outros que fazem defesa do estilo do cara, acusando os exageros do politicamente correto, que domina o pensamento da sociedade atualmente. Acredito que exista um meio-termo nesta história toda, afinal Rafinha Bastos exagerou no tom de suas piadas e também estamos chegando ao ponto de que qualquer tema para gerar risos trará como consequência pessoas ofendidas. Não me surpreendo afirmar que um clima de censura paire sobre as nossas cabeças. Não estou fazendo a defesa do humorista, penso apenas que ele deve refletir muitas vezes antes de soltar frases estúpidas e grosseiras como: “mulher feia devia agradecer quando fosse estrupada”, xingar a apresentadora da Rede TV de cadela ou de afirmar que “comeria a mulher grávida (a cantora Wanessa Camargo) e o filho em sua barriga”.
Fruto de um improviso, fruto de um pensamento retrógrado e desrespeitoso também. Nesse caso, temos que sempre pensar na velha e boa questão da empatia. Pense que a mulher feia é sua irmã, mãe ou namorada, ou melhor, imagine-se como a mulher feia e sendo vítima de uma relação sexual não consentida, sendo objeto de tal violência, a experiência não deve ser menos do que péssima. Agora imagine que a “cadela” possa ser você, vamos trocar esta ofensa por “corno” ou algo parecido que ofenda a honra masculina (hummmm, ninguém gostaria de ouvir isso também, né?). Agora sua esposa grávida de cinco meses... (é acho que já fui claro, neste caso).
Tais citações apenas reforçam o preconceito do humorista com a própria mulher, suas piadas não são apenas humor, são os valores do próprio artista que as pronuncia em rede nacional para quem quer ouvir. Se uma pessoa dessas, com tal ideologia, ganha voz no horário nobre...
Ok, concordo também que isto não deve virar uma paranoia geral (afinal o próprio Rafinha vem posando de “mártir do humor” com a repercussão e a consequência de seus ditos), vamos policiar todos humoristas e qualquer pessoa para nos indignar toda vez que fizerem uma piada ofensiva, afinal o humor está repleto delas (bichas, loiras, pobres que o digam). No entanto não são apenas eles que fazem declarações absurdas (lembrem que temos um certo deputado do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, que clama aos sete ventos, opiniões repletas de intolerância e ninguém faz nada, até hoje não recebeu nenhum tipo de punição, isso porque é um representante eleito pelo povo e não apenas um humorista).
            A comédia surgiu para retratar o que o homem tem de pior, ao contrário da tragédia grega que visava sempre ações nobres em conflito. É função da comédia representar o ser humano com todos os seus defeitos, extrair o ridículo, o grotesco e o contraditório de suas ações, só que com inteligência, na pretensão de gerar uma reflexão em quem o assiste e não para reforçar o que já está em voga. Comédia é para rir de nós mesmos, humanos, tão patéticos em sua falsa crença de autossuficiência.

2 comentários:

  1. Muito bom o seu ponto de vista! Concordo plenamente! Creio também não ser de bom alvitre os comentários do humorista!

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  2. Toda piada de sabedora água é trágica, ridículo é o humano desengano, falsa crença, todo palhaço um dia atira facas, desvie para poder rir da piada, ou se corte. dói, mas o humor aprende.

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