12 de outubro de 2011

Oh, crianças, isto é só o fim...


Somente frases de livros de autoajuda me vêm à cabeça quando penso na palavra criança (“não deixe morrer a sua criança interior”, “todo mundo no fundo ainda é uma criança”). Tudo bem que o dia das crianças é mais uma daquelas datas comemorativas criadas pelo comércio para que nós, consumidores tolos, nos obriguemos a presentear os pequenos com os quais temos algum vínculo (filhos, sobrinhos, afilhados, vizinhos etc.). Ao invés de recorrer ao clichê (não que eu não o tenha usado em muitos dos posts deste blog), prefiro falar sobre as manias infantis que ainda perduram na vida adulta que apenas corroboram o sentido óbvio das frases de autoajuda e demonstram o quanto ainda somos imaturos e deliciosamente infantis...:
  • Cutucar o dedo no nariz (já vi muito marmanjo fazer isso, mesmo que este achasse que ninguém notaria);
  • Molhar o pão no café com leite (esse é um hábito eterno para mim, nunca vou largar esta mania);
  • Dividir a bolacha recheada no meio, comer a metade sem recheio primeiro, depois o restante, isto quando não lambemos o recheio antes de devorar a segunda parte (afinal existe todo um ritual para comer uma bolacha recheada);
  • Brigar por coisas estúpidas (um CD fora do lugar, um pertence emprestado sem sua autorização pelo irmão ou quebrado pelo mesmo);
  • Olhar um objeto de desejo (eletrodoméstico, celular, computador, um carro, etc.) como se fosse a nova Barbie e o novo boneco do Gijoe, com a mesma insistência e ilusão (com a diferença de que nós mesmos pagamos pelo presente);
  • Perder o interesse por este objeto de desejo quando outro novo surgir nos anúncios da televisão e nas vitrines, tal qual aquele carrinho que se transforma, ou solta faísca, ou a boneca que canta uma música irritante (tenho mania de apertar todas as bonecas nas lojas de brinquedo criando um tétrico e engraçado coro momentâneo de “I love you”, “Quer ser minha amiga?”, “Vamos passear”...);
  • Aquela teimosia que só não nos fazem jogar no chão e chorar de manha, pois já estamos grandinhos demais para isso, nos basta o rosto contrariado;
  • O velho pavor da injeção que ainda paralisa homens feitos e fortes e mulheres aparentemente maduras (já presenciei cenas patéticas no hospital, claro que não fui eu o protagonista, em que um brutamontes implorava ao médico para dar um outro tipo de remédio no lugar da injeção);
  • A velha birra que faz com que a gente não vá com a cara daquela pessoa e a mania de jogar a culpa no outro (“Foi ele quem começou...”), pra livrar o seu da reta;
  • A velha dependência masculina das asas da mãe e a manjada chantagem emocional das filhas mimadas pelo pai, mesmo depois de ambos estarem casados.
Enfim, são inúmeras as situações, certos hábitos nos acompanharão até a morte. Já que a vida adulta assim é tão chata, nada melhor do que recordar-se daqueles bons momentos em família em que as responsabilidades se resumiam a tomar banho, fazer a tarefa da escola e voltar para casa antes do anoitecer.

Um comentário:

  1. "Você culpa seus pais por tudo. Isso é absurdo! São crianças como você..." O Renato tinha razão, não acha?

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