16 de outubro de 2011

Pendências


Não fui ao Rock in Rio (sinceramente com as atrações que estavam lá, foi melhor assim). Não assisti à uma apresentação de ópera. Não viajei para o exterior. Sequer conheci o meu país.
Todo mundo tem suas pendências, aquelas vontades, objetivos ou coisas a fazer que sempre são postergadas para o próximo dia. Dia que tornou-se semana, período que estendeu-se em meses ou até em anos e caem no limbo do alheamento e do olvido.
Pendências podem até ser confundidas com promessas e, muitas vezes as são. As famosas resoluções de fim de ano, aquela oração em que você, pela enésima vez importuna Deus, santos, entidades para pedir algo e, em troca, informa que fará isto ou aquilo, e não faz. Pendências são como aquela poeira jogada para debaixo do tapete, quando esta é quase uma montanha e não há mais possibilidade de escondê-la. É hora de encarar a sujeira e limpá-la ou dar-lhe outro fim.
Um texto a ser escrito (tenho um monte, ai, meu Deus), um livro para ler (inúmeros também), um filme que comprou por impulso e esqueceu na estante, a vontade de falar seus sentimentos à pessoa que gosta, o desejo de gritar seus segredos aos sete ventos e tirar um peso das costas e você, por medo ou receio, calou-se e ainda sofre as consequências deste silêncio.
Preguiça, receio, comodismo, são tantas as razões, que percebemos que somente vai depender de você e ninguém mais resolvê-las. Porém fatores externos complicam a nossa vida, o emprego, uma doença em família, dificuldades financeiras e outras tantas pedras no meio do caminho que nos atem mais ainda à nossa atual realidade e adiam a sua transformação, de colori-la com outras tintas para mudar o monocromático de tons mais sombrios que o hoje possui.
Da resolução de uma pendência depende grande parte de nossa felicidade ou a construção da mesma em pequenos, mas significativos passos. Antes que o saldo devedor seja impossível de se pagar, é bom dar um jeito de quitá-las ou fazer uma renegociação, mesmo que a custo de parcelas a perder de vista e juros altíssimos. Uma hora ela termina ou vira bola de neve...

2 comentários:

  1. Dirija um grupo de teatro e saberás o que é pendência, sempre fica aquele exercício incompleto para o outro ensaio, para o outro ensaio do ensaio de nossas expectativas, até que a mentalidade científica se estabeleça, de fato instituída, as promessas de ano novo são teatros de nossos próprios ensaios dos ensaios de nossas vidas.

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  2. Talvez uma vida seja muitíssimo pouco para atender tantos desejos e vontades que almejamos. Mesmo por que, a realização de um deles implica na inevitável procura de outras dez. Quem sabe isso é que nos fazer permanecer vivos e altivos?

    Forte abraço!

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