14 de janeiro de 2012

Ai se eu te pego...


            Agora a música do momento (instante este que já dura milênios, infelizmente para os nossos ouvidos) é o tal do "Ai se eu te pego", do Michel Teló. Sucesso no Brasil, o cantor sertanejo universitário (não entendo essas vertentes na música brasileira, logo teremos um funk universitário, um infantil universitário, até mesmo o axé universitário, por que não?) agora roda o mundo com esta canção que tem virado febre em outros países. Não esperem de mim, um ataque ufanista de orgulho brasileiro, somente um irônico e mal humorado "que bom que também conseguimos exportar umas canções duvidosas depois de tanto tempo importando os hits de artistas terríveis para nosso território...".
            E torna-se uma perseguição quase pessoal a quem não tem a menor queda pelo refrão grudento desta canção. Nas ruas, nos carros de som, nos bares, até no vizinho e na televisão é uma profusão de "Ai se eu te pego"'s que não tem como escapar. Claro que isso vai durar no máximo este verão, assim espero, até o próximo funk ou coreografia de axé chamar a atenção do público e deixar o lourinho cantor de escanteio, afinal o carnaval está logo aí e o bloco tem que seguir em frente. Os produtores do Teló certamente planejarão mais um ataque (para fazer jus ao nome e ao refrão de seu maior sucesso fabricado) com um hit que não terá o mesmo alcance que o anterior até que o ostracismo inevitável aconteça.
           Mas o que seria da nossa querida música brasileira sem esses grandes artífices do cancioneiro popular contemporâneo, que sempre vão nos reservar letras de música que nada tem a dizer e refrões sem sentido (ou de duplo sentido, já que o povo gosta, ou pelo menos eles acham que o povo a-do-ra)? E a gente é obrigado a conviver com todo este triste contexto, uma vez que a tolerância deve ser cultivada diariamente, ela não serve apenas para não sair gritando e brigar com qualquer um dentro do metrô ou do ônibus lotado, brasileiro tem que ter uma reserva especial para com a sua própria música.
            Que os europeus curtam/sofram com a nossa celebridade pseudo-sertaneja, enquanto isso nós vamos aturando o Arlindo Cruz fazendo samba puxa-saco para a Globo até que o próximo hit brazuca surja e tudo isso recomece... Ai se eu te... quer dizer... Ai, meu Deus!

4 comentários:

  1. Completamente certo, meu caro! Concordo plenamente!

    Muita Paz!

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  2. É impressão minha ou Michel Teló é o primeiro sertanejo EMO do Brasil com esse cabelinho,eu não sou um purista e sei que essa música de entretenimento, num mundo abarrotado de informação, alivia, mas ao repeti-la, por imposição, irrita.

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  3. Posso lhe chamar de Nostradamus? :)

    Creio que tem inteiramente a razão do seu lado!

    Abraços renovados!

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