22 de janeiro de 2012

A Luíza está no Canadá, eu estou aqui o tempo todo...


Muito me impressionam estes fenômenos da Internet que catapultam pessoas para o mundo das celebridades instantâneas e a fama é tão efêmera quanto a sua popularidade emergente da noite para o dia. Uma fala engraçada, um quê de tosquice e amadorismo, uma vaidade que muitas vezes cega os olhos de quem deseja algo mais do que os 15 minutos de fama. O que levam as pessoas ao sucesso nem sempre são elas mesmas, mas o sentimento que acompanha o espectador que adora o bizarro, o brega, o engraçado, o inesperado.
A Internet é revolucionária, sem sombra de dúvidas, afinal, aqueles que não eram do mainstream, não tinham dinheiro para publicar seus livros, gravar seus discos, fazer seus filmes, agora podem se fiar nela para divulgar e propagar seu trabalho para o bem ou para o mal. Muita coisa criativa surge e muita coisa ruim acaba levando destaque sem o merecimento devido, além daqueles esporádicos flagrantes de cenas familiares ou sociais cuja espontaneidade cativa e entretem os internautas (bebês que riem e dizem coisas fofas ou que choram pela morte de uma formiga ou a fã que acha uma “puta falta de sacanagem” que o ídolo tenha ido embora, entre outros bordões que pairam na boca de toda a massa).
Algumas situações nem mesmo possuem explicação de terem tanta repercussão ou é o público, sedento de novidades, que se deixa surpreender por qualquer frase jocosa ou sem noção. O que gosto da Internet é que ela quebra a hegemonia dos grandes meios de comunicação, a celebridade não é somente construída por eles, agora as grandes estrelas rivalizam com gente comum que ganham milhares ou milhões de seguidores e acessos e ficam sob os holofotes momentaneamente. O monopólio pode se dizer que foi parcialmente quebrado, apesar destes fenômenos sempre serem incorporados por estas grandes mídias posteriormente e expô-las até não mais conseguirem extrair interesse do público por este objeto. Por outro lado temos uma certa banalização desta situação, muitos desejam forjar uma fama com vídeos para lá de constrangedores. Não dá para se ter boa vontade para com todos eles.
O egocentrismo, o individualismo imperam, dão à tônica em toda a sociedade deste novo milênio, o "eu" fala mais alto que o "coletivo". Preciso ser popular, que todos me amem, me achem legal, descolado, diferente, por isso publico meu vídeo no You Tube, crio um blog para poder expressar os meus pensamentos, atualizo as minhas fotos no Facebook, fundo a cuca para escrever algo diferente no Twitter (algo que caiba em 140 caracteres). Nada passa pelo filtro unilateral daqueles que ditam o que é bom ou ruim (diga-se crítica especializada, televisão, poderosos da comunicação, produtores), esses conceitos fugiram ao controle destas pessoas (mais um aspecto positivo também do crescimento da Internet), mas nada de muito original surge dessas “manifestações artísticas” ou flagrantes peculiares.
Nada de sincero também, o oportunismo impera e guia nossas digitações, o movimento dos dedos no clicar de uma foto, no apertar o play de uma câmera, na pressão frenética das teclas de um smartphone, nos fazem estudar cada passo nosso, cada atitude mínima, afinal quero também que vejam meu perfil, me sigam e me tornem tão conhecido, que saibam o quanto estou triste, para onde vou, o que estou ouvindo, o que eu tenho e o que adoraria possuir. Se a Luíza, que está no Canadá virou celebridade, por que não eu, que estou aqui no Brasil o tempo todo?
O fenômeno “Luiza, que está no Canadá...” foge à minha compreensão e um curioso “Por que?” ainda assola a mente, por qual motivo um texto pitoresco e ingênuo ganha tanto espaço assim, gerar um burburinho tamanho (acredito que não seja o único a se questionar sobre isso)? Talvez os problemas do nosso país tenham se resolvido, como bem comentou o jornalista Carlos Nascimento, não existam mais enchentes, violência, corrupção, crackolândia e nem problemas com a prova do Enem (eu vou para o lado da teoria da conspiração e fenômenos como este servem para dispersar nossas atenções daquilo do que realmente nos preocupa e atinge) . Assim nós vamos aguardar a próxima novidade oriunda das páginas da Internet enquanto desfrutamos de nosso mundo que chegou à perfeição...

Um comentário:

  1. A internet, como diria Skywalker, tem o seu lado negro da força! Essas ascenções momentâneas são, graças aos céus, tão inexplicáveis como efêmeras.Aproveito,
    prezado amigo, para convidá-lo a visitar a coluna Haicais de Domingos no blog:http://poetasdemarte.blogspot.com/

    onde a partir de hoje eu terei o prazer de postar meus humildes haicais e entrevistas de blogueiros.

    Muita Paz!

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