11 de janeiro de 2012

Um dia no sebo


No último sábado fui ao sebo.
Obviamente, como já esperava comprei mais do que devia.
A gente vê um clássico aqui, um contemporâneo ali. Uma dúvida cruel entre um Érico Veríssimo e um Marcel Proust, batalha cruel e injusta, já que decidir entre parte dos monumentos O Tempo e o Vento e Em Busca do Tempo Perdido é de colocar qualquer leitor em crise existencial e com uma parcela de culpa ao fim do processo. Proust levou a melhor, que fez companhia com outro francês, O Vermelho e o Negro de Stendhal, alem de um brasileiro Raul Pompéia e sua única obra O Ateneu.
Visitar um sebo ao mesmo tempo me deixa alegre em contemplar tantas possibilidades de leitura como também me deixa um tanto pensativo. É inevitável não refletir sobre a quantidade de livros que nunca mais serão lidos, velharias e raridades, obsoletos e muito ruins também, semi-novos ou corroídos pela traça ou mofados. Que destino terão quando a tecnologia finalmente eliminar o papel? O lixo, a reciclagem? E as pessoas que não tiveram a oportunidade de ler algumas dessas obras? Não escrevo isto com atitude prepotente de “Nossa, eles não terão acesso à cultura, à leitura...”, mas com o carinho ao objeto em si, como se os livros tivessem algum tipo de sentimento (humanidade emprestada do próprio homem), e se manifestassem quando ninguém estivesse por perto como os brinquedos do Toy Story. Não deve ser muito diferente...
E lá se encontram os ratos de biblioteca, os apaixonados pela literatura, os curiosos por leitura, os universitários desesperados por economizar algum, até quem não entende lhufas de livro e nunca chegou perto de um em toda a sua vida, todos vasculhando as estantes empoeiradas do sebo, arriscando suas renites para encontrar algo interessante para ler e selecionar um entre tantos, ao custo de uma crise alérgica e espirros de narizes irritados. Aos outros livros destinam-se apenas o esquecimento, restam-lhes as traças que os visitarão com um propósito bem diferente.

4 comentários:

  1. Caro amigo, boa noite!

    Ir à uma megastore, não tem a mesma magia do que uma visita ao sebo, não é verdade?

    Muita Paz!

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  2. Bela foto, belo post, e obrigado por lembrar do risco que é frequentar um sebo sendo alérgico, descobri que não estou sozinho, só fiquei chateado por este escritor existir: Stendhal, poxa vida, sabe quanto foi difícil assumir meu sobrenome, Seidenthal, como nome artístico, alemão e tão difícil, e no fim já tem um escritor de nome parecido, poxa vida! (Risos)

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  3. Concordo contigo, Cristiano!
    O sabor não é o mesmo nem os espirros, que numa megastore são ocasionados pelo ar condicionado...

    Um grande abraço!

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  4. Cada Seidenthal e Stendhal tem suas qualidades e talentos, ao final a confusão vai ser apenas pelo nome. E o Seidenthal atua, escreve, fotografa, os atributos são mais variados que o do francês rsrs


    Um grande abraço!

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