12 de fevereiro de 2012

Carmen Miranda – Uma história pessoal


Sempre gostei de músicas antigas desde pequeno. Elas causam uma estranha nostalgia em mim, afinal não vivi o passado quando estas canções eram um grande sucesso, mesmo assim o saudosismo acompanha o escutar das notas dos instrumentos musicais e da voz marcante de algum cantor (a) ou vocalista de banda. Era essa a sensação que sentia quando escutava de vez em quando na televisão, no rádio, n'algum filme, por exemplo, os clássicos da MPB, não falo de Caetano, Chico ou Gil. Remeto às décadas anteriores ao Tropicalismo e até mesmo à Bossa Nova. Épocas em que o vozeirão dos cantores de rádio ditavam moda e causavam furor em seus ouvintes. Entre essas vozes sempre me diverti ao ver/escutar, por exemplo, Carmen Miranda, mas numa época em que não tinha MP3, download, etc. muito menos dinheiro para comprar um CD da artista, esse sentimento passava despercebido. Tudo bem...
Numa conversa com um colega de um curso que fiz, confessávamos nossas preferências musicais, ambos apaixonados declarados de cantoras em geral. Ele acabou revelando que Carmen era uma de suas preferidas, também disse sobre a minha simpatia, mas nada que mudasse a minha vida ou meus gostos até então. Até que finalmente tive a oportunidade de assistir na televisão ao documentário Banana is My Business, de Helena Solberg sobre Carmen Miranda, sua trajetória me interessou. Na ocasião também houve a celebração do que seriam os seus 100 anos e um outro documentário exibido na TV Cultura, Carmen Miranda - A Embaixatriz do Samba (se não me engano este é o título) foi definitivo para que eu finalmente fosse pesquisar a obra desta artista única. Neste período a Internet já era uma realidade para mim e não foi difícil achar coletâneas com os principais sucessos de Carmen.


Desde então Carmen cresceu no meu conceito, derrubou outras artistas no meu Top Five imaginário das cantoras favoritas e impera gloriosa com canções deliciosas como "Boneca de Piche", "Você nasceu para ser grã-fina", "Honrando um nome de mulher", "Adeus batucada", “Recenseamento”, “E o mundo não se acabou” e tantas outras. Não escrevo como especialista, não sou daquelas pessoas que gostam de um artista e esmiuçam sua vida, decoram nomes e etc. Prefiro ater-me no que é o mais importante: a sua música simplesmente.
O show de Ná Ozzetti (Balangandãs) em homenagem à Carmen foi outro evento que serviu para que se reforçasse a minha admiração por Carmen e seu estilo original. Ná, ainda bem, evitou a caricatura e o pastiche da imagem de Carmen e usou sua bela voz para dar seu olhar particular sobre Carmen Miranda.


Acabei lendo a reverente biografia de Carmen escrita por Ruy Castro e o biógrafo (que mais parece um romancista, tamanha a fluência de suas palavras que nos fazem não querer parar de ler até que se termine o livro) me deu uma dimensão ainda maior do alcance que foi o fenômeno causado por esta cantora, seu nascimento em Portugal (uma pedra no sapato de Carmen, já que a mais representativa artista brasileira não era exatamente brasileira, pelo menos não na certidão, o sangue e a atitude negavam qualquer dúvida), sua infância no Rio de Janeiro, o contato com o ambiente boêmio da Lapa que certamente a influenciou, seus sonhos de ser estrela de cinema, a ajuda recebida de Josué de Barros que a revelou ao Brasil e ao mundo, o primeiro arrasa quarteirão (Taí) e a crescente enxurrada de hits que embalavam os bailes e os carnavais brasileiros até que os americanos a descobrissem e também passassem a amá-la, filmes da política da boa vizinhança com os países da América Latina, retratados preguiçosamente e de forma estereotipada, a maratona de shows que deu início ao seu vício em remédios para manter-se acordada e dormir, a admiração das estrelas de Hollywood, os seus diversos amores, suas grandes amizades, sua generosidade e hospitalidade, o casamento fracassado e o derradeiro adeus.
Enfim, o histórico de uma artista completa, respeitada, um ícone tal e qual Marilyn, que eternizou os turbantes de frutas, a baiana e os balangandãs para o mundo. Fama nunca alcançada antes por qualquer brasileiro e nunca superada até hoje por ninguém.

4 comentários:

  1. Disseram que voltei americanizada...

    Assista esse clip, meu caro. Você vai gostar!

    http://www.youtube.com/watch?v=u1lCRZ9MFa4

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  2. Muito legal o seu blog! Gostei dos temas abordados! Parabéns!
    Eu vim te agradecer pelo seu comentário e leitura sobre minha entrevista no Blog Poetas de Marte.
    Obrigada pelo carinho. Te sigo.Beijos

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  3. Oi Wesley!
    Gostei muito o que li aqui sobre Carmen. Desde 2009 passei a conhecê-la e hoje é uma das minhas cantoras prediletas! Esse documentário é sensacional! Estou pra comprar essa biografia feita pelo Ruy como outra, bastante elogiada, dos anos 70, feita pelo jornalista e historiador Abel.
    Que haja mtos de nós redescobrindo Carmen, fazendo sua memória ficar mais e mais viva.
    Abcs,
    Bárbara.

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