23 de fevereiro de 2012

Carnaval e o estigma dos feriados



E o ano começa oficialmente. Com o fim do Carnaval podemos retomar enfim as nossas vidas e sonhar com os feriados vindouros. Pois temos a impressão de que tudo parece suspenso desde 1º de janeiro até que a quarta-feira de cinzas venha por um ponto final nas comemorações dos foliões, certa impressão de que a realidade cai como uma bigorna sobre as nossas cabeças, revelando-se por completo. Agora é voltar a estudar sem maiores interrupções, somente a Páscoa nos reservará algum descanso, o trabalho acumulado no serviço vai cobrar atenção e, com muita, mas muita pressa. Tudo vai ser para ontém. É, aproveitou quem quis e quem pode... Para o restante só resta o lamento ou o seguir em frente...
Afinal como ansiamos pelo relaxar num feriado. Tem gente que reclama que o país tem feriado para tudo, que isso gera prejuízos de milhões em nossa economia e etc etc. Na verdade reclama apenas aqueles que dependem do trabalho alheio para poder enriquecer mais um pouco. Não sou contra feriados. Uma população que sobrevive com um salário mínimo, trabalha mais de oito horas por dia, sofre com um transporte público precário, adoece com o descaso político, mereceria até mais feriados. Até mesmo como gratidão ao seu silêncio contrito diante de tanta injustiça, do sorriso de escárnio do qual se dá o direito, da pouca vontade ou falta de atitude (condicionada, devemos reconhecer) de cobrar daqueles que mereceram o seu voto alguma postura diferente da sanguessuga atual.
Observo as pessoas comentando na rua sobre a profusão de feriados em nosso calendário, mas estas são as primeiras a pular de alegria quando o expediente termina e veem-se livres enfim das amarras do emprego. São as primeiras a organizar um bate-volta na praia, uma visita aos parentes noutra cidade, viagem a outro estado. Na verdade, os ricos não querem que os pobres gozem da mesma folga da qual que eles possuem, há uma conspiração desde quando este mundo é mundo e o ser humano é cada vez mais desumano, para massacrar as grandes populações de um modo que elas nem percebam esta violência moral e não tenham tempo para refletir sua condição. Afinal, cabeça vazia é oficina do diabo, o diabo para os poderosos é a própria consciência despertada em cada brasileiro de seu verdadeiro papel na sociedade.
Então não sirva de ventríloquo daquilo que seu patrão pensa, já que não vai compartilhar de seu lucro em momento algum. E cruze os dedos para que a Páscoa chegue logo, faltam quantos dias mesmo?...

Um comentário:

  1. Perfeito, cinéfilo amigo!

    Que se danem os malditos hipócritas, supostos aprendizes de capitalistas selvagens,que dizem detestar todo e qualquer feriado.

    É muito bom termos tempo para exercer o digníssimo exercício do ócio!

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