29 de fevereiro de 2012

Internet-Ego-Indivíduo


Quando nascemos, nossos pais logo nos concedem, geralmente com antecedência, quando descobrem nosso sexo, um nome para nos diferenciar dos outros bebês, tão fofos e “caras de joelho”, muito iguais também. Nossa individualidade começa com um nome mesmo não sendo um escolhido por nós mesmos. Crescemos sujeitos à educação daqueles que nos geraram, mas quando a adolescência vem, manifestam-se mais evidentemente as nossas vontades. Queremos usar tal roupa, adoramos aquele artista, escolhemos pertencer a determinado grupo ou pelo menos almejamos integrá-lo um dia, começamos, enfim, a nos moldar. Tornamos-nos adultos e a busca por destacar-se, mesmo que discretamente, nos guia em nosso trabalho, na roda de amigos, na família, em tudo qualquer canto.
Vivemos o mundo do hiperindividualismo. E a Internet com suas redes sociais e aplicativos estão aí para demonstrar esta realidade. Facebook, Orkut, Twitter e tantos outros que servem como um outdoor de promoção daquela pessoa, viraram plataformas para elas se exporem e anunciarem a sua intimidade a todos que quiserem ou se interessarem. Estes sites de relacionamento servem e muito bem ao “eu” das pessoas que, por carência ou egocentrismo, atualizam seus perfis a cada minuto com fotos e posts, sentem a necessidade extrema até mesmo de relatar às centenas de amigos que está indo ao banheiro ou comendo um macarrão ou com vontade de beber uma cerveja.
Não podemos esquecer dos blogs, e não faço aqui um fogo amigo, já que eu não posso financeiramente arcar com a publicação de um livro, não tenho uma coluna semanal numa revista e não colaboro para nenhum jornal, crio minha própria página onde estou livre para escrever o que desejar, expor minha opinião sobre as coisas, falar daquilo de que gosto e que não gosto, é uma ferramenta da qual posso recorrer. A quantidade de blogs é incrível, já a qualidade destes é questionável (nisso incluo o meu, cujo julgamento eu deixo para vocês leitores e seguidores rsrs), a sinceridade e os propósitos destes também.
Enfim, o ego fala mais alto, grita, esperneia, se manifesta nas páginas da web, boas ou más, não posso dizer, mas com a alta demanda, sempre deve sobrar alguma coisa interessante que se salva e faz a diferença. Cabe a você fazer a tão necessária peneira e encontrar aquilo que te fala mais à cabeça ou ao coração, da mesma forma com que agimos usando o controle remoto ao ver televisão. Use então a Internet apenas como ferramenta para a informação que desejamos.
Óbvio que muitos lamentarão a sua ausência, já que não será mais um seguidor, um amigo e não poderá presenciar o relatório cotidiano destas pessoas tão sequiosas de atenção e prestígio internauta.

4 comentários:

  1. Cinéfilo amigo,

    Sou blogueiro inveterado e concordo com seu ponto de vista em relação â qualidade dos blogs existentes na WEB. Muitas pessoas fazem deles tal qual uma página de facebook, twiter ou orkut, os quais eu particularmente detesto. O propósito não é esse!

    Uma vez ouvi de um colega de trabalho que a explicação para o sucesso des seites de relacionamento é que, segundo ele, o ser humano tem um desejo inefável de ser uma celebridade. Achei engraçado, e um tanto exagerado confesso, ele citar como exemplo ratificador os imãs de geladeira que lotam o eletrodoméstico com rosto de crianças que há pouco fizeram aniversário.

    Sigamos!

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  2. Wesley,
    Gostei muito desse texto reflexivo, até porque costumo dar uma de analista de comportamentos também. É a primeira vez que aqui venho e fiquei contente em saber que você é cinéfilo, também o sou embora raramente me aventure em comentar filmes. Já fiz alguns comentários e o convido a ler "Filme: O ovo da serpente" que publiquei em meu blogue www.jairclopes.blogspot.com
    Quero que você opine sobre o meu texto, considero, dos cometários que já fiz, ser este o melhor. Abraços e parabéns pelo blogur. JAIR.

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  3. Pois é, Wesley. O mal é esse desejo enorme de tornar-se celebridade, não importa se escritor (tal qual Paulo Coelho e Augusto Cury), ator, pintor, panicat ou um BBB...
    Pois é, o espaço do bloguer tem muita coisa ruim, mas muito boa também. No entanto, concordo que há uma maioria mediocremente ruim... hehehe

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  4. Podes crer, compadre. Um individualismo disfarçado de coletivismo. Há um post no Chongas interessante e apropriado para o momento: http://www.chongas.com.br/2012/02/vida-social/

    Não tenho nenhum ponto de discordância do seu texto.

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