15 de abril de 2012

Pessoa-Vulcão


O vulcão Etna, localizado na Sicília – Itália, é o mais ativo do mundo. Uma das imagens que muito me impressionam na natureza é a de um vulcão em atividade. O irromper das lavas, a incandescência do magma que vem do centro da Terra, a densa fumaça que faz desenhos no ar. Um quê de destruição, um bocado de épico em sua manifestação. Grandiosidade que nos põe tão tacanhos e medíocres diante da vastidão natural que nos cerca, tão vulneráveis aos seus caprichos. Assustador e belo de se ver ao mesmo tempo.
As pessoas também assemelham-se a vulcões, permanecem adormecidas durante muito tempo, tolerantes com as situações que acontecem ao seu redor, absorvendo os problemas que as chateiam e irritam e, de repente, não mais que de repente (como bem já escreveu o poeta Vinícius), vem a inesperada explosão pegando a todos de surpresa, espalhando estupefação e bocas abertas dos despreparados para aquela reação.
Geralmente pessoas tímidas, reservadas e caladas costumam ter este tipo de atitude, controlam-se o tempo todo dos mais diversos modos, no entanto, num determinado momento, não podem reprimir o magma que emerge de si mesmas e choram, gritam, brigam, quebram coisas, muitas vezes por motivos menos relevantes, até mesmo pueris, do que aqueles que elas relevaram e se seguraram para não expressar de maneira mais violenta seus sentimentos e impressões.
Muitas vezes perdi a cabeça pelo fato de não encontrar um objeto (e ele sempre estava praticamente na minha cara) ou porque desligaram o aparelho de som quando me empolgava com alguma canção ou porque largaram roupas e coisas que não eram minhas sobre a cama em que eu durmo (tudo resultado de outros preocupações que me atormentavam até então). Geralmente também irrompemos num dia de fúria por causa da recorrência de um fato ou atitude que nos põe em estado de nervos, quando esta coisa se repete pela enésima vez, não aguentamos e nos destemperamos. Pessoas que tem mania de fazer brincadeiras que você não gosta, um hábito alheio que atrapalha seu trabalho e você por educação ou receio não reclama (o indivíduo (a) que tem a bela mania de falar alto ao telefone enquanto você está trabalhando ou de ouvir música no celular inconvenientemente etc).


Por falar em celular, vocês se lembram do filme “Um Dia de Fúria”, com o Michael Douglas? Certamente ele arrebentaria o sujeito ou o próprio aparelho celular deste que se atrevesse a ouvir música no ônibus, metrô ou trem sem fone de ouvido. Quem em sã consciência acha que as pessoas não se incomodarão com a música que ouve em volume alto, seja o funk proibidão ou a canção evangélica mais fervorosa?
As situações cotidianas testam nossa paciência ao limite e chega uma hora que não é mais possível resignar-se, precisamos extravasar os nossos sentimentos para nos livrar da carga de emoção que diariamente se acumula em nós. E o que sai de dentro da gente (a atitude esquentada) queima, destrói, assusta, mas modifica a paisagem, nada é mais o mesmo quando acontece a erupção, a lava esfria, sedimenta-se, o solo deixa de ser plano, apresenta depressões e pedras em brasa pelo caminho.
Gostaria também de irromper mais vezes, falar assim de chofre o que vem à minha cabeça, não calar-me sempre. Também reconheço que o silêncio é de ouro e que minha timidez e discrição ajudam-me em diversas circunstâncias. Vamos aguardar pelo motivo da próxima erupção. Faz tempo que ela não acontece, nem todo mundo é igual ao Etna...

3 comentários:

  1. Concordo contigo, cinéfilo amigo! É bom, ainda que não de forma bastante explosiva, como o M. Douglas, expulsar de dentro o que certamente nos faria muitíssimo mal!
    Engolir sapos não é sempre legal!

    Muita paz!

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  2. Deixo aqui um vídeo para xs leitorxs do espaço: http://vimeo.com/40411264

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  3. Parabéns pelo post. também gosto muito deste fenômeno, perigoso de perto, mas lindo de longe, certa vez assisti um documentário sobre a explosão de um vulcão, destruiu tudo ao redor, e no prazo de 10 anos, tudo se refez, toda fauna e flora, os cientistas agora estão estudando as variáveis do antes e depois, o que mudou na natureza ao redor.

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