29 de julho de 2012

Amor de perdição – Camilo Castelo Branco


O que seria da literatura sem as histórias de amor impossíveis? Desde Tristão e Isolda, Romeu e Julieta que estas paixões vêm sendo retratadas nas mais variadas formas e locais, mas sempre com o tom trágico e urgente dos escritos que lhes deram origem e inspiração. Cada nacionalidade possui uma espécie de variante deste amor clássico que emociona leitores do mundo todo. Portugal tem em Amor de Perdição o seu representante.
Escrito por Camilo Castelo Branco, este livro emblemático do Romantismo Português narra as peripécias de Simão Botelho e Teresa Albuquerque, filhos de famílias inimigas que se apaixonam e não conseguem concretizar o seu amor. Simão tem personalidade forte, fama de arruaceiro na Universidade de Coimbra, até regenerar-se após se apaixonar pela filha pertencente à família rival e luta contra tudo e todos para ter Teresa em seus braços. Mas o destino parece sempre conspirar contra este amor.
O bom e velho folhetim, com a descrição minuciosa de Camilo Castelo Branco e personagens inesquecíveis como João da Cruz, ferreiro que desempenha uma função paterna, ajudando Simão nas suas tentativas de se aproximar de Teresa, e Mariana, filha de João da Cruz, que é vista por Simão como uma irmã, mas que também alimenta uma paixão pelo protagonista. Ela é ao mesmo tempo a amiga que ajuda Simão e inimiga de si mesma, pois sabe que toda vez que auxilia o seu grande amor, longe de conquistá-lo está.
            A tragédia permeia toda a trama, desde a briga entre as famílias Botelho e Albuquerque, o antagonismo de Baltasar, primo de Teresa que arma para separar o casal e casar-se com ela, à prisão, a reclusão num convento, o degredo, o sofrimento pela distância dos apaixonados, as cartas cheias de lamento que trocam um com o outro.
Para quem está acostumado aos livros açucarados de Nicholas Sparks, ler Amor de Perdição e outros romances e novelas do século XIX ajudará a entender como o amor tornou-se o tema primordial e fonte de inspiração para diversos autores, até cair na banalização naquele mesmo século e ainda repercutir nos dias de hoje em telenovelas, filmes e na música.

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