15 de julho de 2012

É goooooooooooool!!!


Corinthians, campeão da Libertadores. Palmeiras, campeão da Copa do Brasil. Ambas as vitórias extremamente comemoradas, assuntos de todas as rodas de conversa, um verdadeiro monopólio no bate-papo entre os homo sapiens. Incrível como o futebol desperta ações e reações acaloradas, paixões inflamadas e brigas igualmente abrasadoras. Virou um assunto tabu, está ao lado da existência de Deus e das preferências sexuais entre aquelas conversas que nunca chegarão a lugar algum, porque ninguém abre mão de seu ponto de vista e ainda quer convencer e converter o outro de que está certíssimo.
Logo de início compartilho que não torço por nenhum time, sequer me abalo com os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo (na campanha do pentacampeonato, dormia tranquilamente enquanto todos perdiam seu sono na madrugada para acompanhar os jogos do Brasil). Não quero ser também o sujeito arrogante que despreza aqueles admiradores do futebol, afinal as pessoas gostam deste esporte da mesma forma que eu adoro ler e ver filmes, uma paixão como outra qualquer, nem menor, nem maior.
No fundo me atrai o caráter passional que motiva e move cada jogo e suas personagens. A ânsia causada na torcida durante os passes, dribles, chutes dos grandes jogadores, a alegria gerada pelo acertar da bola na rede (mesmo que isto custe minha noite de sono, como nos últimos dias em que fogos pipocaram no céu como se fosse uma noite de réveillon). Chama-me a atenção o dom enciclopédico de algumas pessoas de lembrar-se da escalação do time no amistoso de quinze anos atrás ou do primeiro título importante em 1974. E me divertem as provocações entre os integrantes de torcidas rivais que beiram a grosseria e o preconceito, no entanto tudo assimilado e levado como brincadeira por quem fala e quem ouve. Mas um fato que é incompreensível para mim é a violência de uma minoria que mata e agride pessoas de outras torcidas, além de ameaçar seus jogadores e fazer vandalismo nos estádios e nas ruas. Por mais amor ao time de coração que esteja envolvido nesta história, nada consegue justificar estas atitudes.
Brasil é o país do futebol e esta paixão não data só de hoje e foi muito explorada pelos militares como uma forma de distrair os brasileiros das atrocidades e crimes cometidos durante a ditadura. Acredito que, mesmo de uma forma mais velada e estando hoje num contexto “democrático”, o futebol ainda serve para a mesma tática política de dispersar os pensamentos das pessoas dos problemas que afligem nosso país e da roubalheira descarada que se faz nos congressos e câmaras. Se as pessoas aproveitassem a mesma verve fanática que tem para com seus times favoritos para cobrar os seus direitos dos políticos que votaram na última eleição, este Brasil poderia estar um tanto melhor.
Também não vamos culpar os torcedores de futebol pela miséria e corrupção brasileira, a nossa triste realidade é fruto histórico, data desde 1500, a coisa só foi agravando com o passar dos séculos e anos, incrustou-se na pele e não há banho que faça sair essa passividade e esta mania de querer tirar proveito de tudo. Se tiver que haver uma mobilização tem que ser de uma grande massa e não somente de um determinado grupo ou segmento, o que faz com que meu lado pessimista e niilista aflore para dizer que as coisas possam não ter mais solução.
Enquanto isso o futebol segue rei e majestade como o esporte mais popular do mundo e em terras tupiniquins, conquistando um número maior de torcedores (homens, mulheres, adultos, crianças) e produzindo talentos para exportação. Eu continuarei impassível diante do correr de 22 jogadores atrás de uma bola sobre um gramado verde, pois como já costumo conversar com meus colegas: é uma preocupação a menos na minha vida. Por outro lado, devo reconhecer que é uma alegria a menos também.

Um comentário:

  1. Na postagem de hoje, cinéfilo amigo, digo que sou diferente de ti somente no tacante à predileção por futebol! Sou um amante inveterado e totalmente contra à violência desnecessária e desmedida!

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