19 de agosto de 2012

A Bienal dos muitos livros e leitores


A Bienal dos muitos livros e leitores. Livros ao dispor de todos. Ao dispor de quase ninguém ao mesmo tempo (o preço ainda é muito alto). Livros de todas as cores, formatos, gêneros. Que falam aos diversos corações e mentes. Mentes que se perdem entre tanta oferta, mentes que se ocupam apenas em comprar, mentes que talvez não se ocuparão em lê-los num futuro próximo ou distante. Pessoas que desejavam trazer uma biblioteca inteira consigo mesmo sabendo não dispor de tempo hábil para se permitir a uma leitura  prazerosa e esclarecedora.
Tenho diversos livros em casa, muitos comprados por uma espécie de compulsão, um vicio, afinal todos acham, assim como eu, que uma hora vai ter contato com suas histórias, teorias etc..
Um autor não consagrado não chamando a atenção da multidão que circula indiferente pelos corredores. Um autor conhecido que congestiona as passagens com seus fãs e curiosos e torna ainda mais difícil o passeio pelo Anhembi. Local dos filhos pródigos e dos patinhos feios da literatura. Orgulhosos da sua bibliofilia passeiam com suas sacolas. Arrogantes de suas preferências exibem suas escolhas aos amigos. Ambos sinceros em suas paixões pelos Clássicos e Best Sellers.
Gutenberg sobrevive às intempéries da tecnologia, os Audiobooks, os E-readers e Ipads ainda não tomaram por completo o lugar do livro impresso. O toque das folhas de papel ainda não perdeu seu fetiche, seu hábito. Se não tiver o seu aspecto físico, se converter-se em bytes, megas ou gigas, o livro ainda será livro de qualquer jeito.
Salvar-nos-á do tédio das conduções (o boicote que sofremos nos transportes públicos), da inércia dos lares (quando o torpor nos põe inúteis e indecisos do que fazer, largados no sofá). Salvar-nos-á de nós mesmos e da opressão do mundo exterior.

2 comentários:

  1. Wesley
    Sou "livrófilo" desde sempre e curto feiras bienais ou não de livros e quais quer lugares, já fui a bienal de SP duas vezes e faltei este ano. Mas o que quero dizer é o seguinte: não consigo (me falta tempo hábil) ler tudo que gostaria, embora leia, em média, mais de sessenta livros por ano, sinto que meu tempo vai se esgotar sem que tenha lido tudo que pretendo. O livro em papel está meio desprezado pelo aparecimento das opções eletrônicas, mas ainda o acho insuperável. Livro eletrônico não tem cheiro nem consistência. Abraços e parabéns pelo texto, JAIR.

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