2 de setembro de 2012

O tédio do domingo


Muitos dizem que a segunda-feira é o dia mais chato da semana. Até que concordo. Porém às vezes o domingo parece concorrer acirradamente com a rabugenta segunda. Respondam em qual dia sentimos mais o peso do tédio, qual dia nós ficamos tão tristes por justamente ele ser o antecessor do dia pertencente ao trabalho, ao stress, aos estudos na escola, faculdade? Os amigos todos se aventuraram em seus próprios programas, a televisão não ajuda, os cinemas e locais de diversão geralmente estão cheios de gente, o transporte público praticamente não funciona direito, com intervalos maiores que os dias normais entre um ônibus, metrô ou trem e outro. Praticamente desencoraja o cidadão que não possui o carro de sair e distrair a cabeça.
As pessoas sempre padeceram deste tédio de domingo, não se sabe se pela falta de alternativas do fim de semana, se pela iminência da tão temida segunda-feira ou por algum outro fator sobrenatural ou psicológico. Simplesmente não se consegue concentrar em fazer qualquer coisa, a leitura não rende, aquele CD favorito irrita ao primeiro toque ou refrão, o filme que se estava louco para ver dá sono. O sono é um companheiro inseparável, tenaz ao seu lado retendo-o na cama até às 11 da manhã, sono que também é preguiça, que age à surdina e te faz preparar aquele Miojo ou lanche mequetrefe ao invés daquele prometido e tantas vezes postergado almoço decente, quase igual ao da mãe. O cérebro emperra e quase te impede de escrever e pensar.
Há quem defenda que é a falta de uma família, há quem seja partidário da opinião de que se deva mudar as próprias atitudes, há quem sugira uma consulta ao psicólogo, há quem vá compartilhar da mesma impressão que a sua. Existe sempre alguém para se solidarizar com a agonia alheia, afinal pais e mães de família não estão livres de sentir este tédio dominical, pessoas que buscaram mudanças em sua personalidade não exorcizaram esta possível maldição e um psicólogo não vai ajudar muito neste quesito, no máximo identificar que a origem deste desconforto vem da infância (e inculcar um complexo como o de Édipo na cabeça) e recomendar alguma atividade (como se já não se tivesse tentado isto antes).
Mais um fim de semana se foi e não sabemos como passamos por ele, quem sabe o sofá e a cama possam relatar alguma coisa? Que eles deixem para fazer as suas revelações depois do próximo despertar e do bocejo macambúzio... O que acontecerá apenas na segunda-feira, somente com ela é que acordamos enfim deste estado letárgico que o domingo causou, aparentemente...

4 comentários:

  1. Cinéfilo amigo,

    eu culpo o Velho Testamento. Não ficaria com nenhum sentimento de culpa se eu, há época,hebreu contemporâneo de Abraão, estive a redigí-lo colocando que o Todo poderoso fez nosso planeta em seis dias e depois descansou mais 4, pelo menos. Deveriam existir mais uns três domingos na semana para ficar de bom tamanho.

    Não sei você, mas eu, certamente, não tenho tendência e nem admiração por workaholics.

    Muita paz!!!

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    1. Quatro domingos seriam ótimos, Cristiano!

      Não sou e nem gosto de workaholics, as pessoas se encontram no trabalho (até entendo), eu prefiro me encontrar no cinema, literatura e outras coisas mais prazerosas.

      Abraço!

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  2. olha, o domingo "[...]é um cunhão" (Ane Montarroyos, s.d.) pense num diazinho apurrinhado, imagina que para melhorá-lo ontem passei 12h com dor de cabeça, é p se fuder meu veio. Esse mundo capitalista filho da puta, onde nós trabalhos para sustentar vampiros e temos apenas mais ou menos 48h para gozar repouso. Puta que pariu! Que maravilha. Olha outro dia fiz um poemas sobre um domingo e transformei ele em vídio, saca aí camarada blogueiro: http://www.youtube.com/watch?v=yqcozGZSbzU

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    1. D. Everson!

      Belíssimo poema! Traduz muito bem o enfado que sentimos no domingo... Nada como a poesia pra trazer um pouco de cor para esses dias.

      Um grande abraço!

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