21 de outubro de 2012

A Trégua, de Mario Benedetti


     Escolher o livro para se ler envolve muitos mistérios além das óbvias preferências literárias por um autor ou gênero. Às vezes, a sorte ajuda na escolha feita e você acaba se surpreendendo. Foi o que aconteceu comigo com o romance A Trégua, do uruguaio Mario Benedetti. Não conheço sua obra, tive contato com este trabalho pela coleção do jornal Folha de São Paulo e nem era uma das minhas primeiras opções entre os autores mais populares como Borges, Lorca e Saramago que compunham os outros títulos integrantes. Eis que o pego a esmo na fileira organizada dentro do guarda-roupa e, num passe de mágica, após o contato com as primeiras palavras, já estava eu preso aos escritos de um diário ficcional de um funcionário de repartição viúvo prestes a se aposentar e que redescobre o amor. Martin Salomé, 50 anos, tem um trabalho burocrático, uma relação distante com os filhos, um olhar pouco impressionável sobre as coisas, um tanto frio, talvez influência do tipo de função que exerce e da falta que sente da esposa morta. Laura Avellaneda, sua nova funcionária, traz um pouco de cor à sua vida gris, dando-lhe novas perspectivas para sua aposentadoria a qual não esperava mais nada além do prolongamento do tédio que sente no seu serviço e na vida familiar. Um romance emocionante que nos cativa pelos relatos sinceros escritos pelo protagonista que se equilibram entre a dureza e a ternura, o desengano e a delicadeza, o inspirador e o melancólico em páginas que devoramos em questão de dias e dificilmente as esquecemos.

2 comentários:

  1. Ele realmente encantador. Quando puder leia as poesias! são sublimes!! Gosto muito.

    Há algumas aqui! http://amediavoz.com/benedetti.htm

    Um abraço! ;)

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