2 de dezembro de 2012

O enigma do fim do ano









Não sei o que acontece. O fim do ano se aproxima e o cansaço físico parece maior, as preocupações maiores, as filas maiores, somente a nossa paciência que não. Ficamos com a desesperadora impressão de que devemos concluir tudo aquilo que pretendíamos nos meses anteriores e não foi possível. O sentimento de urgência das coisas. É comum também a frustração com o resultado do balanço negativo que fazemos de nosso próprio desempenho. Sempre temos maiores perdas do que ganhos. Se eu pudesse definir 2012, defini-lo-ia como um ano de trancos e barrancos, mas aí seria uma impressão pessoal, cada um que pinte a sua própria.
Outra coisa que eu não me entendo. Chega esta época que antecede as festas de fim de ano e eu só desejo apenas que tudo aconteça logo e o próximo ano venha logo para acabar com a celebração, estas confraternizações todas. De forma rápida, indolor. Talvez seja meu lado ranzinza que fala mais alto. Não consigo ser cem por cento solar, alegre e foi-se o tempo em que eu também me preocupava com os triviais “o que vou vestir, que cor usarei na virada do ano” (coisas da infância e adolescência), mesmo por que esta prática resulta nas “quais contas pagarei agora?” (coisas da vida adulta). Vou retomar à velha ideia e ao clichê de que esta época rima com consumismo, que já foi tema de algum post anterior aqui (“Ineditismo que é bom, nada, não é Sr. Wesley?”, questiona alguém dentro da minha cabeça.). Vocês ganharão seu décimo terceiro, porém o torrarão todo em presentes e produtos para a ceia cara e farta! Gargalham os donos das lojas e supermercados, afinal o Natal e o Ano Novo são apenas felizes para eles.
Para nós resta a ingênua impressão de felicidade que vai se dissipar (tão rápido quanto à beleza dos fogos de artifício que enfeitam os céus) quando o despertador tocar e tivermos que trabalhar para dar conta dos prejuízos do ano que se passou e, quem sabe, arranjar certo ânimo para novos objetivos. Resta-nos a ligeira esperança de que tudo será melhor no ano que vem. Afinal não podemos capitular ao pessimismo mesmo que outros, como este que vos escreve, carreguem de negatividade os dias vindouros.

Um comentário:

  1. Muito bem, meu caro! Um outro ano começa, contudo, a vida é a mesma!!

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