23 de janeiro de 2013

Da banalidade da morte e da vida


Pipocam nos jornais notícias de homicídios que assustam até mais pelos motivos que levaram os assassinos a tal atrocidade do que pelo próprio crime em si. Todos estes atuais eventos fazem-me lembrar de um dito antigo que meus pais e outras pessoas mais velhas costumam falar: “A vida não vale um centavo”. Numa sociedade onde crianças são criadas sem qualquer limite, onde os jovens crescem sem qualquer noção de responsabilidade, fica mais difícil de entender o valor da vida em nosso meio atualmente. Não podemos culpar apenas a contemporaneidade, as novas gerações, tudo vem acontecendo de modo cumulativo. A falta de respeito ao próximo, a pouca importância dada à vida é histórica.
Quando pessoas matam umas as outras por causa do preço da refeição (aí não importa se você é o consumidor que reclama ou o dono do estabelecimento que alerta sobre desperdício de comida no restaurante), devido a um assalto, mesmo estando a vítima nos últimos meses de gravidez, ou elas simplesmente invadem escolas e atiram a esmo ceifando a vida de crianças e professoras, algo está errado. Nada que nos surpreenda em alto grau já que passamos por diversos conflitos étnicos, chacinas, genocídios. Na verdade estamos numa saturação de tudo isto, fastio causado pela hiper-exposição de casos trágicos e sangrentos nos jornais, programas de TV mundo cão.
Lamentamos a morte e a vida prossegue no seu fluxo irreversível. Reclamamos até quando alguém tenta se matar no metrô ou no trem, por termos a nossa rotina abalada por este fato que deveria ser recebido com pesar e não o contrário, pois para nós é mais importante não chegarmos atrasados ao trabalho do que a integridade física ou a sobrevivência de alguém que resolveu recorrer a um ato desesperado. 
Momentos violentos e banais, como estas notícias de jornal, servem, ao menos, para nos paralisar, nos arrancar de nós mesmos (a empatia com familiares das vitimas é imediata), breves segundos em que até esquecemos do que estamos fazendo, mesmo sendo uma tarefa rotineira, um esmaecer da vida que fica mais sem graça e triste. 

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