24 de janeiro de 2013

Na Estante 1 - A Arte do Romance (Milan Kundera)


Livro: A arte do romance
Autor: Milan Kundera
Editora: Companhia de Bolso
Ano: 2009
Páginas: 160


“O romance acompanha o homem constante e fielmente desde o princípio dos tempos modernos. A “paixão de conhecer”(aquela que Husserl considera a essência da espiritualidade europeia) se apossou dele então, para que ele perscrute a vida concreta do homem e a proteja contra “o esquecimento do ser”; para que ele mantenha “o mundo da vida” sob uma iluminação perpétua. É nesse sentido que compreendo e compartilho a obstinação com que Hermann Broch repetia: Descobrir o que somente um romance pode descobrir é a única razão de ser de um romance. O romance que não descobre algo até então desconhecido da existência é imoral. O conhecimento é a única moral do romance.” (A arte do romance, página 13)

Não li nenhuma obra literária de Milan Kundera, autor de A Insustentável Leveza do Ser, porém a leitura de A Arte do Romance (Companhia das Letras, 2009) não exige tanto o conhecimento prévio dos seus textos mais conhecidos. Ele versa sobre os métodos de composição dos seus romances, porém também levanta reflexões sobre o próprio gênero literário desde o paradigmático Dom Quixote de Miguel de Cervantes até a obra original e inquietante de Franz Kafka. Kundera tece reflexões sobre o romance europeu, que teve seu pleno desenvolvimento nos séculos XVIII e XIX, como uma forma de entender os meandros da feitura de um romance como para compreensão da própria Europa, do como estas obras importantes refletem um estado de espírito, o momento histórico de uma época e deste continente como um todo. O livro é dividido em 7 partes compostas por ensaios escritos pelo autor (sobre Cervantes, sobre Kafka, sobre Hermann Broch), transcrição de entrevista concedida pelo autor ao jornalista Christian Salmon (da revista Paris Review), um dicionário de palavras-chave que definem a obra de Kundera desenvolvido pelo próprio. O livro não chega a ser uma obra fundamental da crítica literária, como os tratados de Mikhail Bakhtin, Georg Lukács, Antonio Cândido, Massaud Moisés, entre tantos outros, porém ajuda a entender esta difícil e fascinante arte que é a de escrever (é sempre uma delícia e muito curioso também ler um artesão das palavras versando sobre o seu próprio trabalho), lançando uma luz para aqueles interessados em aprofundar seus estudos teóricos sobre o romance literário.

Um comentário:

  1. A literatura escrita não é para qualquer um, Escrever bem, capítulos e capítulos, prendendo a atenção do espectador, é dificílimo!

    Esse ficará na minha lista de espera!!

    Muita paz!

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