27 de janeiro de 2013

Santa Maria ou o fogo


O fogo queima e deixa marcas, consome a tudo, alimenta-se do que é inflamável. Prolifera-se, torna cinzas. Dele, não ressurgem fênix, o fogo não brota da boca de um dragão em fúria, nem das mãos de um bruxo pleno de sua magia. Pode irromper das mãos (ou ser causado por elas) de quem acima da plateia queria encantar o seu público com um pouco de pirotecnia, dar espetáculo que pipoca em faíscas que também podem originar uma combustão. Pode propagar um incêndio. O fogo, e seus derivados, destrói. Não somente resulta em queimaduras de segundo, terceiro grau, na deformação da epiderme que nunca mais será jovem. Jovem também seu público que passou, que entrou, ficou e não conseguiu sair. Que inalou fumaça, que pisoteou ou foi pisoteado por desespero, encarcerado pela fatalidade. Fogo que causou dor em quem sequer chegou perto de sua incandescência, de quem não sentiu na pele ou no peito as consequências de suas propriedades químicas. A dor de quem estava longe é diversa da carne em contato com o fogo, do pulmão a inalar gás carbônico, no entanto a conexão com ela era mais forte, pela intimidade que se tinha, pelos laços de sangue ou amizade que os aproximava. Pessoas dilaceradas e carbonizadas por outras propriedades, desta vez emocionais, tão igualmente difíceis de regenerar. Se há conforto depois de tudo isto? Se haverá punição ou uma forma de remediar tamanha devastação? Não se sabe exatamente. Resta o lamento... Somente...

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