19 de maio de 2013

Adeus tardio à Vila Brasilina



Não mais as subidas íngremes da Cel. Northmann, ladeiras de tirar o fôlego, maneiras de desestímulo ao trabalhador que, por obrigação, passo a passo, com seus pés apressados ou não, cansados ou não, se dirigisse para o alto enfim, rumo à Avenida Cursino para pegar o ônibus ou a van. Não mais os funks oriundos de celulares em volume alto, sem o tão apropriado fone de ouvido, dos transeuntes e suas calças de moletom e suas camisetas polos, ocasionais bonés e óculos escuros. Não mais motos a subirem e descerem freneticamente as ruas e ladeiras, exibindo-se no levantar de seus veículos, assustando com o roncar dos motores a berrar pelo escapamento. As brigas da casa de cima, o som alto do quintal à frente, a rua sem saída que rescendia à maconha. Não mais a opção do Terminal Sacomã, que me livrava dos apertos do metrô, da inconstância de suas linhas e da má educação de seus frequentadores. Momentos em que eu colocava a leitura em dia, quando o sono me permitia. Não mais irritações pelas chuvas que geravam infiltrações, pela fiação que resultava em oscilações de energia, pela maneira improvisada de se conseguir ter luz e que nem era de forma clandestina. Não mais proximidade com outras regiões da cidade, por outro lado, não mais a fila imensa do Vila Liveiro, as longas esperas entre um ônibus e outro.
Não mais saudades, nem se teve tempo de sentí-las. O saldo de todos aqueles anos de estadia é mais negativo do que positivo, onde a tolerância e a calma foram trabalhadas e exigidas durante quase todo o tempo. Vida nova, casa nova, novas neurastenias...

2 comentários:

  1. Limerique

    Inspirado esse tal Wesley Moreira
    O qual de uma perfeita maneira
    Com muita candura
    Sem qualquer frescura
    Deu recado como Manuel Bandeira.

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  2. Valeu, Jair! Fico lisonjeado com a comparação, mas tenho que comer muito feijão com arroz pra chegar ao nível do grande Bandeira rsrs...

    Um grande abraço!

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