1 de maio de 2013

Na Estante 3 - Orgulho e Preconceito (Jane Austen)


Livro: Orgulho e preconceito
Autor: Jane Austen
Editora: L&PM
Ano: 2010
Páginas: 392


“A despeito de sua tão arraigada antipatia, ela não podia ficar insensível à demonstração de afeto vinda de um homem como aquele, e, embora seus sentimentos não se alterassem nem por um instante, lamentou à princípio o sofrimento que lhe causaria; então, levada ao ressentimento pelas palavras que se seguiram, viu toda a sua compaixão se transformar em raiva. Tentou, porém, controlar-se para responder com paciência, quando ele terminasse. Ele concluiu descrevendo a força de um afeto que, a despeito de todos os esforços, descobrira ser impossível superar. E manifestando a esperança de ser agora recompensado quando ela aceitasse sua mão. Enquanto ele falava, ela podia perceber com facilidade que ele não tinha dúvidas quanto a uma resposta favorável. Ele falava em apreensão e ansiedade, mas sua expressão traduzia segurança. Tal atitude apenas conseguiu exasperá-la ainda mais, e, quando ele se calou, o rubor coloriu suas faces, e ela disse...”



O grande problema de se ler um livro depois de ter visto a sua adaptação para o cinema ou televisão é que, por mais que lutemos contra, os personagens ganham a feição dos atores que os interpretaram também na nossa imaginação. Foi o que aconteceu com Orgulho e Preconceito, clássico escrito por Jane Austen cuja última transposição para as telonas foi feita por Joe Wright com Keira Knightley e Matthew MacFadyen. Já tinha lido outra obra de Jane há alguns anos atrás, mas foi o filme que me despertou novamente o interesse por esta autora inglesa. Ao retratar mulheres de personalidade, tentando sobreviver em um mundo machista (gênero cujo único destino é o casamento, com um homem de boas posses de preferência), Austen inscreveu suas singelas estórias entre os maiores livros da literatura mundial. Poderia apenas ser mais uma autora a contar estórias românticas com finais felizes e muito açúcar nas linhas escritas, no entanto Austen nos mostra um painel da sociedade inglesa daquela época, preocupada com a ascensão social (cujo casamento é apenas um dos meios de se chegar a tal objetivo), arrivista, calcada nas aparências e nos relacionamentos superficiais.

O diferencial de Jane Austen está na análise que ela faz deste universo, as frivolidades dos salões, o ridículo das preocupações das mulheres de sua época, tudo com muita ironia e humor sutil e inteligente, características que tornam sua prosa cada vez mais deliciosa à medida que atravessamos o romance.

A história de amor entre Mr. Darcy e Elizabeth Bennett transita entre o incerto e os equívocos. A chegada de Mr. Bingley, um rico herdeiro que aluga um casarão na fictícia cidade de Meryton junto com seu melhor amigo Mr. Darcy causa comoção na cidade. Elizabeth é uma das cinco filhas da família Bennet, cuja mãe desesperadamente deseja casá-las com um bom partido, pois, pelo fato do Sr. Bennet não possuir filhos homens, a herança irá para o primo delas, o entediante Mr. Collins. A irmã mais velha de Elizabeth, Jane, ganha a atenção de Bingley, enquanto a protagonista investe em sua implicância com Mr. Darcy após ser desprezada por este num baile, gerando em Elizabeth uma antipatia imediata, visão que a cega e nem a faz perceber os sentimentos que desperta no rico rapaz (de comportamento reservado e, aparentemente, arrogante) após este fato.

Orgulho e Preconceito entra naquela categoria dos romances que justificam em suas primeiras páginas a fama e a popularidade que possuem (o livro de Jane Austen é o segundo mais querido pelos ingleses segundo uma pesquisa feita em 2003 pela BBC, atrás apenas de O Senhor dos Anéis). Um romance cujos personagens (alguns caricaturais, outros profundos, todos divertidos e bem delineados) encantam e nos dão uma visão muito peculiar da própria mulher na conservadora época vitoriana.

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