5 de maio de 2013

Na Estante 4 – Bisa Bia, Bisa Bel (Ana Maria Machado)


Livro: Bisa Bia, Bisa Bel
Autor: Ana Maria Machado
Editora: Salamandra
Ano: 2007
Páginas: 80


“Como é que eu podia explicar a ela que Bisa Bia estava existindo agora para mim? E muito... Eu sabia que ela tinha morrido há muito tempo, mas naquele tempo eu nem conhecia a minha bisavó. Tinha mais: de verdade, naquele tempo quem não existia era eu, ainda nem tinha nascido. Mas agora, de repente, desde a hora em que eu vi aquela belezinha de retrato, ela passou a existir para mim, e eu ficava pensando nela, imaginando a vida dela, as coisas que ela brincava, o que ela fazia, o mundo no tempo dela. Não dava para explicar isso para Adriana.”

A coisa mais difícil sou eu ler literatura infantil ou infanto-juvenil.  Graças à universidade pude voltar ao contato com algumas obras marcantes deste segmento tão importante, afinal, ele é a porta de entrada para novos leitores. Bisa Bia, Bisa Bel pode ser considerado um clássico desta literatura voltada às crianças e adolescentes, um dos grandes livros ao lado dos de autoria de Monteiro Lobato, Ruth Rocha, Ziraldo entre outros nomes. Ao escrever sobre a delicada relação de Isabel com sua bisavó através de uma foto antiga, Ana Maria Machado fala do nosso contato com o passado, o choque de costumes, o quanto não podemos deixar de olhar para nossas raízes, sem perder a visão ou o olhar para o futuro. Isabel descobre, através da bisavó, que vive dentro dela, como uma “tatuagem interna”, um mundo que desconhecia com valores, costumes e objetivos muitos diferentes com o qual está habituada, descobre que aquela bisavó tem muita mais coisas em comum com ela do que ela própria imagina. Isabel achara um antigo retrato sépia guardado dentro de uma caixa junto com as coisas de sua mãe que “dava uma geral” em seu quarto, encantada com a imagem daquela garota vestida como uma boneca, Isabel toma a foto para si e a faz uma companheira inseparável. A questão do tempo permeia o livro, o tempo que vai proporcionar conflitos entre as gerações as quais pertencem Bia e Bel (e mais tarde a figura da neta Beta) e o tempo que dará maturidade à protagonista que encontrará a própria voz e aprenderá a escutar a si mesma antes de tudo. Ana Maria Machado redigiu uma singela obra capaz de comover leitores de diferentes idades, trabalho este que foi grande sucesso de publicação no mundo todo na época de seu lançamento e continua encantando as novas gerações.

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