26 de maio de 2013

Neurastenias do transporte público


          Uma das coisas que mais me irritam no transporte público é o famoso pedido que o cobrador das vans faz à turba que enche o veículo. "Pessoal, dá mais um passinho pro fundo, pessoal!". Já não bastasse o espaço diminuto para tanta gente, ainda temos que aturar a gritaria do rapaz porque simplesmente em sua cabeça (somente nela) acha que ainda caberá mais um do outro lado da catraca com este "simples" gesto. Ao contrário do que muitos brincam, nem ônibus, nem perua, nem metrô são coração de mãe (sempre cabe mais um), uma mãe não maltrataria tanto assim os seus. São Paulo tem um sistema de transporte falho, falido e prestes a ruir. Já não suporta e comporta tanto carro, passageiro, pedestre. Está superlotada, hiperinflacionada. O preço da passagem (que logo vai aumentar) não justifica a qualidade do serviço. Pagamos outro preço mais caro ainda por tudo isto: cabelos brancos, rugas, stress, alguns hematomas, descontos no salário pelos atrasos.

Outra das coisas mais irritantes: "Paramos para aguardar a movimentação do trem à frente". Até mesmo em dias de pouca movimentação, fora dos horários de pico, o condutor do trem vem com esta desculpa, mesmo que tenha havido tempo hábil para a circulação entre um trem e outro (acredito que o metrô tenha encontrado a explicação perfeita para o fato do trem estar parado ao invés de revelar os verdadeiros motivos que tenha causado a paralisação).
As pessoas que usam a escada rolante e esquecem-se de que a esquerda deve estar livre para os outros subirem ou que, se não vão entrar no vagão, ao menos liberem a entrada daqueles que não se importam de fazer a viagem em pé.
Motoristas que avançam o sinal aberto para o pedestre (e ainda reclamam quando quase atropelam o transeunte que está em seu direito de atravessar na faixa).
O cidadão fica num impasse terrível: se escolhe o transporte público, sofre as consequências do caos que este serviço se transformou (na verdade sempre o fora caótico, cada ano parece que piora a situação), se compra seu carro 0km ou usado vai bufar em meio ao trânsito insustentável, preso ao seu veículo, o receio de ser roubado à cada sinal vermelho, de sofrer um sequestro relâmpago ou coisa pior.
O paulistano está preso numa teia, sem chance de escapatória, prestes a ser devorado por outro aracnídeo que é o seu próprio conterrâneo.
Explodem neurastenias, soçobram as nossas paciências e a multidão avança para dentro do vagão, do ônibus como uma manada, num ataque de time de futebol, com empurrões, puxões, encoxos, desrespeito e má educação. Sofre quem tem que passar por isso todos os dias, enquanto as soluções e melhorias nunca acontecem.

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