6 de julho de 2013

Na Estante 7 – Otelo (William Shakespeare)



No “Na estante” de hoje vou usar um texto que escrevi para um trabalho da faculdade sobre a peça “Otelo” de William Shakespeare em que se deveria comentar algumas das frases mais célebres da tragédia sobre o mouro de Veneza. A frase abaixo foi a que escolhi, utilizei também, como embasamento teórico, trechos do livro “Shakespeare: A invenção do humano”, do crítico Harold Bloom.


Livro: Otelo
Autor: William Shakespeare
Editora: L&PM
Ano: 2013
Páginas: 157


“O beware, my lord, of jealousy! / It is the green-eyed monster, which doth mock / The meat it feeds on.” (“Acautele-se, meu senhor, contra o ciúme. É ele o monstro de olhos verdes que zomba da carne com que se alimenta.”)

            A semente da dúvida germina e metamorfoseia-se em ciúme. Bastou um simples comentário feito por Iago para que Otelo fosse tomado aos poucos pela desconfiança.  “Arrá! Não gosto nada disso”, disse o antagonista para Otelo ao ver Cássio saindo da casa do general e daí desfia com argúcia suas suspeitas de que existe algo entre Desdêmona e o até então lugar-tenente recém-nomeado por Otelo. Como escreveu BLOOM (2001): “Consideremos o feito de Iago: sua genialidade é o elemento responsável pelo desenho desse noturno, sua melhor obra”, sua obsessão em vingar-se do mouro demonstra que “a característica mais singular de Iago, surpreendentemente, é a liberdade. Grande improvisador, ele age com vigor e senso de oportunidade, ajustando sua trama às ocasiões que se apresentam” (BLOOM, 2001, p. 540). Iago molda a todos de acordo com as suas vontades, utilizando a persuasão que seus argumentos provocam, diálogos estes que escondem a sordidez de seus planos, revelados aos públicos nos diversos solilóquios que a personagem diz no decorrer da peça escrita pelo bardo inglês.
            Ao sinalizar Otelo sobre os perigos do ciúme, este “monstro com olhos verdes”, Iago consegue o efeito contrário, faz com que o ciúme irrompa e cresça gradativamente no peito e na mente do protagonista.
            A grande ironia para o público que assiste a Otelo e talvez o fator que prende a sua atenção é o de sabermos os passos de Iago, todos eles. Somos meios que cúmplices dele, pois na estória ninguém mais além de Iago que sabe quais são seus planos e o quanto ele consegue ser bem-sucedido e infalível nos seus detalhes. O que nos provoca tanto o repúdio pelas ações torpes do vilão quanto um fascínio pela genialidade que a personagem possui, principalmente pelo o que ela resulta ao fim da peça.

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