21 de julho de 2013

Na Estante 9 – As Joias da Coroa (Raul Pompeia)


Livro: As joias da coroa
Autor: Raul Pompeia
Editora: Scipione
Ano: 2005
Páginas: 67



Devido ao TCC da faculdade, estou me debruçando em algumas obras de Raul Pompeia, célebre autor de "O Ateneu". Ganhei de presente de um amigo (graças aos milagres que aquelas máquinas “Pague Quanto Quiser” de livro no metrô fazem ao disponibilizar algumas obras raras em seu acervo) o livro “As Joias da Coroa”, novela satírica escrita por Pompeia quando este tinha 20 anos e publicado no formato de folhetim.
O livro foi inspirado em um inusitado fato real, em que as joias de propriedade de D. Pedro II foram furtadas, causando um verdadeiro alvoroço na sociedade da época.  Logo descobriu-se que os verdadeiros envolvidos com o crime eram pessoas de confiança do imperador. Surpreendentemente, tempos depois, uma vez solucionado o problema e as joias terem sido recuperadas, os acusados foram perdoados e libertos, gerando diversas especulações sobre o que estaria por trás de tal decisão.
Com esta mesma premissa, Pompeia trabalha nesta novela, apenas tomando o cuidado de substituir os nomes das personagens. Pedro II foi chamado de Duque de Bragantina, o conde D’Etu (outro que teve suas joias roubadas no mesmo evento), teve apenas a substituição do título para Marquês D’Etu. Outra figura principal é a de Manuel da Pavia, que arquiteta todo o plano e conta com a ajuda de Inácio e Januário, criados de confiança do duque. Pavia também é um daqueles serviçais que fazem tudo para o seu patrão, inclusive os trabalhos sujos. Além disso, ele também negocia uma noite de amor da afilhada de Januário, a adolescente Conceição, com o Duque de Bragantina. Mas Emília, a nora de Januário possui um grande segredo que pode pôr tudo a perder aos planos do duque e de Pavia.
Algumas das características da obra máxima de Pompeia estão presentes ali no narrador de "As Joias da Coroa": o detalhismo das descrições, a análise psicológica das personagens (mesmo que mais rasa em comparação aos seus trabalhos posteriores). A diferença entre a prosa deste “Joias” com a do “Ateneu” é gritante. Afinal “As Joias da Coroa” não tem a mesma profundidade do clássico que inscreveu Pompeia entre os maiores autores do Realismo-Naturalismo brasileiro, porém foge ao título de um trabalho menor na curta carreira literária de Pompeia que suicidou-se aos 32 anos. Torna-se uma crítica ácida às relações de poder no Brasil Império e o quanto elas escondem de sujeira em seus bastidores. Panorama que não parece ter mudado muito hoje em dia com os políticos desta atual república nacional.

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