21 de janeiro de 2014

“Meus movimentos são friamente calculados”


“Meus movimentos são friamente calculados”.
Sem querer Chapolin antecipou uma tendência que apenas solidificou-se nestes tempos de Facebook. Nunca uma rede social tornou tão urgente a necessidade de se postar tudo o que se faz da vida diariamente (desde o despertar até o fechar das pestanas no sono). Não me surpreendem mais as postagens de comidas que as pessoas preparam (fotos e mais fotos de pratos, feitos pela mãe ou por elas próprias, acompanhados de um onomatopeico hummmmmmmmmmm), as fotos tiradas no espelho, os selfies, etc. Será que as pessoas traçam um roteiro para que aquele dia saia exatamente o que se planejou para as publicações no Face?
Suspeito de que as pessoas não queiram mais fazer as coisas (sair, trabalhar, ir ao cinema, comer, encontros de família) de forma espontânea, tudo está milimetricamente arquitetado para que surja depois uma nova atualização nas páginas de seu perfil. Imagino a frustração de quem não recebeu nenhum “like” depois de tanto ensaio e preparo... Entendo o desejo de compartilhar momentos de alegria, diversão e saudade na rede social, porém ninguém está muito interessado se você está pela vigésima oitava vez “#chatiado”, “se sentindo triste” ou lançou, sem o efeito esperado, uma indireta para aquela pessoa que magoou seus sentimentos. E dá-lhe lamentações sobre confianças quebradas, decepções ou aquela postura de que “não estou nem aí pro que os outros vão pensar de mim”, “falo mesmo o que me vem à mente”. O Facebook, assim como o cérebro desta gente, não sabe ainda filtrar estes pensamentos involuntários/voluntários.

Claro que nós podemos nos dar ao luxo de ler ou não estas postagens, assim como desligamos a TV quando nada de interessante é exibido na programação. A televisão rouba parte do nosso tempo só com o gesto de zapeá-la à procura por algum programa; o Facebook também nos prende por um longo período, até que você encontre um post inteligente ou engraçado. Quando isto acontece, fato cada vez mais raro, você pode regozijar e dizer a si mesmo: “Não contavam com a minha astúcia!!!”.

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