26 de janeiro de 2014

Na Estante 11 - Macunaíma (Mário de Andrade)



Livro: Macunaíma
Autor: Mário de Andrade
Editora: Círculo do Livro
Ano: 1980
Páginas: 200


Macunaíma me fez lembrar o traumático momento, no 2º ano do Ensino Médio, em que tive que ler Iracema de José de Alencar, clássico do Romantismo Brasileiro que me exijo a uma futura e nova leitura. As expressões e nomes indígenas, regionalismos e neologismos, a linguagem coloquial a sintaxe invertida podem afugentar aquele leitor inicial ou em formação nesta que é a obra mais conhecida de Mário de Andrade.
Como o próprio título do livro indica, o protagonista é um herói sem nenhum caráter, o que subverte as convenções literárias e também aperfeiçoa aquilo que Manuel Antonio de Almeida começou com o seu “Memórias de um sargento de Milícias” no século anterior. Mário traz novamente o anti-herói, o personagem pícaro, neste romance rapsódia. Macunaíma desde pequeno é acometido de uma preguiça interminável e vive de ludibriar os irmãos, brincar com as cunhãs, de querer levar e tirar vantagem em todas as situações em que por vezes se dá bem, por outras se dá muito mal. Convivendo com figuras folclóricas numa jornada épica rumo a São Paulo para recuperar a muiraquitã que ele ganhara de presente da Mãe do Mato, Ci, que agora está sob a posse de Venceslau Pietro Pietra, o gigante Paimã comedor de gente.
O urbano e o rural, o citadino e o indígena, o realismo e o lendário fundem-se numa narrativa pulsante, inconstante e que é um tour de force numa primeira leitura (quiçá na segunda vez a inventividade de Mário não soe tão difícil como agora o foi).
Mário de Andrade foi um grande pesquisador e contribuidor da cultura popular brasileira, este Macunaíma seria uma síntese em formato de ficção do grande arcabouço cultural que temos de herança, do resultado das misturas entre raças, desta miscigenação que é nossa principal característica e que foi fonte da pesquisa empreendida pelo autor modernista em suas viagens pelo país. Não somente é um retrato da nossa brasilidade mas do que liga nossa cultura a dos outros países da América.

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