2 de fevereiro de 2014

Das cenas finais de Amor à Vida




Walcyr Carrasco fez história na televisão brasileira e bastaram duas cenas para que este feito fosse atingido. A penúltima cena foi o tão esperado beijo gay entre os personagens Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso). A última cena foi a bela, tocante e surpreendentemente (para uma novela que abusou das fortes emoções mexicanas) não piegas reconciliação dos personagens Félix e César (Antonio Fagundes).
Com exceção de Xica da Silva (escrito sob o pseudônimo Ádamo Angel) e O Cravo e a Rosa, não gosto das novelas do Walcyr. Todas repetem as mesmas fórmulas e abusam do melodrama e possuem um texto muitas vezes péssimo e cheio de chavões e clichês. Com a sua ida para o horário nobre das 21 horas, surgiu a esperança de que este perfil de escrita mudasse, devido ao período reservado à tramas mais sérias, ou o medo de que todos os defeitos dele como autor permanecessem. A segunda opção acabou acontecendo fatalmente.
Mas dizer que a trama de Walcyr Carrasco não tem acertos seria injusto. O personagem de Mateus Solano foi um deles. Félix, por mais estereotipado que fosse, foi um personagem que logo de cara conquistou o publicou e o divertiu com suas tiradas e língua ferina. Fora isso, Félix era um vilão ou a "bicha má" da estória, como muitos o apelidaram. Outro acerto, a figura de César, médico adúltero e homofóbico. O ódio do pai ao filho que desejava o seu amor e atenção movimentou praticamente toda a trama. O tema do homossexualismo foi abordado com apuro e Félix tornou-se o catalisador de grande parte da discussão que se levantou a respeito deste assunto.
Sua redenção e a aproximação de outro personagem gay que sofreu com a traição do marido com a melhor amiga fez os espectadores torcerem pelo novo casal mais do que pelos protagonistas (que já tinha todos os seus conflitos praticamente resolvidos dentro da trama). O beijo gay era aqui uma consequência natural e a Globo, muito esperta e de olho nos frutos que a opinião pública iria produzir, deu bandeira verde para que a tão esperada cena fosse ao ar. Uma vitória para os homossexuais que desde sempre sofreram com o preconceito de toda a sociedade. Não que o beijo gay vá dirimir todos os problemas e as violências físicas e psicológicas pelas quais homossexuais ainda passam, mas a sua exibição no horário nobre no programa de maior audiência da emissora mais vista no país significa um avanço e que a sociedade enfim está mudando os seus conceitos ou dando um passo adiante para uma tolerância ainda maior.
Se outros beijos vão acontecer, se a campanha vai ser agora por uma transa gay ou se será o futuro casal de lésbicas da nova novela de Manuel Carlos que vai impulsionar a torcida do público ninguém sabe, mas já estamos ansiosos pelos próximos capítulos...


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